Brasília vive o início de mais um ciclo de debates sobre o futuro político da capital do país. Entre as opções de centro-direita que se apresentam para a disputa pelo Governo do Distrito Federal em 2026 está o do advogado Kiko Caputo. Depois de mais de 30 anos de atuação na advocacia e de uma trajetória de destaque na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ele decidiu ingressar na política partidária, filiou-se ao Partido Novo e lançou sua pré-candidatura ao Palácio do Buriti. “Precisamos resgatar a esperança e a confiança das pessoas na administração pública”, explica.
Apesar da experiência como gestor, Caputo nunca havia disputado eleições para o GDF. A mudança ocorreu em 2026, quando renunciou à condição de suplente no Conselho Federal da OAB para dedicar-se integralmente à construção de sua candidatura ao Governo do Distrito Federal. “Os últimos que passaram aqui esqueceram que o governador é um servidor público. E o servidor público tem um patrão: o cidadão. Eles se serviram do poder ao invés de servir a cidade”, defende Kiko Caputo.
O advogado é uma alternativa aos grupos políticos tradicionais que administraram Brasília nas últimas décadas. Seu discurso enfatiza gestão técnica, transparência, combate à corrupção e melhoria da eficiência dos serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde, educação e segurança. “O DF precisa de um choque de honestidade e transparência. Temos que fazer uma grande auditoria para acabar com a corrupção e os excessos que estão corroendo o nosso dinheiro”, dispara.
Outro eixo recorrente de suas propostas é a integração entre o Distrito Federal e os municípios do Entorno. Segundo Caputo, os problemas enfrentados diariamente por milhares de trabalhadores que cruzam as divisas entre Goiás e Brasília exigem maior coordenação entre os governos locais, sobretudo nas áreas de mobilidade, transporte público, saúde e desenvolvimento regional. “No DF não falta dinheiro, falta vergonha na cara. O dinheiro é do povo e ele tem que saber como é gasto cada centavo”, dispara.
Em entrevista ao programa CB Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, concedida no último dia 14, Kiko Caputo afirmou que o Banco de Brasília (BRB) enfrenta uma grave crise financeira e cobrou maior transparência do Governo do Distrito Federal sobre a situação da instituição.
Também defendeu auditorias nas contas públicas, criticou a gestão da saúde e declarou que pretende recuperar a confiança e a esperança da população de Brasília na administração pública. “Precisamos fechar os ralos da corrupção. É por lá que está sendo drenado todo o dinheiro do DF.”
O pré-candidato também comentou o cenário político para 2026, defendeu o desembargador aposentado Sebastião Coelho como candidato ao Senado pelo Partido Novo e afirmou que dialoga com partidos do campo da direita para composição de alianças eleitorais. Sobre eventual apoio do ex-governador José Roberto Arruda, declarou que considera legítima a busca por apoios políticos, desde que haja convergência programática.
A entrada de Kiko Caputo na disputa amplia o número de opções de centro-direita ao Governo do Distrito Federal e introduz na campanha um perfil ficha limpa, com experiência em gestão, foco na transparência e no combate à corrupção, Entre outras prioridades. Kiko Caputo trabalha com base na trajetória construída ao longo de sua vida e na renovação administrativa, e conquista cada vez mais espaço no debate eleitoral de 2026.
Trajetória
Nascido em Juiz de Fora (MG), em 15 de agosto de 1969, chegou a Brasília aos três anos de idade. Foi na capital federal que construiu sua formação acadêmica, sua carreira jurídica e sua vida familiar. Formou-se em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), em 1994, e especializou-se em Direito e Processo do Trabalho. Ao longo da carreira, consolidou-se como um dos nomes importantes da advocacia brasiliense. Recebeu reconhecimento em rankings jurídicos nacionais e internacionais, como Chambers Latin America, Leaders League.
Em 2009, foi eleito presidente da OAB do Distrito Federal para o triênio 2010-2012, período marcado por um dos momentos mais delicados da história política da capital. Durante a crise desencadeada pela Operação Caixa de Pandora, que resultou na prisão do então governador José Roberto Arruda, Caputo esteve à frente da entidade em meio ao intenso debate institucional sobre os rumos do Distrito Federal.
Na presidência da OAB-DF, conduziu iniciativas voltadas ao fortalecimento das prerrogativas da advocacia, à reorganização administrativa da entidade e à ampliação da participação das subseções no interior do Distrito Federal. Também participou das articulações institucionais que defenderam a preservação da autonomia política do DF diante da possibilidade de intervenção federal.
Após deixar a presidência, passou a integrar o Conselho Federal da OAB, onde exerceu mandatos consecutivos e ocupou funções como vice-presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais e presidente da Comissão Nacional de Relações Institucionais. Entre 2018 e 2020, também integrou o Conselho da República, órgão consultivo previsto na Constituição Federal para assessoramento do Presidente da República em temas de alta relevância institucional.
