NASCEM AS NOVAS QUADRAS

Melhorias chegam à expansão do Guará

Investimentos, que serão concentrados na expansão da cidade, entre QEs 38 e 58, fazem parte do pacote de R$ 426 milhões anunciados pelo governo Ibaneis

Nove anos após a Terracap começar a vender terrenos nas QEs 48 a 52 do Guará, e quatro anos após o governo entregar 805 lotes (inicialmente 400 e mais 405 no ano passado), na área conhecida como “cidade do servidor”, continua faltando parte da infraestrutura prometida aos compradores. As ruas estão prontas desde o lançamento do projeto em 2010, mas as redes de água, esgoto e energia foram instaladas recentemente, mas parte ainda não está funcionando. São mais de 100 construções em andamento, algumas já concluídas, mas parte delas com água improvisada em caixas e galões. A rede de esgoto e parte da rede de águas pluviais continuam dependendo da conclusão do ramal que está sendo construído dentro do Iapi para fazer a ligação final do que está pronto com o sistema da Caesb.
A situação pior é a das cooperativas habitacionais, que aguardam desde janeiro de 2016, quando o governador Rodrigo Rollemberg veio ao Guará entregar festivamente os primeiros 405 lotes a elas, a instalação de toda a infraestrutura – não tem asfalto e redes de água e esgoto – mas, mesmo assim, as cooperativas foram autorizadas a começar a construção com a promessa, agora anunciada, da construção do que falta.

Canteiro de obras, mas…
A imagem da expansão na parte vendida pela Terracap é de um canteiro de obras, a partir da concessão dos alvarás de construção por parte da Administração Regional, depois que foi aprovado em junho de 2018 o novo Código de Edificações da Região do Guará (em substituição ao Plano Diretor Local), que define o que pode e o quanto pode ser construído em cada lote e em cada região do DF. Entretanto, a maioria dos compradores está tendo que improvisar o fornecimento de água para as obras e a outra parte sequer iniciou suas construções no aguardo das providências prometidas pelo governo.
Por causa da falta das condições de habitabilidade prometida nos editais de licitações dos lotes vendidos entre 2010 e 2011, a Terracap perdeu várias ações na Justiça para o cancelamento da compra, movidas por compradores que não tiveram condições de construir por causa da suspensão do Plano Diretor do Guará (PDL) e por falta da infraestrutura. Quando a empresa começou a vender os lotes, havia apenas o asfalto e a rede de energia elétrica que, entretanto, não estava ligada à rede central. Por falta de fiscalização e de manutenção, todos os transformadores instalados nos postes foram furtados e a reposição somente foi providenciada no ano passado.

Falta de opções
Comprador de um lote na licitação de 2010, Geraldo Marques teve que aguardar oito anos para construir a casa do filho na QE 52, porque não conseguia mais continuar pagamento uma prestação de mais de R$ 2 mil e sem a moradia sonhada. “A energia elétrica e a água chegaram somente no ano passado, mas ainda não tem esgoto e a iluminação pública é precária, além do mato que continua alto. Difícil morar aqui nessa situação”, reclama. Cansado de esperar pela infraestrutura, Luis Carlos Oliveira resolveu construir há cinco anos, mas somente agora é que começa a ter vizinhos depois de reinar sozinho no meio do mato todo esse tempo. “A Terracap não cumpriu o que foi prometido no edital de licitação aos compradores dos lotes. Nesses cinco anos tive que improvisar quase tudo, porque só dispunha de energia elétrica. Mas, não havia outra opção, porque não poderia mais continuar pagando aluguel e a prestação do lote ao mesmo tempo”, diz ele.
Cooperativas são as mais prejudicadas
Há três anos, em 2016, para atender à Lei de Política Habitacional do DF, aprovada em 2006, o Governo do Distrito Federal destinou 20% da Expansão do Guará (QEs 48 a 58) para as cooperativas habitacionais de média e baixa renda. Foram 405 dos cerca de 1.750 lotes da área conhecida como “cidade do servidor” às 73 cooperativas selecionadas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab). Entretanto, em 2017 o governo Rollemberg resolveu ampliar a oferta para mais 400 lotes, retirados da cota da Terracap que seria destinada à venda direta através de licitação.
Mesmo sem a infraestrutura básica, as cooperativas foram autorizadas no início deste ano a iniciar as obras e algumas delas estão com algumas casas praticamente prontas e outras estão montando canteiros de obras para iniciar as construções da parte que recebeu do governo. Com o anúncio das obras necessárias, até 2020 a nova quadra direcionada aos inquilinos de média renda deve estar pronta e habitada.

 

Começam a surgir as primeiras casas das cooperativas habitacionais

Guará vai receber R$ 10 milhões em obras

Investimentos, que serão concentrados na expansão da cidade, entre QEs 38 e 58, fazem parte do pacote de R$ 426 milhões anunciados pelo governo Ibaneis

 

O Governo do Distrito Federal, por meio da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), vai investir R$ 426,8 milhões em obras de infraestrutura em todo o DF nos próximos meses. Parte desse investimento é recurso próprio da empresa e outra fruto de um empréstimo firmado com o Banco de Brasília (BRB). A construção de dois setores habitacionais, a expansão do Guará e do Noroeste e o reforço na infraestrutura de Vicente Pires estão entre os projetos a serem executados.
Para o Guará, estão reservados R$ 10 milhões em obras, principalmente na pavimentação das ruas das QEs QE 48, 50, 52, 54, 56 e 58, chamada Expansão do Guará, na área conhecida como “cidade do servidor”, onde foram distribuídos 805 lotes às cooperativas habitacionais. De acordo com o relatório divulgado durante o ato de assinatura dos investimentos, as QEs 38 e 44 também receberão investimentos, mas não foi informado onde serão feitos, porque as duas quadras já estão consolidadas e aparentemente não necessitam de melhorias.

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