O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) cumpriu agenda no Guará no sábado passado, 17 de janeiro, quando ouviu moradores, apoiadores e dedicou especial atenção à Feira do Guará. Antes, visitou as sede do Jornal do Guará.
Ex-morador do Guará, onde ainda vive parte de sua família, incluindo a mãe, Leandro Grass tem uma trajetória política marcada pela independência e pelo engajamento em causas sociais. Ex-deputado distrital foi eleito em 2018 pela Rede Sustentabilidade e concorreu ao governo do DF em 2022, quando obteve 434.587 votos (26,25% da votação geral).
Raízes no Guará
A ligação de Leandro com o Guará vai além da geografia. “Morei no Guará, na QI 27, por cerca de cinco anos. Minha mãe mora na QI 31 há mais de 16 anos e meu irmão há 20 anos. Tenho afilhados aqui, muitos amigos, professores, uma rede de afetos”, relata. Durante o mandato na Câmara Legislativa, ele continuou morando na cidade por um período e concentrou parte de sua atuação na região, com projetos voltados para a saúde, educação e mobilização comunitária. “A gente atuou muito nas UBSs, acompanhamos o hospital e travamos uma luta grande pela reforma e melhoria do Cilg (Centro Interescolar de Línguas) do Guará.”

Uma trajetória política fora dos padrões
LeandroGrass reconhece que sua entrada na política foi atípica. Professor, sem sobrenome político nem apoio financeiro, foi eleito deputado distrital em 2018 por um partido pequeno. “Não tinha ninguém na família com cargo público. Minha eleição foi improvável, mas aproveitamos a força que o Legislativo local tem”, afirma. Seu mandato ganhou visibilidade durante a pandemia, quando esteve à frente de fiscalizações de hospitais e denúncias de irregularidades que resultaram na operação Falso Negativo. O pedido de impeachment do então presidente Jair Bolsonaro também o projetou nacionalmente. “A gente não fazia pensando na projeção da imagem, mas porque precisava ser feito”, diz
Leandro Grass foi candidato ao governo do DF em 2022 e chegou muito próximo do segundo turno. Com 26,3% dos votos, faltaram apenas 4.996 votos para avançar. “Foi uma campanha de construção, de união do campo progressista, embora ainda tenha havido divisões. O PT, o PCdoB e parte do PSB estiveram conosco, mas tivemos quatro candidaturas no mesmo campo (Leila do Vôlei (PSB), Keka Bagno (Psol), Teo Cruz (PCB).” Após a eleição, ele oficializou sua filiação ao PT, partido com o qual sempre teve ligação histórica e ideológica. “Sempre militei no PT desde a juventude, apesar de só agora ter me filiado oficialmente”, garante
Alianças em 2026
A possibilidade de uma nova candidatura em 2026 depende de articulações entre partidos como PT, PSB e PSD, segundo ele. “A unidade entre essas forças é condição básica para vencer a eleição”, afirma. Grass reconhece que Brasília tem um peso político diferenciado, por ser a capital do país, e defende que o DF tenha mais protagonismo nacional. “Brasília ficou à margem do desenvolvimento nos últimos anos. O desemprego aqui é de 10%, o dobro da média nacional. Precisamos estar alinhados com os programas do governo federal.”
Gestão regional
Para Leandro Grass, o modelo atual das administrações regionais está defasado e esvaziado politicamente. “Viraram feudos políticos. Falta conexão com as secretarias, falta autonomia e instrumentos de fiscalização”, critica. Ele defende um modelo de gestão territorial com mais poder de fiscalização, orçamento e planejamento. “A administração precisa ser o grande zelador da cidade. Hoje, cargos são ocupados por pessoas que nem conhecem o território.”
A participação popular também precisa ser fortalecida, avalia. “O Conselho de Representantes está previsto na Lei Orgânica, mas nunca foi regulamentado de forma efetiva. Precisamos de uma eleição direta e distrital, como a do Conselho Tutelar, para dar legitimidade a quem representa a população na administração regional.”
“Brasília pode ser o maior parque tecnológico da América Latina. Tem estrutura unificada de governo e poderia ser laboratório para políticas públicas do século XXI.”
Segundo ele, o abandono de áreas verdes como o Parque Ecológico Ezechias Heringer e o Bosque dos Eucaliptos mostra o descaso com os ativos ambientais da cidade. “Temos que reativar esses espaços com infraestrutura e programas sociais, principalmente ligados à escola em tempo integral. Os parques podem ser polos de aprendizado e cuidado com o território.”
Feira do Guará e Cave: patrimônio e desenvolvimento
O pré-candidato ao governo diz que também acompanha de perto os problemas da Feira do Guará e do Complexo do Cave. Para ele, a feira é um patrimônio do DF que precisa ser preservado com estrutura adequada, segurança, apoio ao comerciante e segurança jurídica. “A estrutura está precária. É preciso ter uma política de microcrédito e regularizar juridicamente o espaço.”
Sobre o Cave, ele acredita que o equipamento pode ser um centro comunitário multifuncional, desde que as parcerias público-privadas respeitem a função social do espaço. “Não sou contra PPPs (Privatição de um espaço público), desde que sirvam ao público. Se virar algo elitizado, perdeu o sentido. O Cave pode ser centro de cultura, esporte e inovação tecnológica.”