Depois de quase um ano de escuta, encontros e criação coletiva, a exposição Uma Mulher é Uma Mulher começou em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, com uma proposta que transforma a cidade em galeria a céu aberto. Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e coproduzido pela Pitanga e pela Rovit Filmes, o projeto leva arte urbana e narrativas femininas para muros, esquinas e trajetos do cotidiano, convidando o público a refletir sobre diversidade, identidade e presença feminina no espaço público.
A construção do projeto começou em maio de 2025, com uma chamada pública que mobilizou 41 mulheres do Distrito Federal. Após etapas de análise de perfis, escutas individuais e entrevistas aprofundadas, foram escolhidas oito protagonistas, reunindo diferentes gerações, identidades e experiências de vida. Segundo a idealizadora, diretora criativa e fotógrafa Waléria Gregório, o processo foi marcado não apenas pela produção de imagens, mas principalmente pela escuta e pela construção de vínculos com cada participante.

Ao lado da cineasta Thaís Holanda e da artista urbana Didi Colado, Waléria conduziu um trabalho baseado em trocas, memórias e confiança. O resultado é uma exposição que busca ir além do aspecto estético e apresentar, nas ruas e nas plataformas digitais, histórias construídas com sensibilidade e profundidade.
As mulheres retratadas reúnem experiências diversas. Estão entre elas Amanda Nery, que transformou vivências de violência e maternidade precoce em autonomia e reconstrução afetiva; Caju, que fez do salão de beleza um espaço de escuta, identidade e emancipação; Fernanda Torres, mãe atípica e sobrevivente do câncer, que ressignificou o cuidado; Flor Furacão, mulher trans, artista e mãe, que afirma a própria existência em espaços historicamente negados; Issa Meguer, atriz e modelo de 69 anos, que enfrenta o etarismo; Joyce, artista que vive com anemia falciforme e encontrou na arte um caminho de presença e autonomia; Malinha, fotógrafa periférica que transforma vivências em linguagem visual; e Jesus Feitosa, costureira que atravessou gerações sustentando a família com trabalho e resistência.
Ao longo de março, o projeto instalará 16 painéis de lambe-lambe e dois grafites nas regiões administrativas do Guará, Águas Claras, Taguatinga e Vicente Pires. No Guará, as obras estão na Avenida Contorno, no lado par, na QE 9 e na QI 31. Cada obra contará com QR Code, direcionando o público ao Instagram e ao site oficial do projeto, onde estarão disponíveis conteúdos com recursos de acessibilidade. A proposta é ampliar a experiência visual da rua para o ambiente digital e estimular o encontro entre o público e as histórias apresentadas.
Além da ocupação urbana, a exposição terá uma programação virtual com vídeos, ensaios fotográficos e conteúdos criativos sobre a trajetória de cada protagonista. O material será publicado semanalmente, aprofundando a experiência iniciada no espaço urbano e dando continuidade ao diálogo com o público.
Como parte da proposta de formação e democratização do acesso à arte, o projeto também oferecerá três oficinas gratuitas voltadas exclusivamente para mulheres, conduzidas por Waléria Gregório, Didi Colado e Thaís Holanda. As atividades serão realizadas nos dias 28 e 29 de março, com inscrições abertas entre 16 e 21 de março no site oficial do projeto.
Ao ocupar as ruas do Distrito Federal com imagens, relatos e intervenções artísticas, Uma Mulher é Uma Mulher propõe uma cidade mais aberta à escuta e à diversidade. No Guará, uma das regiões que receberão as obras, a iniciativa amplia o acesso à arte e insere no cotidiano narrativas femininas que reforçam pluralidade, pertencimento e reconhecimento.