LE COQ AU VIN

Estou aqui sentado me preparando para escrever o artigo semanal, olho para a garrafa de vinho barato ($17.855,54 o preço da garrafa de La Romanée Gran Cru, safra 2011) que está quase pela metade, mas jurei ao Caixa Preta que não tomaria o restante, aderindo ao boicote aos produtos franceses.
O Caixa Preta é mais radical, não compra mais croissant, petit gâteau, roquefort, nada de foie gras e le coq au vin, aboliu tudo do dia a dia não quer nada que lembre a França de Macron. Champagne então, nem pensar!
Até os filmes de Brigitte Bardot, Jean-Paul Belmondo, Jaques Tati e outros famosos ele está evitando assistir quando passa em algum canal de TV fechada.
Música, ele foi radical, agora ataca de Wesley Safadão e mais um monte de outros pois, segundo ele, essa turma em matéria de talento supera Edith Piaf, Charles Aznavour, Sacha Distel, Mireille Mathieu e outros.
Foi com esses delírios que resolvi abrir a discussão lá no Porcão tomando a nossa nacional canela de pedreiro (cerveja super gelada) que é barata e dá pra mandar pendurar.
O velho Caixa, sempre pronto com as novidades na ponta da língua, resolveu iniciar com um assunto que parecia ter adivinhado o meu pensamento, pois o tema era o mesmo.
Sem muito entusiasmo resolvi dar uma volta, esse calor com rajadas do vento polar vindo do Piauí não anima nenhum cristão em sã consciência sair de casa, mas vencendo o desanimo resolvi dar uma chegada lá na famosa QE-07 bem ali no Guará I, onde estão concentrados a maioria dos bancos, lojas comerciais, quiosques,, enfim um verdadeiro mercado persa, onde rola de tudo sem que a fiscalização perturbe ninguém.
O que mais chama a atenção de quem se arrisca a passar por lá são as vagas ocupadas no estacionamento, além dos carros que normalmente estacionam por ali, caminhões carregados com mercadorias e os camelôs que vendem tudo quanto é tranqueira, sentem-se donos do pedaço, ocupam as calçadas sempre na certeza que tudo está dominado e não serão incomodados.
Dá gosto ver uma área importante, movimentada, onde o fluxo de pessoas e veículos é uma constante, com tudo loteado pela galera do comércio informal. Ali tudo parece ser permitido.
Se por acaso alguém for resolver algo naquela região e precisar estacionar, melhor ir a pé ou procurar outro lugar pois além da insuficiência de vagas, a bagunça fez morada por lá, sempre contando com a inoperância de quem deveria colocar ordem na bagaça.

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