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Morre Seu Villela

Fundador do Centro Espírita André Luiz e pioneiro de Brasília, Antonio Villela faleceu aos 104 anos e deixa um legado de solidariedade, fé e dedicação à comunidade do Guará

O Guará perdeu nesta terça-feira, 30 de junho, uma de suas personalidades mais importantes. Morreu, aos 104 anos, Antonio Villela, fundador do Centro Espírita André Luiz (CEAL) e um dos pioneiros da cidade. Reconhecido pelo trabalho desenvolvido ao longo de mais de seis décadas em favor da assistência espiritual e social, ele deixa uma trajetória que se confunde com a própria história de Brasília e do Guará.
Interligando gerações por meio da solidariedade, Antonio Villela tornou-se uma referência para milhares de moradores do Distrito Federal, seja pela atuação no movimento espírita, seja pelo trabalho voluntário desenvolvido por meio do Centro Espírita André Luiz.
A relação de Antonio Villela com Brasília começou antes mesmo da inauguração da nova capital. Em 1959, servidor do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), integrou a comissão responsável por implantar os serviços judiciários que atenderiam a cidade em formação. No ano seguinte, foi convocado definitivamente para trabalhar em Brasília e mudou-se com toda a família. Morou inicialmente nas superquadras 409 e 715 da Asa Sul e, posteriormente, no Cruzeiro, acompanhando de perto os primeiros anos de crescimento da capital. Paralelamente à carreira no serviço público, dedicava-se ao movimento espírita, atividade que marcaria definitivamente sua trajetória.

A fundação do Centro Espírita André Luiz
Ainda em 1960, Antonio Villela uniu-se a outros três companheiros para fundar o Centro Espírita André Luiz. A instituição iniciou suas atividades em um terreno pertencente ao Jardim Zoológico, na Candangolândia, tornando-se um dos primeiros centros espíritas em funcionamento no Distrito Federal.
Em 1972 o centro precisou deixar o local onde funcionava. Determinado a manter vivo o trabalho iniciado anos antes, Antonio Villela conseguiu adquirir, junto à Novacap, um terreno na QI 16 do Guará I. Na época, a empresa é que administrava os terrenos públicos da nova capital e, graças ao relacionamento que ele mantinha com o então presidente da empresa, foi possível comprar a área por um valor simbólico.
A mudança também aproximou definitivamente Antonio Villela da cidade. Inicialmente, ele adquiriu uma residência na QE 24, ao lado da primeira sede da Administração Regional do Guará. Mais tarde, mudou-se para uma casa maior na QE 28, onde permaneceu por muitos anos.
A implantação da nova sede representou um grande desafio. Sem recursos financeiros suficientes para construir o templo, a instituição mobilizou voluntários, promoveu campanhas beneficentes, eventos e recebeu doações da comunidade.
Antonio Villela costumava lembrar que, à medida que a construção avançava, aumentava também o número de colaboradores dispostos a ajudar. Para ele, aquele período ficou marcado pelo espírito de solidariedade que envolveu moradores e frequentadores do centro. Quatro anos depois, o complexo estava concluído e iniciava uma nova fase, tornando-se uma referência religiosa e comunitária para o Guará.

Referência
em assistência social
Ao longo das décadas, o Centro Espírita André Luiz ampliou significativamente suas atividades e consolidou-se como uma das instituições sociais mais importantes da cidade. Além do atendimento espiritual e dos estudos da doutrina espírita, o CEAL desenvolve programas permanentes de assistência à população. Entre eles está a campanha Auta de Sousa, responsável pela arrecadação de alimentos e distribuição mensal de cestas básicas para cerca de 80 famílias em situação de vulnerabilidade.
A instituição também mantém atendimento odontológico gratuito em três consultórios, beneficiando diariamente moradores da comunidade, além de confeccionar e distribuir roupas e agasalhos produzidos por aproximadamente 40 voluntárias, conhecidas como “bandeirantes”, que trabalham em dezenas de máquinas de costura instaladas no próprio centro.

O legado de Antonio Villela
Viúvo de dois casamentos, Antonio Villela vivia havia 27 anos com a esposa Edilene, que também atuava como sua secretária e o acompanhava nas atividades diárias.
Mesmo em idade avançada, manteve-se lúcido e participativo. Em junho de 2022, quando completou 100 anos, reuniu familiares e amigos em uma grande comemoração, ocasião em que surpreendeu os convidados pela disposição e pela vitalidade. Ao ser perguntado sobre o segredo da longevidade, respondia com simplicidade que tudo era fruto da solidariedade praticada durante a vida. Para ele, fazer o bem era também receber de volta o carinho das pessoas e a tranquilidade de consciência.

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