Advogado, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) e pré-candidato ao Governo do Distrito Federal pelo Partido Novo, Francisco Queiroz Caputo Neto, o Kiko Caputo, afirma que entrou na política movido pela insatisfação com os rumos da capital federal. Ele passou o sábado no Guará, visitando a Feira, pontos estratégicos da cidade e concedendo entrevistas.
Aos 56 anos, Caputo nasceu em Juiz de Fora (MG) e chegou a Brasília em 1973, quando seu pai, juiz de carreira, foi transferido para a capital. Formado em Direito e pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho, presidiu a OAB-DF entre 2010 e 2012, foi conselheiro federal da Ordem e integrou o Conselho da República.
Agora, busca um novo desafio: disputar o Palácio do Buriti. Segundo ele, a decisão foi motivada pela percepção de que Brasília perdeu qualidade de vida e eficiência nos serviços públicos ao longo dos anos. “Chegou um momento em que eu decidi sair da reclamação para a ação”, afirma. Caputo diz ter encontrado no Partido Novo identificação com princípios de gestão, honestidade e responsabilidade fiscal.
Apostando na mudança
Mesmo enfrentando grupos políticos já consolidados, Caputo acredita que há espaço para uma candidatura alternativa. Para ele, grande parte do eleitorado ainda não definiu seu voto e demonstra insatisfação com a política tradicional. “Quando você anda pelas ruas e conversa com as pessoas, percebe uma enorme vontade de mudança”, afirma.
Saúde e gestão pública
Entre os principais problemas do Distrito Federal, Caputo coloca a saúde pública como prioridade. Durante visita ao Guará, criticou a estrutura atual do Hospital Regional da cidade e defendeu a ampliação da rede hospitalar. Também lamentou a paralisação das obras do Hospital do Câncer do Distrito Federal, que, segundo ele, deveria ser uma referência no tratamento oncológico.
Para o pré-candidato, a melhoria da saúde depende principalmente de gestão eficiente, combate ao desperdício e melhor aplicação dos recursos públicos. Ele também defende maior integração entre o governo e as faculdades de medicina do DF. “O problema não é apenas dinheiro. É gestão”, resume.
Outro ponto central de seu discurso é a reforma da estrutura administrativa. Caputo avalia que as administrações regionais perderam autonomia e hoje funcionam apenas como intermediárias entre a população e os órgãos centrais do governo. Sua proposta é fortalecer essas estruturas, ampliando a capacidade de resolver demandas locais.
Ele também critica a influência política sobre determinadas regiões administrativas. “Precisamos acabar com a ideia de que cidades têm donos. Administração pública deve servir à população, não a interesses políticos.”

Cave e responsabilidade
Na área econômica, Caputo defende uma máquina pública mais enxuta, revisão de gastos e valorização dos servidores de carreira. Também demonstra preocupação com a situação fiscal do DF e afirma que o próximo governo precisará recuperar a capacidade de investimento sem abrir mão do equilíbrio das contas públicas.
Questionado sobre o futuro do Complexo do Cave, no Guará, que permanece sem utilização efetiva após anos de debates e propostas não concretizadas, Caputo afirmou que vê com naturalidade a participação da iniciativa privada como alternativa para destravar projetos na área. Segundo ele, as limitações orçamentárias do governo exigem soluções criativas e parcerias capazes de acelerar investimentos e entregar resultados à população.
O pré-candidato destacou que não tem resistência a modelos de concessão, desde que os contratos sejam transparentes, bem estruturados e contemplem o interesse público. Para ele, o mais importante é que o espaço deixe de permanecer ocioso e passe a cumprir uma função relevante para a comunidade do Guará. “Não tenho preconceito contra concessões. O importante é entregar resultados para a população. Se a iniciativa privada puder resolver de forma mais rápida e eficiente, devemos analisar essa possibilidade”, afirmou.
Ao longo da conversa, Caputo reforçou a necessidade de recuperar a capacidade de planejamento e execução do governo. Sua proposta, segundo afirma, é fortalecer os serviços essenciais, reduzir desperdícios e melhorar a qualidade de vida da população. “Tem muita coisa para arrumar, mas tem jeito. Brasília merece mais”, conclui.