Hospital do Guará precisa de voluntários

Instituição tem vagas para diversas áreas da saúde, para projetos sociais e parcerias com empresários

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Há alguns anos, o Hospital Regional do Guará (HRGu) conta com a colaboração de voluntários – cidadãos comuns, profissionais ou não – que dedicam algumas horas da sua semana para ajudar o próximo. O trabalho de voluntariado implica em servir a comunidade através de uma instituição, no caso o HRGu, sem receber nenhum valor em troca, mas como pagamento o voluntário obtém a sensação de ter feito algo de bom em favor do seu semelhante.
A novidade agora é que o Governo do Distrito Federal regulamentou esse tipo de trabalho. O cadastro é feito no portaldovoluntariado.df.gov.br, onde o interessado pode encontrar a área que deseja colaborar, com qual público trabalhar e definir quais seus horários disponíveis para prestar o serviço. Resumindo, o Portal do Voluntariado funciona como uma rede social que conecta perfis com as oportunidades de trabalho. Atualmente, o Hospital do Guará conta com nove profissionais atuando no serviço voluntário, mas é muito pouco diante da demanda de pacientes que são atendidos diariamente ou estão internados na unidade.
Luciana Borges, que trabalha há 24 anos do HRGu como técnica administrativa e é também a responsável pelo voluntariado no Guará, explica que existem dois tipos de trabalho voluntário, o profissional e o social. O profissional é realizado por pessoas que tenham cursado e concluído algum curso técnico ou faculdade na área de saúde, como por exemplo, técnico em enfermagem, radiologia, medicina, psicologia, entre outros. O interessado deve preencher os dados no portal do voluntariado, e ao ser chamado pelo Hospital do Guará apresenta a documentação exigida e monta sua grade com o horário desejado, que pode ser a partir de duas horas semanais de serviço.
O profissional deve cumprir fielmente os horários predefinidos, inclusive com marcação na folha de ponto, usar o uniforme padrão como os profissionais de sua área e também o crachá com sua identificação, e será acompanhado pelo supervisor técnico do setor. Ao final do contrato de prestação de serviço o profissional recebe um certificado da Secretaria de Saúde do DF especificando todas as áreas em que ele atuou no hospital e a carga horária do expediente para o governo, tudo oficializado por lei. Atualmente a maior necessidade do HRGu são de profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia, enfermagem e técnico em enfermagem, terapia ocupacional e psicologia.

Outras atividades
Por outro lado, qualquer cidadão que queira ajudar o hospital e não tem formação profissional na área da saúde pode se inscrever para o voluntariado social. Todos os projetos são aceitos, desde uma oficina artesanal para os pacientes internados e seus acompanhantes, um mutirão para corte de cabelo, iniciativas para revitalizar a área verde do hospital ou a brinquedoteca, contação de histórias para as crianças internadas, enfim, a comunidade pode e deve participar do dia a dia do HRGu. “Nós estamos aqui para abraçar a proposta de cada um e fornecer para o voluntário todas as condições para que o projeto seja concluído com bom êxito”, afirma Luciana Borges.
Nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, o trabalho de voluntariado é muito reconhecido pelas grandes empresas, porque um currículo com esse tipo de experiência é apreciado no mercado de trabalho. Hoje no Brasil essa prática começa a ganhar força, segundo Érika Bragança, técnica administrativa da Secretaria de Saúde do DF. “Alguns concursos já usam o trabalho voluntário como critério de desempate entre os candidatos, a iniciativa privada ainda não valoriza tanto, mas mesmo assim também já é visto com bons olhos e é um diferencial no currículo do cidadão, e é um algo há mais que pode destacá-lo dos demais concorrentes.”
Além do privilégio que é servir à comunidade e uma instituição que precisa muito, dezenas de pacientes serão beneficiados através do atendimento de um voluntário, e, como consequência ,ele adquire mais experiência na área de formação, e pode sentir qual diretriz tomar no futuro. No campo social, o HRGu também busca a colaboração de empresas da cidade que possam fazer parcerias e doações de insumos e brinquedos para a brinquedoteca das crianças internadas. Outra necessidade é de profissionais que saibam reformar móveis, já que a aquisição de novos dependem de licitação, processo que demora muito tempo – reaproveitando os móveis que estão apenas desgastados é possível economizar tempo e dinheiro e oferecer mais conforto a quem está doente.
A diretora do hospital, Adriana de Jesus Guimarães, define o trabalho voluntário como sendo “um sentimento de fazer o bem, cultivando o altruísmo, que é uma qualidade que todo ser humano tem de afastar doenças, de trazer esperança, autonomia e bem estar não só para quem o pratica, mas também para o outro e para a comunidade porque isso é contagiante e traz alegria, resumindo, é um benefício próprio e do outro.” O que chama atenção de Adriana, que mora na cidade há 10 anos, é que “Guará é uma cidade muito acolhedora, tem uma população que é apaixonada, que defende e luta de verdade pelos seus interesses e deve zelar pelo hospital que pertence à cidade.”

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