Início Geral Condenado a 12 anos motorista que matou pedestre

Condenado a 12 anos motorista que matou pedestre

Vinicíus Farago que, embriagado, atropelou pedestre na via contorno do Guará II em 2022 finalmente foi julgado

Vinícius Farago, acima, foi condenado por atropelar Matheus Menezes na faixa de pedestre

Após mais de três anos de espera, a Justiça condenou nesta quinta-feira (21 de agosto), o motorista Vinícius Couto Farago a 12 anos de prisão em regime fechado pelo atropelamento e morte de Matheus Menezes de Assunção Nunes, de 25 anos. O crime aconteceu em 16 de janeiro de 2022, na altura da QE 30 do Guará II, e desde então mobiliza a comunidade e a família em busca de justiça.
O julgamento no Tribunal do Júri do Guará, no Fórum Desembargadora Maria Thereza Braga Haynes, colocou fim a uma sequência de adiamentos que aumentavam a angústia da família da vítima. Apesar da gravidade do crime, Vinícius respondia ao processo em liberdade. Sua defesa tentou diversas vezes postergar o julgamento, inclusive alegando compromissos de viagem, mas os pedidos foram negados pela Justiça.

Matheus Menezes

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Vinícius passou parte da tarde e da noite consumindo bebida alcoólica em um bar no Núcleo Bandeirante. Testemunhas relataram que, por volta das 23h, ele dirigia um Volkswagen New Beetle branco em alta velocidade quando atingiu Matheus, que atravessava a faixa de pedestres. Outros carros haviam parado para a passagem da vítima, mas o veículo conduzido por Vinícius não reduziu.
O impacto foi tão forte que o corpo de Matheus foi arremessado a metros de distância, ficando debaixo de uma árvore. Ele foi socorrido pelo Samu e levado ao Hospital de Base, onde permaneceu internado por alguns dias, mas não resistiu aos ferimentos.
Vinícius fugiu do local sem prestar socorro à vítima e abandonou o carro pouco depois. Testemunhas o viram comprando cerveja em uma distribuidora próxima, o que os investigadores interpretaram como tentativa de encobrir a embriaguez, alegando que teria ingerido álcool somente após o acidente.
No momento do atropelamento, Matheus não carregava documentos. A família registrou o desaparecimento e percorreu hospitais em busca de notícias, sem imaginar que o jovem já estava internado no Hospital de Base. Apenas dias depois, em 22 de janeiro de 2022, conseguiram confirmar sua identidade, o que tornou a tragédia ainda mais dolorosa.

Sussessivos adiamentos
A Polícia Civil indiciou Vinícius por homicídio doloso qualificado, quando há intenção de matar e impossibilidade de defesa da vítima. O Ministério Público sustentou que, ao dirigir embriagado e em alta velocidade, o acusado assumiu o risco de provocar a morte.
Desde então, o caso passou por sucessivos adiamentos e disputas judiciais. Em maio de 2025, um júri chegou a ser cancelado após a defesa apresentar um laudo alegando que Matheus não estaria na faixa de pedestres — argumento rejeitado pela acusação. Ainda assim, a pressão da família, dos amigos e da comunidade do Guará foi decisiva para que o processo avançasse até a condenação desta semana.

Outros crimes de Vinicius
Além do atropelamento fatal, Vinícius Couto Farago também se envolveu em outros crimes. Meses após a morte de Matheus, ele foi preso na Operação Huracán, que investigou um esquema milionário de lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar por meio de rifas ilegais de carros de luxo. O grupo movimentou cerca de R$ 20 milhões em dois anos e tinha como figura central o influenciador digital Kleber Morais, o “Klebim”, sócio de Vinícius em páginas usadas para o esquema.
Durante a operação, a polícia apreendeu carros de alto valor, como uma Lamborghini Huracan e uma Ferrari 458 Spider, além de sequestrar uma mansão no Park Way avaliada em R$ 4 milhões.
A sentença de 12 anos em regime fechado representa, para familiares e moradores do Guará, um passo importante para a reparação simbólica da perda de Matheus e para a reafirmação da responsabilidade de motoristas que bebem e dirigem.
O caso também levanta reflexões sobre a segurança no trânsito e o papel da Justiça em coibir a impunidade. “A participação popular é essencial para que crimes como esse não caiam no esquecimento. O trânsito não pode ser tratado como algo banal, vidas estão em jogo”, destacou uma das manifestações que circularam nas redes sociais durante o julgamento.
Para o Guará, a condenação encerra um ciclo de angústia iniciado em janeiro de 2022, mas deixa lições duras sobre responsabilidade, violência no trânsito e a luta incansável de uma família por justiça.

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