Conhecido como “Detetive Lima”, o homem que morreu em confronto com policiais militares na madrugada do domingo passado na QE 38 tinha mais de 30 anos que atuava na profissão e era também Caçador, Atirador Desportivo e Colecionador (CAC), uma permissão muito difundida no Governo Bolsonaro e que está sendo restringida no Governo Lula pela deturpação que acabou tomando. Edilmar Pereira Lima, 49 anos, foi atingido por quatro tiros após disparar contra uma equipe de policiais do 4º Batalhão da PM do Guará, que foi à casa dele após ser acionada por vizinhos. O detetive foi denunciado após efetuar disparos dentro de casa.
Edilmar Lima se apresentava nas redes sociais como consultor em tiro esportivo para emissão do Certificado de Registro de CAC. Durante à noite e nos finais de semana, ele cuidava do Espetinho do Zoguel, que funcionava na garagem da residência onde morava na QE 38.
Os vizinhos acionaram a Polícia Militar às 2h da manhã, quando ouviram o detetive fazer disparos de arma de fogo dentro de casa. Assim que um dos policiais bateram no portão, Lima começou a atirar na direção dele. Vídeo gravado por um vizinho mostra o momento da abordagem, em que o policial teve que se abrigar atrás de carros estacionados para não ser atingido. Sem alternativa, os policiais que estavam na missão começaram a disparar na direção à casa de Lima, até que a esposa dele abriu a porta e gritou que ele estaria caído na sala e ferido. O detetive não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Surtos de violência
De acordo com alguns vizinhos em depoimento à polícia, Detetive Lima seria usuário de entorpecentes e quando ingeria bebida alcoólica ficava atirando, inclusive na rua. Eles contaram aos policiais que o homem, quando perdia o controle, ameaçava a companheira e os próprios vizinhos, sempre com arma de fogo. Entretanto, essa versão é contestada pelo vizinho dele, Cláudio Márcio, de quem era amigo. “Isso é calúnia de uma pessoa que não gostava dele. Lima não era usuário de droga e apenas bebia de vez em quando. E nem era violento com ninguém”, garante. Cláudio afirma que a polícia pode ter sido precipitada na abordagem, por ter batido no portão e não ter se identificado. O vizinho afirma também que as chegadas das equipes do Corpo de Bombeiros e do Instituto Médico Legal (IML) foram muito rápidas, logo depois a morte, e que a polícia não permitiu que ninguém se aproximasse do corpo. Outra vizinha, que prefere não se identificar, descreve Lima como “uma pessoa calma, inteligente, e profissional competente e dedicado”. Ela também garante que nunca viu o detetive ficar atirando na rua.
A 4ª Delegacia de Polícia do Guará investiga o caso.
No momento da abordagem e da morte, estavam na casa a esposa e dois filhos pequenos dele. Lima foi atingido por quatro disparos dos policiais, no peito e nos braços.
Na casa do atirador CAC foram apreendidas 4 armas de fogo: uma pistola, usada pelo suspeito para atirar contra os militares, um revólver, que estava na cintura dele, e duas espingardas, que estavam em um cofre.










