CIDADE MONITORADA

Estão sendo instaladas 31 câmeras de alta resolução em pontos estratégicos e nos acessos ao Guará. Imagens são acompanhados em tempo real pela Secretaria de Segurança

O aumento da insegurança pública, provocado principalmente pela venda e consumo de drogas, tem estimulado a população a buscar novos e seguros meios de proteção, sem a necessidade do uso de armas. E o principal deles tem sido a utilização de câmeras de videomonitoramento, que acabam inibindo a ação dos marginais onde estão instaladas. Além de desestimular a prática de crimes, imagens de câmeras tem ajudado a polícia a desvendar crimes e a identificar bandidos. Antes, de uso restrito às residências e aos estabelecimentos empresariais, o videomonitoramento está ganhando também as ruas, como um reforço cada vez mais importante da segurança pública. Nem mesmo a preocupação com a possível perda da privacidade tem feito a população deixar de aplaudir e estimular o uso de câmeras em todos os locais possíveis.
Considerada uma das regiões mais seguras do Distrito Federal, Guará caminha para reduzir ainda mais os seus índices de criminalidade com a instalação do novo sistema de videomonitoramento público, implantado nos pontos mais vulneráveis à ação e fuga de bandidos. A partir de agora, as 31 modernas câmeras OCR (tecnologia que reconhece caracteres a partir de um arquivo de imagem ou mapa de bits, sejam eles escaneados, escritos a mão, datilografados ou impressos, a grandes distâncias), podem identificar a placa de qualquer veículo que usa os acessos da cidade (menos, por enquanto, o acesso entre a expansão do Guará II, condomínio Iapi e via EPNB). Através das imagens, controladas por uma central de monitoramento da Secretaria de Segurança Pública e outra no 4º Batalhão da Polícia Militar do Guará, a polícia tem condições de saber se um veículo saiu ou não da cidade ou para que sentido foi.
Ao custo de R$ 700 mil, recursos de emenda parlamentar destinada ao Orçamento do GDF pelo deputado distrital Rodrigo Delmasso (Republicanos), morador do Guará, as 31 câmeras de altíssima resolução, instaladas em pontos estratégicos, permitem o controle de praticamente 100% do que acontece nas vias públicas de maior movimento da cidade – vias central do Guará I, vias contorno e central do Guará II, e acessos. As ruas e vias internas estão aos poucos sendo também vigiadas através de sistemas particulares, contratados pelos próprios moradores, mas também caminham para ser monitorados pelos órgãos de segurança. Quadras como as QEs 30, 15, 17 do Guará II e QE 9 do Guará I estão quase todas cobertas por vídeo monitoramento. Na avaliação preliminar dos moradores dessas quadras, o índice de criminalidade chegou a ser reduzido em até em 80% em comparação com o período antes da instalação das câmeras.

Grande big brother do DF

“O uso das câmeras de videomonitoramento contribui de forma eficiente com o trabalho realizado pelas forças de segurança, por aqueles que estão em campo, com investigações realizadas pela Polícia Civil e órgãos do Judiciário, como Ministério Público e tribunais, e ações de policiamento da Polícia Militar. Estamos investindo fortemente na ampliação desses equipamentos, porque nosso objetivo é que todo o Distrito Federal esteja monitorado”, afirma o secretário de Segurança Pública, Anderson Torres. Em dois anos, o número de equipamentos instalados aumentou em mais de 50% no DF. Em janeiro de 2019, o Distrito Federal contava com 584 câmeras e em agosto agora já são mais de 1 mil.
Todas as imagens são transmitidas para o Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob). Atualmente, 29 multiagências fazem parte da estrutura do centro para o acompanhamento do que está sendo flagrado nas ruas. “Já tivemos casos de um problema da CEB, por exemplo, ser resolvido com maior rapidez por conta do acionamento de nossas câmeras do Ciob. Com elas, podemos monitorar o trânsito e acompanhar grandes eventos e manifestações públicas”, explica o gerente de eventos da Subsecretaria de Operações Integradas (SOPI), da SSP/DF, major Alisson Nobre.
O Ciob reúne órgãos, instituições e agências do Governo do Distrito Federal (GDF). O monitoramento é acompanhado de forma ininterrupta, ou seja, de segunda a domingo, 24h por dia.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a definição dos locais em que os equipamentos devam ser instalados considera áreas de interesse permanente, ou seja, definidos com base em levantamentos realizados pela Subsecretaria de Gestão da Informação (SGI) e também com orientação de responsáveis por batalhões e delegacias locais. Os estudos apontam as chamadas “manchas criminais”, baseados em ocorrências policiais registradas, em que é possível detectar dias, horários e locais de maior incidência de crimes.
“Com o videomonitoramento, as respostas aos crimes cometidos em áreas públicas tiveram respostas mais rápidas, ou seja, conseguimos chegar com maior rapidez, e também estamos percebendo uma boa queda de crimes como furto de veículos e de pedestres e arrombamentos”, afirma o ex- comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Guará, major Fernando Siqueira. Para o ex-delegado-adjunto da 4ª Delegacia de Polícia do Guará, João de Ataliba, a tecnologia contribui positivamente para a elucidação de crimes. “O uso das imagens captadas pelas câmeras de segurança podem contribuir com o encurtamento do tempo de investigação e consequente responsabilização mais rápida do infrator, principalmente em casos de condenações e prisões”. O delegado conta ainda que a divulgação de imagens estimula as denúncias. ”Sempre que divulgamos imagens de suspeitos, muito rapidamente surgem denúncias com informações fundamentais para investigação e até mesmo o paradeiro do infrator”.

