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ZÉ MARIA – No comando da força invisível que intermedia as demandas da população

Em tempos de falta de estrutura e crescente centralização do poder público, uma força silenciosa e persistente segue mobilizando moradores, enfrentando a burocracia e promovendo mudanças reais nas quadras do Guará. À frente dessa resistência está José Maria de Castro, prefeito comunitário da QE/QI 09 e presidente da Juntaa de Prefeituras e Associações do Guará (Junpag), que defende uma atuação apartidária, coletiva e baseada no respeito, mostrando que o protagonismo local ainda é o melhor caminho para construir cidades mais justas e humanas.
Com décadas de envolvimento na vida comunitária do Guará, Zé Maria, como é conhecido, é um dos nomes mais atuantes na organização de base da cidade. À frente da prefeitura comunitária da QE/QI 09 e da Junpag, ele atua como ponte entre moradores, comerciantes e o poder público, lidando diariamente com demandas que vão da segurança à cultura.
Para ele, o papel de uma prefeitura comunitária é ser o elo direto com a realidade local, ouvindo os anseios da população e buscando soluções com responsabilidade. “Nosso compromisso é com as necessidades reais da comunidade, e isso exige escuta, articulação e, principalmente, união”, afirma.
A trajetória da QE/QI 09 comprova o efeito dessa mobilização. Antes marcada pelo tráfico de drogas, a quadra vive hoje um ambiente de paz, fruto da articulação com órgãos públicos e da organização de eventos culturais que integram moradores e fortalecem o senso de pertencimento. “O que mudou tudo foi o respeito e a interação entre os moradores e comerciantes. Eles são os verdadeiros culpados pela paz que temos hoje aqui”, resume José Maria com bom humor.

Centralização do poder

Mesmo reconhecendo avanços pontuais na atuação da Administração Regional do Guará, o líder comunitário é crítico quanto à centralização dos serviços públicos e à lentidão de órgãos como a Novacap e o DF Legal. Segundo ele, iniciativas como a Lei nº 6.915/2021, que transfere responsabilidades de manutenção urbana às comunidades, são ineficazes e injustas. “Sozinhos, ninguém chega a lugar algum”, alerta.
A Junpag hoje representa cerca de 30 entidades comunitárias, oferecendo suporte jurídico e organizacional, sem interferir na autonomia das associações. José Maria relata que, apesar da escassez de recursos, há uma crescente retomada do espírito comunitário, impulsionada principalmente por ações culturais e pela valorização da identidade local. Um exemplo é a intensa agenda de festas da QE/QI 09, considerada uma das mais ativas do Guará, que transforma a quadra em um polo de convivência e celebração coletiva.
Sobre a atuação dos jovens, ele acredita que o caminho é o diálogo. “Eles gostam de participar, gostam de ajudar. Foram eles que apelidaram nossa quadra de ‘9York’. Isso mostra como estão inseridos e orgulhosos do espaço em que vivem.”
Apesar das conquistas, o futuro do Guará ainda é incerto para José Maria, que vê com cautela o crescimento desordenado da cidade. Ele aposta na atuação coletiva e apartidária como estratégia para resistir à politicagem e preservar o verdadeiro espírito das prefeituras comunitárias. “Todos os partidos têm seu papel, mas a prioridade deve ser a comunidade.”
Ao refletir sobre o legado que deseja deixar, ele é direto: “Essa resposta deixo para os moradores e comerciantes. Eles sabem o que era antes e o que é agora.”
Numa época em que a confiança nas instituições está abalada, exemplos como o de José Maria e da QE/QI 09 mostram que a transformação pode — e deve — começar pela vizinhança.

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