No centro das divergências que emperraram a concessão do Complexo do Cave, por ter sido retirado do projeto após pressão do segmento cultural do Guará, o Teatro de Arena ainda não está pronto para ser liberado para eventos, mesmo depois de uma reforma que custou R$ 600 mil no final do ano passado. De acordo como gerente de Cultura da Administração Regional do Guará, Julimar dos Santos, a liberação ainda depende de reparos nas redes elétricas e hidráulicas, que ainda são de responsabilidade da empreiteira que fez a reforma.
Na reforma do ano passado, o teatro recebeu uma nova pintura da arquibancada e ampliação e melhoria dos banheiros. A obra foi custeado por emenda parlamentar da deputada distrital guaraense Dayse Amarílio (PSB). “A nossa expectativa é que tudo fique pronto até o início de setembro, para conseguirmos a liberação do espaço para eventos”, prevê Julimar.
O gerente de Cultura do Guará, Julimar dos Santos disse que após a primeira reforma, onde foram contempladas as arquibancadas e piso principal, além de banheiros, os reparos no Teatro de Arena do Guará continua em andamento.
Produtores locais temem falta de público
Mesmo com as reformas, alguns dos principais produtores culturais do Guará ainda tem receios de programar grandes eventos para o espaço, como são os casos das duas festas juninas (São João do Guará e Grande São João do Guará) por falta de público. Para eles, será necessário um trabalho de conscientização e incentivo a esses produtores, para que voltem ao Teatro de Arena, como foi no passado, quando o local chegou a abrigar grandes shows, um deles, do Legião Urbana, uma das mais famosas bandas de rock do país nos anos 80 e 90.
Para Miguel Edgar Alves, organizador do Grande São João do Guará e outros eventos menores na cidade, para atrair público o Teatro de Arena precisa de atrações nacionais e gratuitas – no caso de atrações locais e pagas, há risco de o público não ‘abraçar’ a causa e esses eventos podem dar prejuízo. “A conquista do Teatro de Arena fora da PPP do Cave foi maravilhosa, mas é preciso ‘unir’ outros elementos para que o público possa ir ao local. No caso de uma festa junina, fica difícil porque o local é afastado dos ‘olhos do público’ e o pessoal não vê a montagem da festa, o que dificulta no caso de não ter uma atração nacional. Porém, o lugar tem pontos positivos, como segurança (é cercado) e banheiros para que possam ser usados durante a montagem do evento e por isso os custos são menores”, analisa.
Já produtora do São João do Guará, Mayara Franco, afirma que ainda não cogitou levar sua festa junina para lá, mesmo com perda iminente do espaço ao lado do Edifício Consei. “Em princípio, acho que o Teatro de Arena não tem o perfil de festas abertas, que precisam de espaço para a montagem de barraquinhas de lanche, parque infantil, por exemplo. Seria mais apropriado para grandes shows, em que é necessário apenas um palco. Entretanto, essa possibilidade não está descartada para o futuro, desde que façamos (o São João do Guará tem como sócios Mayara Franco, Tâmara Mansur e Joel Alves Rodrigues) uma readequação do formato da festa, porque a presença do público depende de uma boa divulgação”, garante.
Principal articulador da retirada do teatro do projeto de concessão do Cave quando era presidente do Conselho de Cultura do Guará, o maestro e produtor cultural Rênio Quintas lembra que a própria configuração do teatro de arena é mais apropriada para shows e espetáculos com público sentado, “mas pode muito bem receber essas festas de circulação, desde que sejam feitas adaptações”. Segundo ele, a tendência é a cidade perder todos os espaços abertos para a ocupação imobiliária e sobrar apenas o teatro de arena, o estacionamento do estádio do Cave para eventos abertos no Guará. “Essa possibilidade vai justificar mais ainda a permanência do teatro em poder da comunidade e não de particulares”, completa.
COM COLABORAÇÃO DE AMARILDO DE CASTRO