Emenda de Delmasso

Autor da emenda parlamentar que possibilitou a instalação do sistema no Guará, o deputado Rodrigo Delmasso conta que a destinação dos recursos para o videomonitoramento foi definida a partir de uma audiência pública realizada por ele entre moradores guaraenses em 2016, para identificar os principais problemas da cidade. “A principal demanda apresentada foi a necessidade de melhoria da segurança pública. Mas, quando sugeri aos órgãos de segurança a aquisição das câmeras, foi-me explicado que antes era necessário melhorar a iluminação pública, com a troca das lâmpadas antigas por lâmpadas de LED, para que as imagens captadas pudessem ter maior nitidez. Por isso, primeiro destinei minhas emendas para a troca da iluminação nas vias principais do Guará, concluída no início do ano”, explica o deputado. A intenção, segundo ele, é trocar também toda a iluminação interna das quadras nos próximos anos, para que os sistemas de videomonitoramentos particulares também possam oferecer maior eficiência.

 

Quadras montam sistemas particulares

Enquanto o governo monitora as vias externas e os pontos de maior concentração da cidade, a comunidade também busca meios de se proteger da insegurança. Em várias quadras estão sendo montados sistemas de monitoramento financiados pelos próprios moradores. A tendência é que o monitoramento particular vá se espalhando pela cidade à medida em que os resultados forem sendo divulgados para as outras quadras. Em algumas delas, a redução dos índices de ocorrências chega a 80% em relação ao período antes da instalação das câmeras.

Morador da QE 15,
William Campos garante que após a instalação das câmeras em sua rua não foi registrada nenhuma ocorrência de roubou ou furto

Duas empresas estão, por enquanto, vendendo o serviço no Guará, com uma diferença de cobrança entre elas. A JL Security, que está em várias quadras da QE 30 e da QE 15, vende e instala os equipamentos, incluindo os aplicativos de acompanhamento. O custo por três câmeras – um no início, outra no meio e outra no fim da rua – é rateado entre os moradores que aderirem ao monitoramento. A outra empresa é a Romma Segurança Eletrônica, que instala os equipamentos por conta própria e rateia o serviço entre os moradores da rua, com cobrança de mensalidade. Nos dois sistemas, cada morador pode acompanhar o monitoramento em tempo real da sua rua através da Internet em até quatro aparelhos celulares por residência.

O empresário João Porfírio da Fonseca, da JL Security, quer ampliar o sistema para toda a cidade

No sistema da JL, as câmeras filmam em 180/360 graus, com visão noturna. Os becos são vigiados por câmeras fixas. O serviço é complementado por um sistema de sirenes, instaladas nas câmeras, que podem ser acionados pelo próprio morador, através do aplicativo, se perceber alguma anormalidade na rua, como, por exemplo, um caminhão de mudança em frente à sua casa, um tipo de furto muito comum no Guará, praticado durante a ausência mais longa do morador.

