FELIPE TAKIS

Empresário de sucesso que preferiu manter as raízes no Guará

Um dos maiores especialistas em comércio exterior com foco no Oriente Médio é um guaraense. Grande parte das exportações de proteína animal (aves, carne bovina, embutidos de aves, enlatados e seus derivados) que é exportada para os países árabes passa pela consultoria de Felipe Takis, 56 anos, através do Grupo Esag, com sede no Polo de Moda do Guará II.
Desde a fundação da ESAG em 1987, Felipe Takis se dedicou à especialização no seguimento, promovendo a aproximação entre empresas produtoras e exportadores brasileiros com as representações diplomáticas dos países importadores de produtos nacionais.
Nesses 30 anos de atuação como consultor no mercado do oriente médio, Felipe Takis garante se tratar de um dos maiores e melhores mercados importadores do mundo. “Os árabes são apaixonados pelo Brasil, e consideram o país o celeiro do mundo na produção de proteína animal e vegetal. Além da preocupação sanitária, o mercado árabe exige algumas providências em relação ao islamismo no abate aos animais, o que o mercado brasileiro tem atendido”, explica o empresário.
Por sua especialização, Felipe Takis tem na sua carteira clientes relevantes empresas e grupos como Agrosul, Agra, Carrer, Seara, Cooprata. Dentre os serviços prestados está a legalização de documentos de exportações junto às câmaras de comércio, embaixadas e consulados. Um dos seus desafios é buscar a redução de prazos na eliminação de entraves aos produtos brasileiros nos países importadores.
Mesmo depois de chegar a esse patamar, esse brasiliense de nascimento, mas registrado por acaso em Luziânia, nunca quis deixar o Guará, onde foi criado e ainda mora. Takis não tem a cidade apenas como sede de sua empresa, mas é um ativo participante dos movimentos empresariais e sociais do Guará.
Além de empresário no ramo exportador, Felipe Takis é pecuarista e na sua fazenda no interior de Goiás busca o melhoramento genético de gado de corte. É, também, apaixonado por cavalos da raça Crioula. Takis teve uma infância não exatamente pobre, mas sempre buscou o trabalho como forma de independência. O tino comercial, ele adquiriu desde criança – aos oito anos já vendia pastel em no acampamento da Telebrasília (antiga Cotelb), onde morou antes da família se mudar para o Guará. Aos 12 anos, vendia jornal Correio Braziliense nas ruas para a banca do Cidinho, na QE 1. Trabalhou na Feira do Guará, quando ela ainda funcionava no terreno onde é hoje o comércio da QE 7. Para completar a renda que lhe permitia comprar parte do que sonhava como criança, engraxava sapato e cuidava dos jardins dos vizinhos.
Vinda para o Guará
Da infância no Guará, para onde veio em 1972 morar na QE 15, onde seus pais ganharam uma casa da Sociedade Habitacional de Interesse Social (SHIS), ele lembra das brincadeiras na lama formada pela terra da construção do Guará II, nas “excursões” pelas galerias da rede de águas pluviais recém instaladas, as pescarias no Poço Azul (onde é hoje o Guará Park) e as visitas à horta e plantação de frutas que oológico mantinha para alimentar seus animais, onde é atualmente a via Epig (via Guará -Zoológico). A adolescência foi marcada pelas festinhas, quando entrava mesmo sem ser convidado, e as tradicionais Ruas de Lazer, evento realizado nas praças e que marcaram época na história do Guará. Aos sábados, era dia de torcer pelo Pratão, time amador da cidade, que mandava seus jogos no campo de terra batida onde é hoje o prédio da Administração Regional do Guará.
Depois de servir a Aeronáutica, como foi batedor motociclista, de trabalhar na Planalto Motos e Sotrec Tratores, Takis fundou a sua própria empresa, a ESAG, para atender à Nestlé, que precisava de alguém para distribuir brindes junto às embaixadas e creches. Com o tempo, foi se especializando nessa interação, e passou a representar outras empresas, principalmente de São Paulo e do Sul do país, que, por causa da distância da capital federal, precisavam de alguém com bom trânsito com o mundo árabe e com o Oriente Médio como um todo. “Muitas das notícias que ouvimos sobre a derrubada de entraves às exportações de produtos brasileiros por aquela região tem a ver com o meu serviço”, conta o empresário.
Diversidade
Ativo participante dos movimentos em defesa do Guará, Takis fala da situação em que chegou a cidade. “Até o Governo Arruda, tínhamos uma administração regional ativa, participativa, respeitada e de fácil acesso da sociedade guaraense, o que não acontece atualmente. Mesmo com um dos maiores PIBs do DF, a nossa cidade tem hoje pouca força política”, critica. “Outra coisa que não se entende foi a substituição do administrador André Brandão. Há anos o Guará não tinha um gestor na administração com tanta integração, com foco aos problemas da comunidade, uma gestão participativa, combatendo invasões de terra pública, mas, que de repente é substituído por uma pessoa que quase ninguém conhecia”.
Takis acentua que a cidade do Guara tem 125 mil eleitores “e precisa eleger no próximo ano um legítimo representante que trabalhe pelo Distrito Federal como um todo, mas não esqueça de suas raízes e que consiga retornar a cidade ao lugar que ela merece”.
“A cidade está no centro do DF com uma logistica privilegiada, ao lado do aeroporto, rodoviária, concessionarias, material de construção, a melhor feira coberta, shopping, ao lado das rodovias que liga às outras regiões. Por isso, precisa ser melhor administrada e mais valorizada”, completa o empresário.

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