Há pessoas que nascem no Guará. Outras chegam e, em algum momento, percebem que foi ali que criaram raízes. Luzia Mello pertence ao segundo grupo. Veio do Rio de Janeiro recém-casada, há quase 40 anos, e escolheu o Guará para construir sua vida.
Quando chegou a Brasília, entre 1986 e 1987, conheceu algumas cidades e também o Plano Piloto. Mas foi no Guará que encontrou aquilo que procurava. Luzia se lembra de chegar no fim da tarde e ver senhorinhas sentadas em cadeiras e banquinhos na porta de casa. Aquela cena simples, com jeito de cidade do interior, foi suficiente para conquistá-la.
“É aqui que eu quero morar”, decidiu. Primeiro veio a QE 28, onde viveu por quase 20 anos. Depois, a QE 19. Os dois filhos nasceram aqui e são, como ela mesma diz, “guaraenses raiz”. Houve até a possibilidade de a família se mudar para um apartamento maior na Asa Sul, por causa da carreira militar do marido. Luzia não quis. Preferiu comprar sua casa e permanecer no lugar onde já tinha construído vínculos, amizades, rotina e uma sensação de pertencimento que, para ela, sempre falou mais alto que qualquer mudança.
Foi também no Guará que Luzia construiu sua trajetória profissional. Começou a trabalhar no mercado imobiliário em 1992 e, anos depois, seguiu carreira própria até criar a Luzia Mello Imóveis. Para ela, trabalhar com imóveis nunca foi apenas vender casas. É entrar na história das pessoas, acompanhar mudanças e participar da realização do sonho de um novo lar.
Talvez por isso sua relação com o Guará seja tão intensa. Luzia gosta de gente, de conversa, de movimento. Gosta da Feira do Guará, dos cafés, das ruas onde começou sua história e da Rua do Lazer, onde faz questão de estar, conversar com antigos clientes, encontrar amigos e conhecer novos moradores.
Até a casa em Pirenópolis, que deveria ser um lugar de descanso, acabou entrando na rotina de trabalho. Luzia conta rindo que continua fazendo avaliações e atendimentos nos fins de semana. Para quem gosta do que faz, parece difícil separar completamente profissão e prazer.
Ao ouvi-la, fica fácil entender por que o Guará foi uma escolha que durou quatro décadas. Luzia encontrou aqui aquilo que viu naquela primeira tarde: proximidade, movimento e gente na rua. E, com o tempo, deixou de ser apenas alguém que escolheu morar no Guará para se tornar parte da história da cidade.
