Entre os dias 8 e 12 de agosto de 2026, a Casa GOG, no Guará, em Brasília (DF), foi palco do Encontro Nacional das Casas de Cultura Hip-Hop, realizado pela Corporação Casas de Cultura Hip-Hop do Brasil (C3H2B). Ao longo de quatro dias de programação, cerca de 400 pessoas de diferentes regiões do país passaram pelo espaço, entre artistas, educadores, produtores culturais, gestores, pesquisadores, representantes de movimentos sociais e integrantes das Casas de Cultura Hip-Hop.

O encontro reuniu representantes de vários estados e do Distrito Federal e promoveu uma ampla agenda de debates, formação, intercâmbio de experiências, articulação política e atividades culturais. A programação teve como objetivo fortalecer a atuação das Casas de Cultura e ampliar o debate sobre o Hip-Hop como instrumento de educação, ciência, organização comunitária e transformação social.
Para o rapper GOG, fundador da Casa GOG, receber a articulação nacional das Casas de Cultura em Brasília representou um momento de fortalecimento e união do movimento.
“Receber representantes de 26 estados e do Distrito Federal na Casa GOG mostrou a força que existe quando as Casas de Cultura se reconhecem como uma rede. Foram dias de troca, construção e fortalecimento. Reunimos pessoas de diferentes regiões e iniciativas culturais, mostrando que a cultura produzida nos territórios populares tem força, criatividade e capacidade de transformar realidades.”
Segundo GOG, um dos principais resultados do encontro foi a construção coletiva de propostas para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à Cultura Hip-Hop.
“Dessa iniciativa nasceu a Carta de Brasília, um registro histórico e norteador das nossas políticas, que foi entregue a ministros de Estado e secretários de vários escalões do Governo Federal. Saímos com a certeza de que precisamos fortalecer cada vez mais essa rede e construir, juntos, políticas públicas que reconheçam a Cultura Hip-Hop como direito e como ferramenta de transformação do Brasil.”
Quatro dias de debates, formação e cultura
Entre as atividades realizadas, esteve o 1º Seminário Nacional da Corporação Casas de Cultura Hip-Hop do Brasil (C3H2B), que discutiu o tema “Hip-Hop não é só arte. É ciência, educação e transformação social”.
A programação promoveu um resgate da trajetória de mais de cinco décadas da Cultura Hip-Hop e discutiu os avanços e desafios para sua consolidação como política pública no Brasil.
A abertura do seminário contou com a apresentação “C3H2B – De onde partimos e onde queremos chegar”, com a participação de Negro Rauls, da C3H2B; Zuruka, da Casa de Cultura Hip-Hop Capão Redondo (SP); GOG, da Casa GOG; Ravena, da Casa da Mulher no Hip-Hop (DF); e Dr. Mario Olímpio, assessor jurídico da C3H2B.
Também foi realizada a palestra “Os 53 anos do Hip-Hop: Da Resistência nas Ruas à Política de Estado”, que apresentou a trajetória do movimento desde seu surgimento no Bronx até os avanços institucionais conquistados no Brasil.
Representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, do Ministério da Cultura (MinC) e do Ministério da Educação (MEC) participaram das atividades e contribuíram para os debates sobre políticas públicas, educação, cultura e desenvolvimento dos territórios periféricos.
As mesas temáticas abordaram assuntos como o 5º Elemento da Cultura Hip-Hop, emergência climática, meio ambiente e periferias, juventude, direitos humanos e o fortalecimento dos cinco elementos do Hip-Hop.
Os debates possibilitaram a troca de experiências entre organizações de diferentes estados e contribuíram para a construção de propostas coletivas voltadas ao fortalecimento das políticas culturais e da atuação das Casas de Cultura.
Festival celebrou os 53 anos do Hip-Hop
A programação também contou com uma agenda cultural aberta ao público. O Festival C3H2B, realizado no dia 12 de agosto, marcou as celebrações pelos 53 anos da Cultura Hip-Hop e levou para a área externa da Casa GOG diferentes expressões do movimento.
O público acompanhou sessões de graffiti ao vivo, cyphers de breaking, apresentações de rap e performances de DJs, reunindo artistas, coletivos e representantes de diferentes regiões do país.
O encerramento da programação do seminário contou ainda com a participação dos DJs Ocimar, da Casa de Cultura Hip-Hop Ceilândia DJ Jamaika, de Brasília; e Branco, da Casa de Cultura Hip-Hop Bahia.
As atividades culturais complementaram os debates realizados durante o encontro e evidenciaram a diversidade dos cinco elementos do Hip-Hop e sua capacidade de reunir diferentes gerações e territórios.
Carta de Brasília marca o legado do encontro
Um dos principais resultados do Encontro Nacional foi a elaboração da Carta de Brasília, construída a partir das discussões realizadas durante a programação.
O documento reuniu propostas e reivindicações relacionadas ao fortalecimento das Casas de Cultura Hip-Hop e das políticas públicas voltadas aos territórios periféricos. A Carta foi posteriormente entregue a ministros de Estado e secretários de diferentes áreas do Governo Federal, ampliando o diálogo entre as organizações culturais e o poder público.
Para a Casa GOG, o encontro também representou a consolidação de Brasília como espaço de articulação nacional da Cultura Hip-Hop.
Ao receber cerca de 400 participantes e representantes de praticamente todas as regiões do país, a Casa GOG reafirmou seu papel como espaço de arte, educação, cultura, diversidade, formação e organização comunitária.
O encontro terminou deixando como principal legado o fortalecimento da rede nacional das Casas de Cultura Hip-Hop e a articulação de novas estratégias para transformar as demandas dos territórios em políticas públicas permanentes.
A experiência também reforçou uma mensagem central que atravessou toda a programação: o Hip-Hop não é apenas uma expressão artística, mas uma ferramenta de educação, conhecimento, organização social e transformação da realidade brasileira.