Parque do Guará vai receber novos investimentos

Presidente do Ibram, Rôney Nemer informa que pelo menos 70% dos recursos de compensação ambiental por obras na região serão investidos em projetos de revitalização do Parque Ezechias Heringer, como a implantação do plano diretor, trilha, outro acesso e novos equipamentos

Uma das mais antigas e bem localizadas áreas de preservação do Distrito Federal, o Parque Ezechias Heringer, ou Parque do Guará, continua sofrendo com a destruição de sua flora nativa e, principalmente, com a falta de estrutura para estimular o seu uso pela comunidade. A cada governo são prometidos novos investimentos, mas quase nada tem acontecido, com exceção de uma parte ainda pequena implantada com recursos de compensação ambiental, isso há mais de dez anos. Além da depredação por parte de invasores, a vegetação é reduzida a cada período de seca com incêndios recorrentes. O único recurso público investido no parque até agora, o cercamento está sendo furtado aos poucos e transformado em moeda no mercado em ferro velho, como acontece também com os fios de cobre de iluminação pública.

Entretanto, mais uma vez o governo volta a prometer investir no parque. Além da contratação no ano passado de novos brigadistas, que começaram a atuar no combate aos incêndios, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que administra o parque, está anunciando a recuperação do mirante, a implantação do Museu Ezechias Heringer, recuperação e ampliação do orquidário, a abertura de uma trilha por toda a área e a construção de guarita na Área 27, entre o quiosque Chalé da Traíra e o Edifício Valentina, ao lado da QE 42 e da via de ligação com a saída sul. Esses investimentos foram anunciados pelo presidente do Ibram, Rôney Nemer, em visita à sede do Jornal do Guará.
Morador histórico do Guará, Rôney conhece de perto a realidade da cidade. Viveu em diversas quadras — da QE 28 à QE 17 — até adquirir, com os irmãos, a casa onde cresceu. “Tenho uma ligação forte com o Guará. Meu irmão mora na QE 19 e tem até uma história marcante com o parque, onde foi baleado tentando defender o local numa caminhada”, lembra. Com esse vínculo pessoal, Rôney tem dado atenção especial ao Parque Ezechias Heringer, que considera negligenciado pelo próprio governo. “Nos últimos quatro, cinco anos, o único investimento foi o cercamento. E mesmo assim, quando colocamos, as grades, são furtadas. Falta sentimento de pertencimento porque o parque oferece pouco”, observa.
O parque enfrenta, ainda, segundo ele, a fragmentação geográfica. Dividido em três áreas — a reserva ecológica, a região da QE 28 e a área 27, nos fundos do Batalhão da Polícia Militar —, o espaço é cortado por barreiras naturais como o Córrego Guará e por estruturas como a linha do metrô. Para Rôney, a solução está na integração das áreas, com acessos planejados pela saída sul, pela QE 27, pelo Cave e pelo Park Sul. “É um exercício de pertencimento. Se a população se sentir parte do parque, ela vai cuidar. A trilha, por exemplo, é um instrumento de preservação”, afirma.

Mais recursos de compensação ambiental
Uma das principais garantias anunciadas pelo presidente do Ibram é que pelo menos 70% dos recursos de compensação ambiental gerados por empreendimentos na região, permanecerão no próprio Guará, que serão somados aos recursos do próprio Ibram nos investimentos prometidos.
Para os próximos meses, há previsão de implementação de uma guarita na Àrea 27, ao lado do Traíra, com a construção de quadra esportiva, instalação de equipamentos de convivência como PEC e parquinho, além da criação de ciclovia e pista de caminhada, promovendo mobilidade sustentável e integração entre as áreas do parque. “Por causa da separação das áreas pela via EPGu (Guará-Zoológico), essa parte do parque não é usada pelos moradores e, por dificuldade de fiscalização, está sendo depredada por invasores e ladrões. Vamos transformá-la numa a área de lazer agradável, o que já se justifica com a implantação das novas quadras (QEs 48 a 58) e com a futura QE 60. Junto com a criação do novo acesso, será refeita toda a parte furtada do cercamento”, garante.

Apenas manutenção
Nos últimos dois anos, o parque passou por diversas ações, como manutenção dos banheiros, poda e retirada de espécies exóticas na Área 27, operação de desocupação irregular, plantio de mudas, roçagem realizada em parceria com a Novacap, demarcação de trilhas, revitalização do viveiro de mudas, limpeza e retirada de entulhos, além de vistorias no interior da unidade de conservação.
Como parte da estratégia de mobilização, o Ibram, segundo Rôney, estuda lançar um chamamento público para reunir representantes da comunidade, amigos do parque, lideranças ambientais e órgãos públicos. A proposta é construir coletivamente a pauta de melhorias. “A ideia é sentar todo mundo à mesa, pontuar as necessidades e ver como viabilizar as soluções juntos. O Guará tem capital humano para fazer isso acontecer”, afirma.
Desde março de 2023 à frente do Ibram, o arquiteto e ex-deputado distrital e federal Rôney Nemer diz que aprendeu a gostar do meio ambiente, experiência que não tinha tido antes nos diversos cargos públicos que exerceu, entre eles o de administrador regional do Recanto das Emas. Além do Parque Ezechias Heringer, Rôney tem um olhar vigilante para 82 unidades de conservação sob a responsabilidade do Ibram. Desse total, 18 parques estão abertos à visitação pública. Alguns, como Águas Emendadas, têm acesso restrito à pesquisa científica, enquanto outros recebem visitantes como trilheiros, ambientalistas e fotógrafos, que colaboram na valorização da fauna e flora locais. Em paralelo, o programa Parque Educador já está presente em 12 dessas unidades, levando crianças de escolas públicas a vivências ambientais. “Para participar, o parque precisa ter estrutura mínima para receber as crianças. Estamos trabalhando para ampliar o alcance do programa”, explica.
Além da gestão das áreas protegidas, o Ibram atua na concessão de licenças ambientais para obras e empreendimentos no Distrito Federal. Rôney destaca a liberação recente para a construção do Hospital Clínico Ortopédico do Guará e do hospital do Recanto das Emas. “Tudo passa pelo Ibram: licença para construir, expandir, reformar. Somos a porta de entrada de qualquer obra no Distrito Federal”, afirma. Para acompanhar essa demanda crescente, o instituto, segundo ele, também reforçou sua equipe de fiscalização, que passou de 60 para 110 servidores. A atuação inclui combate à poluição sonora, fiscalização de parcelamentos irregulares, crimes ambientais e maus-tratos a animais. “Nosso foco não é multar, é conscientizar”, reforça o presidente.