A proposta de renomear os três tradicionais condomínios horizontais da Região do Guará — Bernardo Sayão, Colônia Agrícola Águas Claras (conhecida informalmente como Guará Park) e IAPI — para um nome único, volta a ser discutido, cinco anos depois da apresentação da primeira proposta com o mesmo objetivo, pelo então deputado distrital Rodrigo Delmasso. A Câmara Legislativa vai promover uma audiência pública, no dia 3 de setembro, quarta-feira, para apreciar o Projeto de Lei 1636/2025, do deputado distrital João Cardoso (Avante), para renomear os três condomínios para “Setor Habitacional Guará Park (SHGP)”.
De acordo com o deputado, a proposta pretende consolidar os três setores como um único bairro, com nome mais coerente com o perfil atual da região. “A mudança de nome visa refletir melhor a identidade e o desenvolvimento da região, promovendo um sentimento de pertencimento e valorização do espaço urbano. Além disso, busca facilitar a identificação e localização dos setores, contribuindo para uma melhor organização administrativa e urbanística”, explica.
O nome “Guará Park” também foi escolhido por sua localização estratégica entre o Guará e o Park Way, e por já estar em uso informal por parte dos próprios moradores da Colônia Águas Claras, o maior dos três condomínios horizontais do Guará.
Histórico de discussões e justificativas
A unificação das nomenclaturas não é uma ideia recente. Uma reunião remota, realizada em 23 de julho de 2020, durante a pandemia da Covid, proposta pelo deputado Rodrigo Delmasso, já discutia a alteração. Na ocasião, ficou evidente a insatisfação dos moradores com a proposta de manter o nome “Bernardo Sayão” como padrão – é o nome oficial reconhecido pela Terracap -, uma vez que essa mesma denominação é usada no setor de indústrias do Núcleo Bandeirante, o que poderia gerar confusão postal e administrativa. A sugestão “Guará Park” ganhou força por refletir melhor a identidade local e ser amplamente aceita pelos moradores.
A nova proposta apenas coincide com a antiga, porque o ex-deputado distrital Rodrigo Delmasso garante que não foi consultado pelo deputado João Cardoso para dar continuidade à renomeação. “Fico feliz que a nossa ideia tenha sido ressuscitada, porque ela tem aceitação da comunidade. Pena que não tenha dado tempo de ser aprovada durante meu mandato. E pena que não tenha sido encampada por um parlamentar que tenha mais identidade com o Guará, mesmo assim não deixa de ser importante”, afirma o ex-deputado, que é morador do Setor Bernardo Sayão, abaixo do Polo de Moda, no Guará II – o deputado João Cardoso tem base eleitoral em Sobradinho. Morador da Colônia Águas Claras, ou, “Guará Park”, o ex-deputado distrital Alírio Neto também considera a ideia interessante, “porque unifica a denominação de uma região que na verdade é uma só. Apenas estranho que a proposta não tenha sido feita por um parlamentar com mais identidade com o Guará, o que, entretanto, não tira o mérito da iniciativa”.
Além da falta de consulta ao primeiro autor da proposta, a iniciativa do deputado João Cardoso não considerou a representatividade da Prefeitura Comunitária do Guará Park. “Não fui procurado e apenas convidado para participar da audiência pública, pela assessoria do deputado. A prefeitura tem uma luta antiga pela melhoria do setor e não deveria ter sido ignorada numa discussão tão importante”, reclama o prefeito comunitário do Guará Park, Alcione Pimentel de Barros. Ele também considera estranho que a audiência não tenha sido marcada para a sede da prefeitura, mas para um endereço onde foi recém criada a Associação dos Moradores do Guará Park pelo grupo que perdeu a eleição para o comando da prefeitura, em fevereiro. Entretanto, esse grupo acusa o grupo da situação, ligado à ex-prefeita Gleide Soares, de ter manipulado a eleição para favorecer a chapa vencedora e, por isso, resolveu criar uma outra entidade representativa do setor.
Próximos passos
Após a audiência pública, a proposta do projeto de lei, se aprovada pelos moradores, seguirá para análise nas comissões da CLDF, incluindo a de Assuntos Sociais e a de Constituição e Justiça. Se aprovado, vai a plenário para ser votado por todos os distritais e, caso aprovado, será enviado ao governador para ser sancionado ou não. Caso seja vetado pelo governador, o veto pode ou não ser derrubado pelos deputados distritais.
Caso passe pelas três fases, o nome Guará Park passará a ser oficial para toda a região, encerrando uma longa jornada de espera por identidade e regularização fundiária.
Duas horas após a divulgação do Jornal do Guará recebemos um release da assessoria da deputada distrital Dayse Amarílio, informando que a audiência pública era uma parceria dela com o deputado João Cardoso. Entretanto, essa não era a informação que constava no site da Câmara Legislativa até a publicação do jornal com as críticas à falta de participação de parlamentar com histórico de interesse no Guará.










