Nos últimos anos, o período de estiagem tem tornado a sensação climática cada vez mais hostil no Distrito Federal. A seca no interior do país começa no final do outono e se intensifica durante o inverno, e, nestes meses, há falta de chuvas, temperaturas elevadas e queda no índice de umidade relativa do ar. Só que, em Brasília, a frequência dos recordes de calor e ar seco cresceu exponencialmente.
Em 2024, conforme divulgado pelo portal de notícias G1, a capital teve a pior seca da história, com 165 dias sem chuva. Até aquele momento, o pior ano havia sido 1963, com 163 dias de estiagem. Além dos termômetros terem aumentado, a umidade do ar no DF chegou a 11% – fato que levou, à época, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a emitir um alerta vermelho de atenção aos riscos à saúde. Por exemplo, locais de bioma desértico, como o Saara, apresentam umidade máxima de 20%.
Neste ano, o cenário se desenha de maneira semelhante, pois Brasília teve um verão mais quente e com pouca chuva. Além disso, o déficit no volume de chuvas na média histórica sazonal se manteve na estação seguinte. Agora, no inverno, não foram registrados dias de chuva em junho, segundo o Inmet.
Ilhas de calor
Um fenômeno comum para os brasilienses são as chamadas ilhas de calor. Em síntese, o conceito representa um microclima que se cria pela concentração de calor entre estruturas urbanas, especialmente pelo concreto.
A predominância deste evento no Distrito Federal e a mudança nos padrões climáticos movimentaram cientistas e pesquisadores de diferentes áreas da Universidade de Brasília (UnB) a pensarem sobre sustentabilidade.
Em um vídeo publicado no canal da Universidade de Brasília (UnBTV), a professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/UnB), Marta Romero, associa o adensamento urbano ao aumento da temperatura média da cidade.
“Antes era um clima ameno, porque realmente ele foi escolhido para a implantação de Brasília, em função do clima. E nós conseguimos em pouquíssimo espaço de tempo – 60 anos – mudar o panorama.” A professora se refere às estatísticas que mostram o aumento de 2,85ºC na temperatura média e de 2,10ºC na máxima.
Além do calor acentuado, o monitoramento citado por Marta Romero aponta para a quantidade de dias, por ano, que Brasília registra umidade do ar abaixo de 30%. O volume mais que dobrou, passando de 24 ocorrências para 50.
Diante deste cenário, pesquisadores do Laboratório de Sustentabilidade (LaSUS) da UnB têm monitorado e proposto adaptações para as relações entre o uso do solo e o microclima do DF.
Oásis urbanos
Alternativas para minimizar as ilhas de calor e os efeitos das temperaturas mais elevadas e do ar seco são testadas em diferentes escalas. Até porque este fenômeno acomete metrópoles de todo o mundo.
Cientistas brasileiros somaram forças com pares da Universidade de Surrey, no Reino Unido, para pensar soluções de infraestruturas urbanas verde-azul-cinza (GBGI), ou os chamados “oásis urbanos”.
Este modelo se fundamenta em zonas úmidas, com paredes e telhados verdes, parques, jardins e canteiros que preservem a função de ecossistemas naturais e artificiais. Como solução de longo prazo, pode reduzir em até 5ºC a temperatura urbana.
Em curto prazo, os recursos são de microesfera, como o uso de climatizador de ar nas residências para tornar o ambiente mais agradável, sem consumir tanta energia quanto um ar-condicionado.










