A Feira do Guará passou a integrar oficialmente o Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal. O reconhecimento foi estabelecido pela Lei nº 7.900, sancionada pela governadora em exercício Celina Leão e publicada no Diário Oficial do Distrito Federal. A proposta é de autoria do deputado distrital Ricardo Vale, que destaca a importância histórica, cultural e econômica da feira para o Guará e para todo o DF.
Fundada na década de 1960, a Feira do Guará é uma das mais tradicionais da capital. Ao longo dos anos, consolidou-se como ponto de encontro de moradores e visitantes, reunindo comércio popular, gastronomia, artesanato e produtos regionais. Para Ricardo Vale, o reconhecimento representa não apenas uma homenagem à trajetória da feira, mas também uma garantia de preservação e investimentos para o futuro.
O reconhecimento ocorre em um momento delicado para a Feira do Guará. Nos últimos meses, o tradicional centro comercial tem sido palco de uma disputa administrativa e judicial entre duas associações que reivindicam o direito de representar os feirantes e administrar o espaço. A controvérsia envolve a arrecadação da taxa de rateio utilizada para custear serviços de manutenção, limpeza e segurança, além da definição sobre qual entidade possui legitimidade para gerir a feira. A situação levou o caso à Justiça e criou um cenário de insegurança entre comerciantes, funcionários e frequentadores.
A indefinição também trouxe reflexos práticos para o funcionamento da feira. Com parte dos feirantes dividida entre as duas entidades, a arrecadação destinada à manutenção do espaço foi afetada, gerando dificuldades para o pagamento de funcionários e para a execução de serviços essenciais. Diante desse contexto, Ricardo Vale avalia que o reconhecimento da Feira do Guará como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal fortalece a proteção institucional do espaço e cria condições para que futuros investimentos públicos contribuam para sua preservação e modernização.
“Feira em outro patamar”

Reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do DF
garante preservação e abre caminho para novos investimentos,
afirma o deputado Ricardo Vale, autor da proposta
O que representa o reconhecimento da Feira do Guará como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal?
A Feira do Guará tem uma importância muito grande para o Distrito Federal. Não é importante apenas para o Guará ou para os feirantes. Ela tem um simbolismo muito forte porque é uma das feiras mais antigas do DF. Muitas gerações passaram por aqui. Eu mesmo frequento a feira desde criança, trazido pelos meus pais. É um lugar que faz parte da memória afetiva de milhares de brasilienses. Por isso, é justo que seja a primeira feira a receber esse reconhecimento pela sua história e pela contribuição que deu à construção da identidade cultural da nossa população.
Na prática, o que muda com esse reconhecimento?
Não é apenas um título simbólico. Quando um espaço passa a ser patrimônio cultural, o Estado assume a obrigação de preservá-lo e cuidar dele. A Feira do Guará fica protegida e mantém sua finalidade como feira. Além disso, o reconhecimento facilita a destinação de recursos para melhorias e investimentos. Existem políticas públicas voltadas para a preservação do patrimônio e isso ajuda a garantir que a feira tenha condições de receber reformas e modernizações necessárias.
Que tipo de melhorias podem ser viabilizadas a partir de agora?
Há várias demandas que precisam ser atendidas. Um exemplo é a parte elétrica, especialmente em áreas que necessitam de reforma. O reconhecimento fortalece a busca por recursos para essas intervenções. Mais do que valorizar a história da feira, a medida ajuda a garantir seu futuro. A expectativa é que os problemas relacionados à infraestrutura sejam enfrentados com mais facilidade nos próximos anos.
Como o senhor avalia o conflito envolvendo as entidades que disputam a representação dos feirantes?
Esse assunto precisa ser resolvido da forma que a Justiça está indicando. Existe uma associação tradicional, com uma longa história de atuação, e outra que foi criada mais recentemente. Em qualquer entidade representativa, as mudanças devem ocorrer por meio de eleições. Quando há insatisfação com uma diretoria, o caminho natural é escolher novos representantes pelo voto. A criação de uma nova entidade acabou gerando uma situação de conflito que precisa ser superada para que a feira continue avançando.