por Amarildo de Castro
O Guará sempre foi referência nos trabalhos comunitários, em especial, de lideranças que assumem o papel de ajudar a cuidar de suas quadras, onde muitas delas acabam se juntando à comunidade e criando prefeituras, ou apenas ajudando a cuidar dos espaços públicos e da segurança.
Embora não seja mais a prefeita comunitária da QE 46, e agora morando em Portugal há 7 anos, a pioneira do Guará, Célia Caixeta, 62 anos, está de volta por um período à cidade. Ela, que já morou na QI 11, ainda nos anos 80, passando mais tarde pelo Setor de Oficinas (Área Especial 2A), e nos últimos anos no Brasil viveu na QE 46, quadra que ajudou a construir “com muito orgulho”, e por lá sempre agiu como verdadeira liderança comunitária, o que na prática, já fazia antes em outras quadras onde morou. Agora, mesmo longe, não perde o costume de colaborar. Continua ativa nos grupos de WatsApp do Guará, e diz que um dia volta de vez, sem dizer quando.
Célia Caixeta tem passagem marcante na QE 46, onde criou, em 2015, o primeiro grupo comunitário de WhatsApp, o ‘Fique Por Dentro’, e mais tarde, criou ainda um grupo de lideranças, o Colung.
Nos últimos sete anos, para acompanhar um filho, decidiu, com o marido Ronaldo, ir morar em Portugal, mas nunca se afastou do Guará, onde, mesmo à distância, ajuda a resolver problemas da sua quadra, a QE 46, via internet. “É diferente morar lá, porque as demandas são diferentes, e o país está em grau mais avançado de educação e formação. Mesmo assim, acho o Guará maravilhoso e nunca vou me ‘arredar’ daqui, e me sinto bem poder colaborar”, afirma.
De passagem pela cidade onde fez história como liderança neste mês de agosto, garante que ‘um dia’ volta para valer, e que a passagem por aqui é por tempo determinado. No final de setembro retorna à cidade do Porto, onde desfruta a vida de aposentada com parte da família.

rever amigos e se interagir com as lideranças locais
A escolha por Portugal
A escolha por Portugal, especialmente pela cidade do Porto, não foi por acaso. Há 30 anos, uma irmã dela mora lá e o próprio filho Robert William também, há 23 anos. A ideia de mudar-se ou passar uma temporada lá foi sendo amadurecida nas visitas frequentes que fazia ao filho e à irmã. Contou também a necessidade de procurar um local que ajudasse na redução da hipertensão e dos problemas respiratórios que o clima de Brasília e do Centro Oeste ajudava a potencializar no seu organismo. Cada vez que ficava um tempo em Portugal, o coração e os pulmões agradeciam.“Deixei até de tomar os remédios contra hipertensão, que tomava há 25 anos”, conta.
Mas teve um terceiro fator que ajudou na decisão. Depois de trabalhar tanto tempo com a família Roriz – são conterrâneos de Luziânia – Célia se desencantou com a política após a saída da ex-deputada distrital Liliane Roriz do cenário ao desistir de sua reeleição em 2018, ao ser acusada de corrupção eleitoral e de falsidade ideológica por um ex-assessor.
Além da irmã, do filho Robert William, que integra a banda do ex-goleiro Helton, do Vasco da Gama e Porto, e tem sua banda própria também, além de acompanhar o cantor Gabriel, o Pensador pela Europa, Célia tem a companhia da filha Sabrina, 28 anos – a outra filha, Bruna, 30 anos, é empresária numa clínica de beleza especializada em massagem, estética e embelezamento facial e preferiu ficar -, e do marido Ronaldo, que também já conseguiu se adaptar às terras lusitanas, e do neto.
As faltas que sente
Falta, ela garante que sente mais da família, da fazenda e da chácara em Luziânia, para onde iam quase todos os finais de semana. “A saudade consigo matar em parte através da Internet, mas sinto falta do contato físico com meus familiares e meus amigos”, diz. E dos projetos sociais com idosos, crianças carentes que ajudava com a família há muitos anos. Do clima, nem tanto. “O frio daqui é muito seco e o calor é preguento”, ri. “Sinto falta também do convívio com a minha QE 46, do grupo de amigos que fiz aqui, mas continuo em contato permanente com eles”.
Célia conta que continua colaborando com a Prefeitura Comunitária da quadra, por imposição dos próprios moradores. “Eles me consultam quando precisam de algo, indico os caminhos onde podem reivindicar, elaboro ofícios, enfim, continuo ajudando em tudo”, completa.










