Ídolo do Corinthians e com passagens por Flamengo e Brasiliense, o ex-jogador Marcelinho Carioca escolheu o Guará para morar e iniciar uma nova etapa de sua trajetória política, depois de ter sido candidato, sem sucesso, para vereador, deputado estadual e federal por São Paulo. Em entrevista ao jornalista Alcir de Souza, no estúdio do Jornal do Guará (ver vídeo no site e Instragram do jornal), ele falou sobre sua relação com Brasília, os projetos sociais que pretende desenvolver e as condições dos equipamentos esportivos da cidade.
Marcelinho garante que a escolha do Distrito Federal para morar e se candidatar não é repentina e nem oportunista, mas começou em 2005, quando defendeu o Brasiliense e estudou na Universidade Católica. Atualmente morador da QE 26, ele explica que a escolha pelo Guará foi influenciada pela identificação com a cidade e pela amizade de mais de 15 anos com um morador da região. “Eu me dei muito bem aqui, até pela amizade que tenho com o Marcão, que é meu amigo pessoal”. Segundo o ex-jogador, a mudança também acompanha o projeto de disputar uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal pelo partido Republicanos, como “puxador de votos” da legenda, como aconteceu com figuras famosas, como Tiririca, Popó, Sérgio Reis, Alexandre Frota e outros famosos bem votados que arrastaram com eles eleitos menos votados em eleições anteriores.
Marcelinho já participou de eleições em São Paulo, onde concorreu aos cargos de vereador, deputado estadual e deputado federal. Na avaliação dele, as experiências anteriores ocorreram sem uma estrutura partidária adequada. Para a disputa no Distrito Federal, garante ter recebido um convite mais organizado e acompanhado de planejamento político.
O ídolo da torcida do Corinthians elenca o esporte como uma de suas principais áreas de atuação e destaca trabalho realizado pelo Instituto Marcelinho Carioca, criado para desenvolver projetos de inclusão social, capacitação profissional e atendimento a jovens em diferentes regiões do país. Entre as propostas está a implantação do projeto “Terrão Corinthians” nas regiões administrativas do DF, que prevê seletivas de futebol para jovens de diferentes faixas etárias, incluindo categorias masculinas e femininas. No Guará, o projeto poderia utilizar espaços locais para identificar atletas e encaminhar os selecionados para avaliações no Corinthians.
De acordo com Marcelinho, a participação dos jovens não seria limitada ao desempenho dentro de campo. O acompanhamento incluiria frequência escolar, notas, comportamento e relacionamento familiar. Os atletas aprovados nas etapas finais poderiam receber apoio médico, odontológico, educacional e social.
O ex-jogador afirma que pretende ampliar as ações para outras modalidades, como vôlei, basquete, atletismo, natação, handebol e futsal. Para ele, a formação esportiva deve estar associada à educação e à prevenção do envolvimento de crianças e adolescentes com drogas e outras situações de risco. Ele também citou propostas voltadas para mães que criam os filhos sozinhas, pessoas com deficiência, atendimento odontológico itinerante e atividades culturais. Segundo ele, os projetos seriam desenvolvidos em parceria com organizações sociais e direcionados principalmente à população de menor renda.
Críticas à
situação do Cave
A campanha de Marcelinho começou com um vídeo em que mostra e critica a situação de abandono do estádio do Cave, demolido há mais de dez anos e sem prazo de recuperação. O ex-jogador tem uma lembrança pessoal do estádio. Em 2005, quando defendia o Brasiliense, participou de uma partida contra o time do Guará e marcou um dos gols do empate por 2 a 2.
Ele questiona a apresentação de um projeto arquitetônico para a revitalização do Cave durante o período eleitoral. Ele defendeu que, além dos projetos de maior porte, sejam realizadas intervenções imediatas para garantir a utilização dos espaços esportivos pela comunidade.
As críticas também foram direcionadas aos campos de grama sintética existentes em várias regiões do DF, parte em péssimas condições de uso. “Parte desses equipamentos foi construída sem estruturas complementares, como banheiros, pequenos vestiários, iluminação adequada e espaços para crianças acompanharem os familiares”, critica o ex-jogador.
Ao recordar a própria trajetória, Marcelinho afirmou que começou a jogar em campos de terra e que o esporte teve papel importante em sua formação. “Sou filho de gari e meu pai condicionava a minha continuidade no futebol ao desempenho escolar. Essa combinação entre disciplina, educação e oportunidade deve orientar os projetos destinados às novas gerações”, afirma.
