O diretor guaraense Daniel Rodrigues utilizou ferramentas de inteligência artificial para produzir o curta-metragem Tinta Rubra: O Beco das Lanternas, uma animação de apenas 36 segundos que reúne referências do cinema clássico de kung-fu, técnicas de animação 2D e uma estética inspirada em ilustrações feitas com tinta nanquim.
A produção acompanha Sumi, uma menina aparentemente indefesa que decide enfrentar uma gangue de criminosos na fictícia Vila Rubra. Com óculos redondos, cabelos presos em um coque e expressão séria, a protagonista entra no temido Beco das Lanternas, território controlado por Varga, conhecido como O Corvo.
O cenário é marcado por lanternas vermelhas, sombras escuras e uma atmosfera misteriosa. Os integrantes da gangue aparecem como silhuetas de tinta, com olhos luminosos que surgem entre a névoa. Quando o confronto começa, Sumi surpreende os adversários com movimentos rápidos de artes marciais, saltos acrobáticos e golpes que provocam explosões de tinta vermelha.
A linguagem visual substitui a representação convencional da violência por efeitos gráficos estilizados, explorando o contraste entre luz, sombra e movimento. Mesmo com a duração reduzida, o filme apresenta uma narrativa com começo, desenvolvimento e desfecho. Depois de derrotar os criminosos, a protagonista encontra uma misteriosa árvore, onde uma presença enigmática sugere a continuidade da história.
Inteligência artificial como ferramenta criativa
Para desenvolver o curta, Daniel Rodrigues combinou diferentes tecnologias de inteligência artificial generativa. Entre elas estão Higgsfield Katana e Claude, utilizadas no ambiente de criação, Seedance 2.5, responsável pela geração de vídeo, e GPT Image 2.5, empregado na criação das imagens.
O diretor também utilizou a Daniskill, ferramenta de apoio à produção audiovisual desenvolvida por ele próprio, que integra recursos tecnológicos ao processo de criação. A produção contou ainda com efeitos sonoros de bibliotecas disponibilizadas sob licença Creative Commons Zero (CC0).
O trabalho exigiu atenção à identidade visual dos personagens, à composição das cenas, à continuidade dos movimentos e ao ritmo da montagem, elementos fundamentais para transformar imagens geradas digitalmente em uma narrativa cinematográfica.
