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O FANTASMA DOS APAGÕES ESTÁ DE VOLTA

Nem bem iniciaram as chuvas e já começaram a intensificar os apagões de energia no Guará. Aliás, em todo o Distrito Federal. E, como sempre, a empresa responsável pela iluminação pública, a Companhia Energética de Brasília (CEB Ipes) – o fornecimento de energia interna (residências e comércios) é de responsabilidade da Neoenergia -, promete que o problema está sendo reduzido ou vai acabar em pouco tempo. Mas essa ladainha vem sendo repetida há pelo menos cinco anos, sem solução visível para a comunidade.
A empresa culpa o furto de cabos como o principal responsável pelas constantes e repentinas interrupções da energia em todo o Distrito Federal. Segundo ela, até julho deste ano, foram furtados 57 km de cabos no DF, equivalentes a 500 campos de futebol alinhados, gerando um prejuízo estimado em R$ 1,1 milhão. No ano passado, no mesmo período, foram registrados 39 km de cabos furtados, com perdas em torno de R$ 772 mil.

Mas, de acordo Mario Kenji, engenheiro eletricista e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), não somente o furto é o principal responsável pelos apagões. Segundo ele, diversos fatores podem causar o aumento das reclamações, como vandalismo, desgaste natural dos equipamentos e falta de manutenção ou atualização tecnológica. O especialista ressalta que, para determinar se a maioria dos problemas decorre de negligência da CEB Ipes, é preciso analisar por quanto tempo um problema permanece sem solução. Ele explica que casos mais longos podem estar relacionados a falhas específicas, como ausência de equipamentos compatíveis ou dificuldades logísticas no reparo.
Esses incidentes se somam a um cenário já complicado de iluminação pública no DF, que apresenta diversas falhas em várias regiões administrativas. Segundo dados da Ouvidoria do GDF, entre janeiro e setembro deste ano, foram recebidas mais de 6 mil reclamações relacionadas à queda de energia, um aumento de 81% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 3.300 queixas. De acordo com o painel da Ouvidoria, para 2025 as áreas com mais reclamações até o momento são: Plano Piloto (1.018), Guará (614), Ceilândia (595), Taguatinga (551) e Gama (396). Mesmo sendo a sétima região em quantidade de moradores, Guará é a segunda com maior quantidade de reclamações por falta de energia.
Pelos dados do painel da Ouvidoria, as mais de 6 mil reclamações da população do Distrito Federal sobre iluminação pública precária, somente 6,9% foram dadas como resolvidas.

Rogério Monteiro, do Chalé da Traíra, afirma que já perdeu perecíveis por conta de apagões demorados

Comércio, principal prejudicado
Entretanto, os aborrecimentos e transtornos dos moradores não se comparam aos prejuízos das atividades empresariais. As constantes faltas de energia, mesmo que rápidas, podem provocar curtos em equipamentos e perda de alimentos perecíveis e até interferir em procedimentos médicos e odontológicos.
Os constantes apagões que acontecem no Distrito Federal estão levando empresas de algumas atividades mais afetadas a investir na aquisição de geradores de energia próprios, como é o caso da rede de supermercados Canteiros, que tem lojas na QE 44 e Polo de Moda. “Além da perda de perecíveis, dos desligamentos dos caixas de recebimentos, tínhamos frequentes avarias em máquinas e equipamentos, provocados pela diferença da corrente elétrica quando a energia é restabelecida”, conta o sócio da rede, Edward Cunha. Dono do açougue Nutricarnes na QE 19 do Guará II, Paulo Borges, conta que também teve que investir em geradores próprios. “Não dá para arriscar com instabilidade da energia no Guará”, afirma.

Odontólogo Júlio César cita o risco de interrupção de procedimentos

Como não é uma atividade que demanda o uso mais frequente e de maior volume de energia elétrica, a odontologia, por exemplo, é uma das atividades mais prejudicadas pelos apagões. “Diferente dos hospitais, não temos necessidade de geradores próprios, o que nos leva a riscos durante o atendimento. Muitas vezes a energia é interrompida durante uma restauração ou em outro procedimento quando o paciente está anestesiado e o serviço tem que ser interrompido”, afirma o dentista Júlio César, ex-presidente do Conselho Regional de Odontologia, com consultório na QE 7 do Guará I.
Outros ramos de atividades prejudicados com os apagões mais prolongados são as sorveterias, açougues e restaurantes, que trabalham com maior volume de perecíveis armazenados. “No nosso caso, se ficarmos sem energia por mais de 1 hora, o risco de perdermos perecíveis congelados passa a acontecer e já aconteceu. O atendimento também é prejudicado, porque o elevador de carga que liga o salão à cozinha e os caixas de recebimento param, sem contar o que acontece com as bebidas geladas”, diz o gerente do Chalé da Traíra, na QE 42, Rogério Monteiro.

 

Guará já tem 87% da iluminação em LED

Mas de acordo com o cronograma anunciado pela Administração Regional do Guará, a troca deveria ter sido concluída em maio. O próprio governo tem criticado a CEB pelos atrasos.

No início do ano, o administrador regional do Guará, Artur Nogueira, anunciou que até março passado toda a iluminação pública da cidade estaria trocada por lâmpadas de Led. Não foi, entretanto, o que aconteceu. Seis meses depois, ainda faltam 13% para a substituição das antigas lâmpadas incandescentes, aquelas amareladas, que consomem mais energia e oferecem menos luminosidade. Parte dos recursos para a troca foi encaminhada pela própria Administração do Guará, com recursos próprios ou de emendas parlamentares.
A demora na conclusão da troca tem irritado o governo, que tem cobrado da empresa mais agilidade na conclusão do serviço. No mês passado a vice-governadora Celina Leão fez críticas públicas à demora na conclusão do programa e o administrador regional do Guará, Artur Nogueira, também tem pressionado a CEB para cumprir o que foi acordado.
Mas, de acordo com a CEB Ipes, o Programa de Eficientização da Iluminação Pública do Distrito Federal, lançado no final de 2024, e iniciado em janeiro de 2025, prevê a entrega de todo o parque de iluminação modernizado com luminárias de LED é no fim desse ano, portanto, dentro do calendário previsto pelo pela empresa.
O projeto, segundo a CEB Ipes, que prevê um investimento total de R$ 300 milhões em todo o DF, “tem sido conduzido de forma acelerada, visando melhorias significativas na qualidade de vida e segurança da população. Até o momento já atingiu mais de 80% de luminárias de LED instaladas em todo o DF”.
Na resposta ao questionamento do Jornal do Guará, a empresa alega que “é importante destacar que a modernização acontece de forma simultânea em todas as aegiões administrativas, inclusive no Guará, que já recebeu 12.242 luminárias de LED, de um total de 13.978 a serem modernizadas em toda a cidade. Portanto, 87% da Região Administrativa do Guará já conta com modernas luminárias de LED e, até o final do ano, toda a cidade estará eficientizada”.
“Ressaltamos que o uso de luminárias de LED trará benefícios significativos, como a redução do consumo de energia, menor necessidade de manutenção e aumento da durabilidade dos equipamentos. Além disso, a iluminação de maior qualidade contribuirá para a segurança de motoristas e pedestres, especialmente nas regiões de maior fluxo”, completa a nota.

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