Morador do Guará é a 6ª vítima de incêndio em clínica

Luis Gustavo, 21 anos, estava internado desde o dia 31 de agosto, por ter inalado muita fumaça. Mesmo medicado, sofreu parada cardiorrespiratória e não resistiu

A 6ª vítima fatal do incêndio em uma unidade da casa de recuperação Instituto Terapêutico Liberte-se, no Núcleo Rural Colombo Cerqueira, no Paranoá, Luis Gustavo Ferrugem Konka, 21 anos, morador da QE 13 do Guará II, morreu nesta segunda-feira, após sofrer uma parada cardiorrespiratória no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) onde estava internado desde o dia 31 de agosto, com problemas no pulmão devido à inalação de fumaça e com os rins comprometidos. Ele foi submetido à hemodiálise no período, mas não resistiu. Luis Gustavo era filho da estilista Fernanda Ferrugem, muito conhecida no mundo da moda do Distrito Federal e que mantém um ateliê na QE 13, depois de muitos anos funcionando na praça da QE 19.

No momento do incêndio, 21 internos estavam dentro da casa, entre eles Luis Gustavo, e outros 26 ocupavam dormitórios externos. De acordo com a Polícia Civil, o alojamento que pegou fogo estava trancado com cadeado e havia apenas três extintores vazios e do lado de fora. Seis pessoas já morreram em consequência do incêndio e 10 continuam internados.

Segundo relatos de internos que estavam do lado de fora, o incêndio teria começado pelo telhado e se espalhado rapidamente para dentro do alojamento, sem dar tempo de quem estava de fora prestar socorro antes que a fumaça e o fogo atingissem parte dos internos.  Ainda de acordo com os relatos, não havia energia elétrica no local e a visibilidade estava bastante reduzida. Os internos que estavam dentro do alojamento saíram ou foram retiradas pelas janelas, que tiveram as grandes arrancadas por colegas de confinamento e funcionários que estavam de fora.

SETE PRESOS

Até esta segunda-feira, 22 de setembro, sete pessoas já foram presas, acusadas de cárcere privado, agressões físicas, restrição de contato dos internos com familiares, administração irregular de medicamentos e homicídio doloso qualificado.

Entre os presos estão um dos proprietários, Douglas Costa de Oliveira Ramos, de 33 anos, a esposa dele, Jockcelane Lima de Sousa, 37 anos, e o funcionário Matheus Luiz Nunes de Souza, 23 anos.

CONDIÇÕES PRECÁRIAS

As três unidades do Instituto Liberte-se  – a do Paranoá (Chácara 420), que pegou fogo e estava sem licença e sem laudos do Corpo de Bombeiros,  outra no Paranoá (Chácara 470), interditada após fiscalização, que operava com licença da Vigilância Sanitária vencida e tinha 63 internos, e a terceira, no Lago Oeste (Sobradinho II), que funcionava sem alvará e já tinha ordem de interdição desde 2024, mas continuava funcionando – foram interditadas pela Defesa Civil.

Após vistoria técnica nas três unidades após incêndio, a  Defesa Civil constatou graves danos estruturais com risco de colapso do telhado, fissuras e trincas nas paredes, madeiramento danificado pelo fogo, janelas sem vidros e grades parcialmente arrancadas.