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Trem do Entorno mais próximo ainda

Governo federal vai dar primeiro passo para implantar trem de passageiros até Luziânia. Primeira concessão da ferrovia começa a sair do papel e leilão deve acontecer em 2026

Mais um passo está sendo dado para a criação do trem de passageiros do Entorno, uma antiga promessa que parecia ter sido abandonada ou andando a passos lentos. O Governo Federal prepara a primeira concessão da ferrovia ligando a capital a Luziânia, cujos estudos estão na fase final de ajustes e devem ser submetidas a consulta pública ainda este ano, com leilão previsto para 2026. O projeto é de interesse direto dos moradores do Guará, porque a intersecção entre o novo modal de transporte de passageiros e o metrô vai acontecer no Guará Park, o único local onde as duas linhas se cruzam. Os projetos para as ligações ferroviárias entre Salvador e Feira de Santana, na Bahia, e entre os municípios paranaenses de Maringá e Londrina também estão adiantados.


Nesta segunda-feira, 30 de junho, representantes do Ministério dos Transportes, da Secretaria do Entorno do Distrito Federal e do Governo do Estado de Goiás definiram para o final de agosto as audiências públicas para o início da discussão do projeto. Durante a reunião, foi definida a elaboração de um plano técnico de trabalho conjunto entre o Governo de Goiás, o GDF e a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, com o objetivo é revisar os estudos contratados pela empresa estatal Infra S/A, que cuida da malha ferroviária do país, para identificar ajustes e organizar, de forma integrada, as etapas que antecedem a implantação do projeto.
A proposta prevê um trajeto de 60 quilômetros, ligando o Jardim Ingá, em Luziânia, com seis paradas, incluindo a intersecção com o metrô no Guará.
A ferrovia Brasília ao Entorno será a primeira experiência do Governo Federal para ampliar a malha de passageiros no país, porque, atualmente, apenas duas ferrovias servem ao deslocamento da população comum, com exceção das que fazem apenas passeios turísticos – ambas administradas pela Vale: a Estrada de Ferro Vitória-Minas e a Estrada de Ferro Carajás. Mas elas não foram alvo de uma concessão específica, são uma obrigação no contrato para transporte de carga.
A dificuldade de conceder ferrovias de passageiros à iniciativa privada passa pelo custo do modal e a perspectiva de retorno do investimento. Somente a cobrança de passagens não fecha a conta. Para tirar a promessa do papel, o governo Lula vem adotando algumas estratégias. A primeira é aproveitar a malha de ferrovias abandonadas ou subutilizadas, como é o caso da que liga a capital a outras regiões do país, mas passando por Valparaíso e Luziânia.

Seis projetos-pilotos e aporte público
Com base em um estudo inicial do LabTrans, laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina, o Ministério dos Transportes chegou a uma lista inicial de seis projetos-pilotos. Além dos três que já estão mais adiantados, há ainda planos para Pelotas-Rio Grande (RS), Fortaleza-Sobral (CE) e São Luís-Itapecuru Mirim (MA). Os trechos foram escolhidos levando em consideração análises sobre o fluxo de pessoas, critérios econômico-financeiros e o potencial de atração de investidores.
Mesmo assim, será necessário fazer algum aporte público nos projetos para que eles parem de pé. Mas o Ministério dos Transportes quer usar operações imobiliárias para reduzir o volume de recursos do Tesouro Nacional que serão necessários para tornar os projetos viáveis.
A ideia é integrar à concessão terrenos adjacentes à linha férrea, de modo que a empresa vencedora do leilão possa ter uma receita secundária, com a gestão imobiliária de galpões logísticos, prédios corporativos ou para moradia.

Primeiro teste será no Centro Oeste
O primeiro teste do novo modelo deve oferecer nova opção de transporte entre Luziânia e Brasília, o único dos seis projetos considerados pelo Governo Federal que envolve dois estados. Isso se deve às condições peculiares da capital federal, que tem integração muito grande com os municípios goianos do entorno.
Segundo o secretário do entorno do Distrito Federal do governo de Goiás, Pábio Mossoró, existe uma linha para transporte de carga na região, operada pela FCA, mas a utilização está abaixo da capacidade. Há possibilidade de devolução da concessão.
A ideia do governo federal é adequar a malha para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A FCA, por sua vez, informa que o trecho integra o processo de renovação da concessão, que está em curso nos órgãos responsáveis.
De acordo com o secretário do Entorno do Governo de Goiás, Pábio Mossoró tem reunião com o secretário Nacional de Transporte a ideia é ligar a região de Jardim Ingá, em Luziânia, à antiga Rodoferroviária, passando por Valparaíso de Goiás.
O transporte público no trecho é considerado caro e ineficiente. Além disso, há atuação de grupos em situação irregular. Com trânsito, a viagem de ônibus entre o ponto inicial e final chega a durar mais de 2 horas ao custo médio de R$ 12. O fluxo de passageiros gira em torno de 20 mil a 25 mil pessoas diariamente.
Goiás e Distrito Federal já anunciaram a formação de consórcio para melhorar a gestão do transporte, hoje realizada pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), e possibilitar a concessão de subsídios nas passagens (Com informações do G1).

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