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Lola, capoeira para servir à cidade

Cearense, ela passou por diferentes estados antes de chegar ao Distrito Federal. Morou no Tocantins, em Catalão e em Goiânia, mas foi no Guará que decidiu criar raízes. “Eu amo o Guará porque escolhi essa cidade para morar. Essa cidade me abraçou quando eu cheguei em Brasília. Falam que Brasília não tem esquinas, mas aqui eu tenho esquinas afetivas”, conta.
A Feira do Guará representa bem essa relação. Para Lola, o espaço reúne aquilo que mais valoriza na cidade: pessoas, histórias e encontros. “O que eu mais gosto no Guará é gente. Conhecer gente, conhecer histórias. E, a partir dessas histórias, eu tenho criado os meus projetos, conduzido a minha vida e construído a minha trajetória profissional”, afirma.
Essa participação também faz parte de sua atuação na cidade. Lola está no segundo mandato como conselheira de cultura do Guará, integra o Condema e já participou de iniciativas ligadas ao Centro de Educação Ambiental e à horta comunitária. “Eu gosto de estar com o povo, construindo relacionamento e benefício para a comunidade. E no Guará a gente tem muito disso”, diz.

Para ela, o Guará mantém uma característica particular: está próximo ao centro de Brasília, mas ainda preserva relações de vizinhança e encontros cotidianos. As pessoas se cruzam nas praças, na padaria, no mercado, no metrô, nos eventos culturais e, claro, na feira.
Lola também conhece a cidade sobre duas rodas. Costuma andar de bicicleta, usar as ciclovias e observar as transformações do território. Para ela, uma cidade precisa ser vivida pelas pessoas. “Tem que gerar convivência, criar memórias, memórias de afeto”, resume.
Foi também no Guará que escolheu criar a filha, que passou boa parte da vida na região. Quando recebe pessoas de fora, Lola costuma levá-las para conhecer a feira, tomar um café e circular pela cidade. É uma forma de apresentar o lugar e, ao mesmo tempo, fortalecer o comércio e os vínculos locais.
A cultura ocupa espaço central nessa relação. Lola cita a presença do samba, do maracatu, da capoeira, do blues, do forró, do skate e do hip-hop como exemplos da diversidade da cidade. Para ela, essa variedade ajuda a manter o Guará vivo e conectado com diferentes gerações.
Essa percepção ficou ainda mais forte durante o Festival do Guará e as atividades do Calçadão Cultural. Lola acompanhou de perto a ocupação do espaço por moradores e artistas e destaca o sentimento de pertencimento criado durante a programação. “O que eu achei muito potente foi o cuidado. A gente estava na nossa cidade, curtindo a nossa cidade com os artistas da nossa cidade”, recorda.
Depois de viver em diferentes lugares, Lola encontrou no Guará uma cidade para construir família, projetos e relações. Ela não nasceu aqui, mas afirma que a identidade já faz parte de sua história. “Guaraense é raiz de amor”, define.
É por isso que, para Lola, amar o Guará é reconhecer na cidade um lugar de encontros, participação e memória afetiva, construído todos os dias por quem escolhe viver e cuidar dele.

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