O Guará tem sido palco de uma movimentação silenciosa, porém significativa, de mulheres que encontraram no bordado uma forma de expressão, troca de saberes e fortalecimento comunitário. O coletivo Bordadeiras do Guará surgiu em maio deste ano, após uma oficina promovida na Casa de Cultura do Guará dentro do Projeto Linhas e Linhos, uma iniciativa do Instituto Cidade Céu com patrocínio da Neoenergia. A atividade, conduzida pela professora Eliane Teixeira, reuniu mulheres interessadas em aprender e compartilhar técnicas de bordado. Ao fim da oficina, Eliane sugeriu que o grupo se mantivesse ativo, dando origem ao coletivo, que desde então promove encontros regulares com produções autorais.
Formado por Nelma Costa, Renata Amoras, Cinthia Xavier, Karoline Queiroga e Bell Morais, o grupo organiza e realiza a Roda de Bordados, sempre no último domingo do mês, na Rua de Lazer do Guará II, na altura da QI 31. O evento, gratuito, se consolidou como um dos atrativos culturais da cidade. As integrantes dividem entre si as funções e tarefas do coletivo. As decisões são tomadas em reuniões presenciais e por meio de um grupo de mensagens, e todo o funcionamento exige planejamento e colaboração.
A assistente social Nelma Costa é uma das principais incentivadoras do grupo e atua no acolhimento das participantes. Com interesse por crochê, livros e atividades ao ar livre, ela valoriza os laços de amizade criados a partir da arte manual. Renata Amoras, jornalista aposentada após quase quatro décadas de carreira, é responsável pela comunicação nas redes sociais e traz a experiência de quem aprendeu a costurar ainda na adolescência. Já teve ateliê de moda praia e hoje se dedica ao bordado e à costura criativa. A administração financeira do grupo é feita por Cinthia Xavier, formada em Administração e com experiência em artesanato, especialmente em macramê e crochê. É ela quem controla os recursos e realiza as compras, garantindo o funcionamento das rodas. Karoline Queiroga, formada em Artes Visuais, entrou para o bordado por curiosidade e viu no coletivo uma oportunidade de compartilhar saberes e afetos. Atua diretamente no planejamento das atividades. Bell Morais, pedagoga e conselheira de Cultura do Guará, foi quem apresentou a proposta da roda à Comissão da Rua de Lazer, articulando a inserção do grupo na programação oficial do evento. Além de bordadeira, é cantora, instrumentista e profissional da educação com foco em projetos e tecnologias aplicadas ao ensino.

Para viabilizar as atividades, o coletivo comercializa kits de bordado a preço simbólico, como forma de arrecadação para a compra de materiais. Os kits custam R$ 25, as canetas térmicas utilizadas nas oficinas saem por R$ 10, e os panos com desenhos prontos para bordar custam R$ 5. A venda desses materiais permite a manutenção das atividades e é o que garante a gratuidade das rodas. Além disso, o grupo se prepara para lançar oficinas pagas, em resposta ao aumento da demanda por participação.
As Rodas de Bordado já foram realizadas em quatro edições ao longo do ano e, com o reconhecimento conquistado, o grupo recebeu convites para levar a atividade a outras regiões administrativas do Distrito Federal. A proposta do coletivo é valorizar o bordado como prática ancestral e acessível, que atravessa gerações, conecta territórios e estimula a criação de redes de apoio por meio da arte manual.
Roda de Bordados das Bordadeiras do Guará
🗓️ Último domingo de cada mês
📍 Rua de Lazer do Guará II (altura da QI 31)
💰 Atividade gratuita
📱 Instagram: @bordadeirasdoguara
Contatos individuais:
- Renata Amoras: @cestodeamoras
- Cinthia Xavier: @lindinhaatelie
- Bell Morais: @belabels_bordados