Para Oswaldo Morais, as câmeras de videomonitoramento foram a melhor solução para a insegurança na sua rua, depois de várias outras tentativas

O sistema da JL não é novo e há quatro anos foi implantado no Lago Norte pelo empresário João Porfírio da Fonseca. A proposta da empresa é estender o monitoramento para todas as ruas das QEs 15 e 30 inicialmente e depois estender o monitoramento para toda a cidade.
Mesmo com pouco tempo de instalado, o sistema está sendo aprovado pelos moradores da QE 15. “Aqui na rua aconteciam muitos furtos de bicicletas, furtos a residências, mas depois da implantação das câmeras as ocorrências foram reduzidas drasticamente”, conta Oswaldo Morais, morador do conjunto “T”. “Na nossa rua, depois da instalação das câmeras não aconteceu mais nenhum tipo de furto, roubo ou qualquer tipo de violência”, completa o morador do conjunto “R”, William Campos.

A Romma já monitora várias ruas de quadras do Guará I e do Guará II

 

Vizinhos se protegem em rede

Sem poder aumentar seu efetivo, por conta das limitações orçamentárias do governo, os órgãos de segurança do Distrito Federal estão investindo na interação e conscientização dos moradores para melhorar a segurança pública. Essa aproximação com a comunidade, para que ela seja parceira nas ações de prevenção, vem sendo buscadas há alguns anos pela Polícia Militar, através de projetos culturais e esportivos, e agora com o projeto Rede de Vizinhos, implantado inicialmente no Lago Norte e que está chegando ao Guará.
Criado com sucesso em Belo Horizonte, o projeto Rede de Vizinhos consiste na solidariedade entre os vizinhos, que podem se organizar em grupos de redes sociais para denunciar possíveis casos de assaltos, furtos, roubos, ou qualquer outro tipo de crime na sua rua ou condomínio, com o apoio e um canal direto com a Polícia Militar.
O projeto não tem custo nem para os moradores nem para os órgãos de segurança. Basta apenas um grupo de WhatsApp ou Facebook de vizinhos, que se alertam quando perceberem algum movimento estranho ou presenciarem alguma ameaça ou crime nas proximidades, e acionam a polícia. Uma placa, cujo modelo e arte é fornecido pela PM, é afixada nos muros ou grades das residências da rua ou quadra, informando que os moradores estão protegidos pelo projeto, com os números de contato da Polícia Militar em casos de emergência. Além do canal direto com a PM, os vizinhos podem utilizar também um apito, mas desde que todos eles saibam que aquele é um sinal de alerta.

Redução drástica da criminalidade

A iniciativa de implantação da rede na vizinhança terá que partir dos próprios moradores, que, depois de organizados em grupos de redes sociais, pedem o apoio da Polícia Militar.
Divisão de responsabilidades
“Os moradores precisam se conscientizar que segurança não pode continuar sendo atribuição somente da polícia. Tem que haver uma parceria entre os dois elos”, afirma ex-comandante do 4º Batalhão da PM, major Fernando Siqueira. Segundo ele, os vizinhos tem mais condições de verificar algum movimento ou pessoa estranha nas proximidades de sua casa, o que facilitaria o trabalho da polícia na abordagem.
“A ideia do projeto é que cada morador seja uma “câmera viva”, ou seja, os olhos da Polícia Militar naquela localidade e acionem a PM caso seja necessário e proporcionando, também, uma aproximação entre a polícia e a comunidade”, explica.
Além do 190, os moradores podem se comunicar direto com os militares, o que agiliza o atendimento. “Sabendo utilizá-las, as novas tecnologias são muito úteis entre os vizinhos, porque oferecem a possibilidade de as pessoas se conhecerem e estabelecerem vínculo para proteção umas das outras”, diz ex-comandante do 4º Batalhão. “O projeto Rede de Vizinhos Protegido não tem qualquer vínculo com esses sistemas particulares que estão vendidos aos moradores. Se por acaso nos grupos que solicitarem o apoio da Polícia Militar surgirem empresas querendo vender seus produtos, não vamos participar, porque não há necessidade. Se bem organizada, a rede funciona muito bem, sem necessidade de custos”, alerta.

COMO SOLICITAR A REDE

O primeiro passo é organizar os vizinhos num grupo de rede social e depois solicitar uma visita dos coordenadores do projeto para explicar o funcionamento da rede através dos fones 3190 0464 ou 3190 0452.

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