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Jóquei Clube também será cidade

Promessa foi feita por Celina Leão, caso seja reeleita governadora. Nova região vai impactar a do Guará. Projeto aprovado pelo GDF prevê 261 lotes, 17 mil apartamentos, 52 mil moradores e 308 mil metros quadrados de parques e praças

A região do Guará vai ter um novo e mais próximo vizinho populoso: a governadora Celina Leão prometeu, durante sabatina promovida pela Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco), nesta quarta-feira, 2 de setembro, transformar o futuro Jóquei Clube em uma nova cidade e não apenas em bairro de Vicente Pires, como estava previsto.
A transformação em região administrativa ainda é uma proposta posterior à aprovação do projeto urbanístico. Neste momento, a principal etapa é a implantação do bairro, que deverá passar pela regularização cartorária, infraestrutura urbana, licenciamento e comercialização dos terrenos.
As plantas, mapas e especificações técnicas do projeto serão disponibilizados para consulta pública no Sistema de Documentação Urbanística e Cartográfica (Sisduc), da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh).
Com a implantação prevista, o Jóquei Clube deverá se tornar uma nova área de expansão urbana do Distrito Federal, reunindo milhares de moradias, comércio, serviços, equipamentos públicos, transporte coletivo e uma extensa rede de áreas verdes.


Área já pertenceu ao Guará
Antes de ser incorporada administrativamente a Vicente Pires, a área do Jóquei Clube pertenceu à Região Administrativa do Guará. A mudança ocorreu anos antes da aprovação definitiva do projeto e colocou do outro lado da EPTG uma área que, apesar da alteração dos limites administrativos, continua diretamente ligada ao Guará pela proximidade e pelos principais eixos viários.
O novo setor está localizado entre a EPTG e a Via Estrutural e próximo ao Guará I, Setor Lúcio Costa, Cidade Estrutural e Vicente Pires. A perspectiva de reunir aproximadamente 52 mil habitantes faz com que sua implantação tenha potencial para alterar a dinâmica urbana de toda essa região, principalmente nos deslocamentos pela EPTG e nas demandas por comércio, serviços, transporte e equipamentos públicos.
Caso a proposta anunciada por Celina Leão avance e o Jóquei Clube se transforme futuramente em uma região administrativa independente, haverá uma nova alteração na organização territorial dessa parte do Distrito Federal.


Todo vertical
O projeto de implantação do Jóquei já havia sido aprovado em julho pelo GDF, para receber cerca de 52 mil moradores. A aprovação estabelece as regras para o parcelamento do solo, criação dos lotes e ocupação da área. O projeto vem sendo desenvolvido pelo GDF há aproximadamente 15 anos e agora poderá avançar para as etapas de registro cartorário, implantação da infraestrutura, licenciamento ambiental e futuros leilões e licitações dos terrenos pela Terracap.
O novo bairro foi planejado para receber aproximadamente 17 mil apartamentos, porque será todo vertical, semelhante a Águas Claras. O projeto prevê 261 lotes destinados a moradia, comércio, serviços, atividades institucionais e industriais, além de áreas para escolas, unidades de saúde, equipamentos públicos, parques, áreas verdes e uma nova subestação de energia.
As edificações poderão ter até 21 metros de altura, o equivalente a seis pavimentos. A definição segue recomendação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que orientou a adoção de diferentes alturas dentro desse limite para preservar a harmonia visual da região.
Pelo menos 80% das edificações projetadas deverão ter uso misto, permitindo residências nos pavimentos superiores e comércio, escritórios e serviços no térreo. A proposta busca aproximar moradia e atividades econômicas e dar maior movimento às ruas.

Sustentabilidade
O conceito de sustentabilidade acompanha o planejamento do Jóquei Clube desde as primeiras versões do projeto. Ainda em 2021, quando as linhas gerais foram apresentadas publicamente, a proposta previa um bairro compacto, com uso misto, ciclovias, áreas verdes, parques e integração entre diferentes modalidades de transporte coletivo.
O planejamento prevê 308 mil metros quadrados de parques e praças. As ruas deverão contar com ciclovias e calçadas amplas, dentro do conceito de “ruas completas”, com estrutura voltada também aos deslocamentos não motorizados.
O transporte coletivo terá papel importante no bairro. De um lado estará o futuro BRT Oeste, previsto para circular pela EPTG. Do outro, haverá um corredor de ônibus na Via Estrutural. Segundo o arquiteto da Terracap e mestre em planejamento urbano Bruno Ávila, um dos autores do projeto, a intenção é que toda a área do Jóquei Clube esteja atendida por esses dois meios de transporte dentro de um raio de caminhada.
A área terá como vizinho o Setor Quaresmeira, localizado na Região Administrativa do Guará, entre o Guará Park e a EPTG. Os dois setores deverão seguir parâmetros semelhantes de ocupação e limite de altura das construções.
A implantação simultânea do Jóquei Clube e do Setor Quaresmeira deverá formar um novo corredor de ocupação urbana junto à EPTG. Embora estejam vinculados a regiões administrativas diferentes, os dois projetos foram concebidos com características semelhantes, como predominância de construções verticais, uso misto e limite de altura.
No caso do Jóquei, o impacto será maior pela dimensão populacional prevista. Os cerca de 52 mil habitantes representam a criação, na prática, de um núcleo urbano com população comparável à de diversas regiões administrativas do Distrito Federal.
O projeto prevê ainda que o comércio e os serviços instalados nos pavimentos térreos dos edifícios possam atender tanto aos moradores quanto à população das áreas vizinhas. Com isso, a expectativa do planejamento urbanístico é que o setor funcione também como um novo polo de atividades econômicas entre Guará, Vicente Pires e Estrutural.

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