Início Geral Imbróglio da eleição na Feira do Guará tem novo capítulo

Imbróglio da eleição na Feira do Guará tem novo capítulo

Grupo de trabalho sugere nova eleição, mas associação dos feirantes alega interferência indevida. Dívidas ultrapassam os R$ 7 milhões

O Grupo de Trabalho apresentou os resultados do levantamento da situação da Feira aos feirantes, nesta quarta-feira, e sugeriu nova eleição na associação

O consumidor que está interessado apenas na busca por um bom pescado, embutidos e castanhas de qualidade, uma boa comida regional, roupas baratas, serviços de celulares, cosméticos, não tem ideia dos bastidores da briga pelo direito de administrar a segunda maior feira do Distrito Federal. A disputa envolve dois grupos adversários e se agravou após as eleições para a renovação da diretoria, realizada em outubro do ano passado, que culminou com a vitória da situação, e vem sendo alimentada com denúncias, ameaças e até brigas e xingamentos físicos pelos corredores da feira. Foi necessário o governo, que é o dono do espaço, intervir, mas as providências podem estar longe de serem resolvidas.
Nesta quarta-feira, 17 de julho, o Grupo de Trabalho constituído pelo governo, representado pela Administração do Guará e Secretaraia de Governo, integrado também pelo Sindicato dos Feirantes do Distrito Federal (SindFeira), apresentou o relatório referente à situação legal e financeira da Feira do Guará para cerca de 300 feirantes no auditório da própria Administração. De acordo com o levantamento do GT, as dívidas chegam a mais de R$ 7 milhões, com INSS, Neoenergia e ações trabalhistas. Entretanto, o pagamento, ou a negociação desse passivo, depende da decisão sobre a instituição que legalmente representa os feirantes, porque a eleição da diretoria da associação foi cancelada pela Justiça no início deste ano, após denúncias de irregularidades que teriam ocorrido durante a votação, apresentadas pela chapa de oposição.

Um dia depois da apresentação do Grupo de Trabalho, assembleia convocada pela chapa da situação fez opção unânime pelo voto por banca – quem ficou do lado direito do auditório era a favor

Como a diretoria eleita não conseguiu registrar a ata da eleição em cartório, por causa dos questionamentos da chapa perdedora, em tese a Associação dos Feirantes está sem comando, porque a gestão da diretoria anterior venceu no dia 31 de dezembro, de acordo com o Estatuto. Mas, como a eleição está suspensa, que teria eleito Valdinei Lima para a presidência da Ascofeg, o ex-presidente Cristiano Jales voltou a assumir o cargo por conta própria, sob a alegação de que, com a suspensão das eleições, a diretoria anterior permanece até o julgamento do mérito ou até que sejam convocadas e realizadas novas eleições, o que está sendo contestado pela oposição.

Eleição contestada

Presidente da comissão eleitoral que apurou a votação das eleições para a renovação da diretoria, Adeilson Macedo, dono de uma banca de castanhas, critica os rumos da disputa, que, segundo ele, provoca insegurança entre feirantes e consumidores. “Posso garantir que não houve irregularidades no momento da votação, como está sendo alegado pela chapa de oposição, porque conferimos toda a relação de votantes que chegou em nossas mãos. O grupo de oposição alega que o voto deveria ter sido por CPF e não por comprovante de concessão, mas neste caso ninguém poderia ter votado, porque a filiação à Associação dos Feirantes é pela banca e não pelo CPF do concessionário”, esclarece. Cristiano Jales argumenta que a feira é um condomínio e que por isso o voto deve ser por unidade e não pelo CPF do ocupante, como sempre teria sido.
Em relação às dívidas, Cristiano transfere parte da responsabilidade à Administração do Guará, porque, segundo ele, o órgão não tem agido para reduzir a inadimplência da taxa de ocupação, que chega a mais de R$ 3 milhões, que seria suficiente para pagar a dívida com o INSS. “Em relação ao débito com a energia, a culpa também é da Administração, que entregou há 25 anos a ala nova sem medidores e a cobrança veio somente após a Neoenergia assumir a concessão da serviço de energia elétrica no Distrito Federal. A responsabilidade neste caso, portanto, é do próprio governo, que não tomou as providências para instalar os medidores”, afirma.
Representante da Administração do Guará no Grupo de Trabalho, a advogada Bruna Monik explica que a recomendação do Grupo de Trabalho é que seja promovida uma nova assembleia entre os feirantes, com um mínimo de 150 associados (1/5 dos filiados), para definir uma nova Comissão Eleitoral e a data de uma nova eleição, sob a coordenação do Sindicato dos Feirantes do DF (SindFeira), sugestão contestada por Cristiano Jales, que acusa o sindicato de defender os interesses da chapa de oposição, que perdeu a eleição que depois seria anulada pela Justiça.

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