O Guará está entre as quatro regiões administrativas com melhor desempenho em sustentabilidade ambiental urbana do Distrito Federal. A informação faz parte de um estudo inédito divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), que criou o Índice de Sustentabilidade Ambiental Urbana (ISU/DF), medido com base em dados coletados entre 2019 e 2022.
O estudo avaliou as 35 regiões administrativas do DF a partir de nove indicadores ambientais: áreas verdes, área verde em recarga de aquífero, evapotranspiração, consumo de água por habitante, potencial de infiltração, proporção de área com suscetibilidade à erosão, temperatura, casos de dengue e pegada de carbono. Cada indicador foi convertido em uma escala de zero a um, permitindo comparações padronizadas entre as regiões. Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho ambiental.
Índices
Guará alcançou nota 0,80 no índice geral, classificando-se como “excelente” em sustentabilidade urbana. Com esse resultado, ficou na quarta posição geral, logo atrás de Sudoeste/Octogonal (0,84), Plano Piloto (0,84) e Núcleo Bandeirante (0,81). Em seguida aparecem Park Way e Cruzeiro, ambos com 0,79. O desempenho do Guará reflete o equilíbrio entre planejamento urbano e boas práticas ambientais, com destaque para a distribuição de áreas verdes e os bons índices de consumo de água, temperatura e incidência de dengue.
A média do ISU/DF foi de 0,72, o que demonstra um panorama positivo para o Distrito Federal como um todo. Nenhuma região foi classificada como “ruim”, sendo que 18 apresentaram desempenho “bom” e 13 ficaram na categoria “regular”. A última posição foi ocupada pela Estrutural (0,61), ainda assim com nota regular.
Segundo o IPEDF, o objetivo do índice é fornecer subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas voltadas ao meio ambiente. A metodologia utilizada é considerada pioneira, com potencial de ser replicada em outras unidades da federação. Os dados foram obtidos a partir de imagens de satélite (Sentinel e LandSat), registros administrativos e modelagens hidrológicas, incluindo curvas de infiltração, balanço energético e índices como NDVI (indicador de vegetação) e evapotranspiração real.
Manoel Clementino, diretor-presidente do IPEDF, afirmou que o estudo está alinhado com os desafios ambientais contemporâneos: “Estamos vivendo uma era de emergências climáticas. Esse índice permite que o gestor tenha dados concretos para implementar soluções sustentáveis e eficazes nas regiões administrativas”.
Werner Vieira, diretor de Estudos e Políticas Ambientais e Territoriais do IPEDF, destacou a importância da participação popular: “A população deve ser parceira do governo. Pequenas mudanças de hábito têm impacto direto na sustentabilidade da região. O futuro do DF depende de cada um de nós”.
A expectativa é que o índice seja atualizado a cada quatro anos, permitindo o monitoramento da evolução ambiental das RAs ao longo do tempo. Os dados atuais servem como linha de base para aferições futuras, especialmente em relação ao ciclo de gestão 2023-2026.










