O senador Izalci Lucas anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pelo PL-DF nas eleições de 2026. A decisão representa uma mudança em seu projeto político, já que o parlamentar se preparava para disputar o Governo do Distrito Federal. Segundo ele, o plano de concorrer ao Palácio do Buriti foi adiado diante das definições nacionais do partido.
Ex-deputado distrital, ex-deputado federal e ex-secretário de Ciência e Tecnologia do DF, Izalci concentra sua atuação em áreas como educação profissional, ciência, inovação, regularização fundiária e desenvolvimento social. Ao falar sobre uma eventual volta à Câmara dos Deputados, afirma que pretende trabalhar para fortalecer a bancada do DF e avançar em projetos de interesse da capital.
A relação do senador com o Guará começou em janeiro de 1970. Na cidade, ele estudou, trabalhou, criou os filhos, fundou uma escola e participou de equipes locais de futebol. Em entrevista ao Jornal do Guará, Izalci relembrou essa trajetória e comentou os principais temas de sua atuação política.
Quando o senhor chegou ao Guará e como começou sua relação com a cidade?
O Guará é a cidade do meu coração. Foi aqui que eu cresci, estudei, joguei futebol e ainda continuo jogando, e tive grandes oportunidades. Cheguei em janeiro de 1970 e fui morar na QI 8 com meus pais e meus irmãos. Meu pai já vivia aqui desde 1968. Somos sete filhos.
Minha mãe começou a trabalhar no Ginásio do Guará (GG) antes mesmo da inauguração. Inicialmente, estudamos no Centro de Ensino Especial nº 1. Depois, fomos transferidos para o Ginásio do Guará, onde minha mãe trabalhava como servente e merendeira. Estudei até o primeiro semestre do primeiro ano e saí para trabalhar no Colégio Pré-Universitário.
Também foi no Guará que meus filhos nasceram e cresceram. Morei em diferentes conjuntos da QI 8 e depois na QE 34. Criei a Escola São Francisco, que funcionou na QE 3 e na QE 12. Tenho uma ligação familiar, profissional e afetiva muito forte com a cidade.
O futebol também liga o senhor ao Guará…
Joguei no Guaraense e no Santa Cruz, com o Bill e o Rufino, que foram nossos técnicos. Também mantenho uma amizade muito grande com o pessoal do Clube dos Amigos, no Cave, onde participo dos jogos às quartas-feiras e aos sábados, há cerca de 20 anos. Recebi até uma chuteira de bronze por ter marcado 180 gols marcados em um ano. Hoje a média diminuiu, mas continuo frequentando. O mais importante é participar e preservar as amizades.

Quais projetos de sua atuação política tiveram impacto direto no Guará?
Um dos principais projetos foi a Escola Técnica do Guará. Consegui recursos, participei da assinatura do convênio e das negociações com a Terracap. A educação profissional sempre foi uma das minhas maiores preocupações.
Também trabalhei na expansão das Escolas Técnicas e dos institutos federais no Distrito Federal. A formação profissional é fundamental para oferecer oportunidades aos jovens e preparar as pessoas para o mercado de trabalho.
O senhor pretendia disputar o Governo do Distrito Federal. Por que decidiu concorrer à Câmara dos Deputados?
O sonho continua. Quem ocupa o Governo do Distrito Federal tem condições de executar políticas públicas e trabalhar diretamente para recuperar a qualidade de vida da população. Eu me preparei durante muitos anos para isso, não apenas com a atuação legislativa, mas também estudando a realidade de Brasília.
Desde 2011, participamos de projetos como o Movimento Brasília 100 Anos, o Todos pelo DF e, durante a pandemia, o Repensar o DF. Fizemos mais de 200 reuniões virtuais e aprofundamos nosso conhecimento sobre a realidade e a vocação de cada cidade.
Diante da posição do PL Nacional, entendemos que esse sonho precisaria ser adiado. Não desisti de ser governador. Acredito que essa oportunidade ainda chegará. Enquanto isso, não vou ficar parado. A Câmara dos Deputados é um espaço importante para destravar pautas que afetam diretamente o Distrito Federal e a Região Metropolitana.
Quais serão suas principais bandeiras nessa nova candidatura?
Uma das primeiras medidas necessárias é cuidar do território e avançar na regularização das áreas urbanas e rurais. Também precisamos recuperar a educação. Tudo passa pela educação, especialmente pela educação profissional.
Muitos jovens não conseguem entrar na universidade e acabam sem oportunidades de estudar ou trabalhar. A segurança pública também depende da criação de oportunidades. Precisamos qualificar os jovens para o mercado de trabalho, o empreendedorismo e a criação de novos negócios.
Qual é a importância da regularização fundiária e da agricultura familiar para o DF?
A regularização fundiária é essencial para o desenvolvimento do Distrito Federal. Participei da elaboração da legislação que possibilitou avanços na regularização de áreas urbanas e rurais. Sem uma base legal, o poder público não consegue regularizar essas propriedades.
As escrituras permitem que os produtores façam investimentos e tenham segurança jurídica. Isso também ajuda no desenvolvimento do turismo rural e religioso. Brasília tem um potencial muito grande nessas áreas.
Como o senhor avalia a situação da saúde pública no Distrito Federal?
A saúde é hoje o maior problema de Brasília. O Distrito Federal dispõe de muitos recursos, mas falta gestão e controle. Precisamos melhorar o atendimento e garantir que os investimentos cheguem efetivamente à população. Apresentei emendas para projetos como o Hospital do Guará, o Hospital de São Sebastião e o Hospital do Câncer. Destinamos R$ 120 milhões para o Hospital do Câncer, mas a unidade ainda não foi construída. São projetos importantes que precisam sair do papel.
Dois programas conhecidos pela comunidade foram o Cheque Educação e o DF Digital. Como eles funcionavam?
Criei o Cheque Educação em 1997, antes de entrar para a política. Conversávamos com escolas particulares que tinham vagas ociosas. Quando uma sala tinha capacidade para 30 alunos, mas apenas 20 matriculados, a escola disponibilizava parte das vagas e o estudante pagava um valor menor.
Era uma iniciativa positiva para todos. A escola já tinha os custos de funcionamento e os estudantes ganhavam a oportunidade de estudar. Depois, apresentei a experiência ao Ministério da Educação. Esse trabalho foi uma das razões que me levaram a entrar na política.
O DF Digital foi um amplo programa de inclusão digital. Foram cerca de 200 mil participantes e mais de 600 mil certificações. Tivemos unidades no Lúcio Costa, na Casa da Cultura e em outros espaços do Guará. Também foram distribuídos mais de 33 mil computadores para educadores.
Criamos ainda o Geração 3, com cursos de informática para pessoas da terceira idade. Havia participantes com 70 e 80 anos aprendendo a usar computadores e acessar a internet. Foi um projeto muito importante para a inclusão digital.
O senhor foi secretário de Ciências e Tecnologia nos governos Roriz e Arruda. Que legado deixou?
Brasília tem vocação para o conhecimento, a tecnologia e a inovação. Quando fui secretário de Ciência e Tecnologia, trabalhamos no desenvolvimento do Parque Capital Digital, hoje conhecido como Biotic.
Também participei de mudanças na legislação nacional de ciência, tecnologia e inovação. O Distrito Federal reúne universidades, pesquisadores, órgãos públicos e profissionais qualificados. Precisamos aproveitar essa estrutura para gerar empregos, apoiar empresas, incentivar startups e criar novas oportunidades para os jovens. O Guará também faz parte desse projeto de desenvolvimento.