Quem passa pelo centro do Guará II, entre a 4ª Delegacia de Polícia e a QI 23, se depara com máquinas pesadas removendo o terreno que ainda resta do Centro Comunal II. Nas redes sociais, são as muitas as especulações sobre o que será construído no local, que vão desde um edifício comercial ou até a ampliação da Galeria Dahriah, das Casas Brasileiras, entre outras teorias. A obra, na verdade, é a construção da praça modelo, que faz parte do projeto de revitalização da via central do Guará II, que começou com a implantação da ciclofaixa, interrompida após protesto dos moradores há dois anos.

O projeto da praça foi apresentado no segundo semestre do ano passado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e foi objeto de consulta pública aos moradores durante um mês, através de questionários e exposições na Administração Regional do Guará e pela Internet, quando foram recebidas críticas e sugestões, parte delas aproveitadas no projeto final.
A nova praça não terá custos para o caixa do governo, porque, como a ciclofaixa e a reforma do estacionamento da Feira do Guará, faz parte de uma compensação urbanística, fruto de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2008, relacionado ao Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) de grandes edifícios residenciais construídos na orla do Guará II.
O projeto da praça modelo prevê iluminação moderna, mais acessibilidade e a instalação de novos equipamentos públicos, incluindo uma horta comunitária. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 3 milhões.
Comunidade teria opinado
De acordo com as justificativas apresentadas pelos técnicos da Seduh, o projeto foi definido a partir de uma consulta pública, via Internet, que teria sido realizada entre outubro de 2017 e abril de 2018. “Através da consulta foram identificados os principais usos e atividades escolhidos pela comunidade local. Assim, a praça se configura espacialmente de forma radial, criando espaços de permanência destinados às diferentes atividades e percursos internos, e ao mesmo tempo permite o livre deslocamento daqueles que desejam cruzar o local de forma mais direta, além de ofertar espaços amplos que possam abrigar eventos culturais, feiras e exposições temporárias”, diz o texto do projeto.
Mas, quando foi divulgado pelo Jornal do Guará em agosto de 2024, o projeto da nova praça provocou muitas discussões nas redes sociais da cidade, a maioria questionando o fato do governo anunciar a construção de uma nova praça enquanto a maioria das existentes não estava recebendo manutenção ou reforma adequadas e com frequência. “Entendemos a preocupação dos moradores, mas é preciso esclarecer que essa nova praça será construída com recursos de compensação urbanística firmado em 2008 com quatro empresas que construíram grandes edifícios residenciais na orla do Guará II. Não temos, portanto, como desviar esse recurso para outro projeto”, explicou o administrador regional do Guará, Artur Nogueira, na época. Ou seja, se a comunidade tivesse rejeitado a construção da nova praça durante a consulta pública, o recurso disponível não poderia ser repassado para outra obra. E como a área prevista para a praça no Centro Comunal I não é lote delimitado no mapa original do Guará II, não poderia ser construído nenhum outro equipamento público no local e nem o terreno poderia ter sido vendido pela Terracap.