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Klebim é condenado a quase 10 anos de prisão por rifas ilegais

Justiça determina regime fechado e bloqueio de R$ 10 milhões de influencer morador do Guará por esquema de sorteios clandestinos promovido em redes sociais

A Vara Criminal do Guará condenou, em primeira instância, o influenciador digital Kleber Rodrigues de Moraes, conhecido como Klebim, morador do Guará, a 9 anos, 11 meses e 15 dias de prisão em regime fechado. A sentença foi publicada na sexta-feira (17 de outubro), no âmbito da Operação Huracán, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal. Klebim foi considerado culpado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e promoção de jogos de azar.
De acordo com a investigação do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), entre novembro de 2019 e março de 2022, o influenciador liderou um esquema que explorava jogos de azar através da venda de rifas ilegais pela internet. Os sorteios incluíam veículos personalizados, celulares e outros produtos e eram promovidos sem autorização do Ministério da Fazenda ou da Loteria Federal. As rifas eram vendidas em plataformas online e divulgadas nas redes sociais com valores entre R$ 5 e R$ 50.
O grupo teria movimentado mais de R$ 20 milhões no período investigado. Parte do dinheiro foi utilizada para adquirir bens de alto valor, como carros de luxo, imóveis sofisticados e outros produtos, com o objetivo de ostentação e para ocultar a origem ilícita dos recursos. A empresa Estilodub Consultoria e Publicidade Ltda. foi usada como fachada para movimentar as quantias, mascarando os valores como pagamentos por serviços de publicidade.
Durante a operação policial, foram apreendidos nove veículos de luxo, incluindo modelos como Ferrari e Lamborghini, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. Também foi decretado o sequestro de uma mansão localizada no Park Way, avaliada em milhões de reais. Klebim, que respondia ao processo em liberdade desde março de 2022 e utilizava tornozeleira eletrônica, teve sua pena fixada em regime inicial fechado, com mais cinco meses de prisão simples e multa correspondente a 52 dias-multa.
Outros condenados e a atuação do grupo criminoso
A decisão também alcançou outros oito envolvidos na organização criminosa, incluindo influenciadores digitais e pessoas ligadas à operação logística das rifas. Pedro Henrique Barroso Neiva, Alex Bruno da Silva Vale e Vinícius Couto Farago receberam sentenças semelhantes à de Klebim, com penas que variam entre 9 e 11 anos de reclusão em regime fechado, somadas aos meses de prisão simples e multas. Outros quatro réus – Michael Fernandes da Silva, Henrique Sadão Ramos de Araújo, Matheus Welington Sousa Cirineu e Ronyel Santos Castro – também foram considerados culpados, especialmente por lavagem de dinheiro. As penas variam de dois a cinco anos de reclusão, com possibilidade de cumprimento em regimes semiaberto ou aberto, e em alguns casos, as penas foram substituídas por medidas alternativas, como prestação de serviços à comunidade.
Segundo o MPDFT, a organização estruturada pelo grupo visava obter vantagem econômica com a exploração ilícita de jogos de azar, manipulando uma ampla rede de divulgação e arrecadação através das redes sociais. O uso de empresas de fachada e contas bancárias corporativas ajudava a disfarçar a origem dos valores. Apesar da gravidade dos crimes, não houve pedido de prisão preventiva, o que permite que os condenados recorram em liberdade.

 

Jovem que atropelou e matou no Guará integra esquema criminoso de Klebim

Um dos condenados chama atenção por já ter sido envolvido em outro caso de grande repercussão no Distrito Federal. Vinícius Couto Farago, também morador do Guará, que já havia sido condenado pelo atropelamento e morte do jovem Matheus Menezes de Assunção Nunes, ocorrido em janeiro de 2022 em uma faixa de pedestres no Guará II, também foi sentenciado por sua participação no esquema criminoso liderado por Klebim.
Farago recebeu pena de 9 anos, 5 meses e 15 dias de reclusão, somada a cinco meses de prisão simples, em regime inicial fechado, por lavagem de dinheiro, promoção de jogos de azar e integração em organização criminosa. Além disso, a Justiça determinou a perda de um carro em seu nome e o bloqueio de R$ 107.559,64 em contas bancárias ligadas a ele. A presença de um condenado por crime de trânsito fatal entre os envolvidos no esquema evidencia o perfil de alto risco social de parte dos integrantes da rede de rifas ilegais.
As defesas de Klebim e dos demais réus afirmaram que vão recorrer da decisão. Enquanto não há trânsito em julgado da sentença, todos os condenados seguem em liberdade.

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