
A Casa GOG está em festa. O grupo de capoeira Abadá, sob a coordenação da professora Graduada Lola, comemora um ano de atividades no espaço cultural localizado na QE 38 do Guará II. O projeto, que nasceu da dedicação de seus integrantes, conquistou a comunidade em torno da prática da capoeira e se consolidou como uma referência de cultura e esporte na região.

As oficinas de capoeira são conduzidas por Lígia Vanessa, conhecida como Lola do Abadá Capoeira. Graduada pela escola Abadá e aluna do Mestrando Sorriso, Lola tem quase 20 anos de trajetória na capoeira, iniciada quando levou a filha de 6 anos para conhecer a prática. Além de capoeirista, Lola é pós-graduada em educação física escolar e inclusiva, artista, artesã, gestora, produtora cultural, arte-educadora ambiental especializada em arquitetura sustentável, permacultora, paisagista e presidenta do Conselho de Cultura do Guará. Sua experiência multidisciplinar reforça a proposta inclusiva e comunitária das oficinas, que acontecem todas as quintas-feiras, gratuitamente, atendendo em média 30 crianças e adolescentes do Guará.

A programação especial acontece no próximo sábado, 27 de setembro, a partir das 15h, com entrada gratuita. Além da celebração do aniversário do grupo de capoeira, o evento integra as festividades do Setembro Azul, movimento de valorização da comunidade surda, e contará com a tradicional distribuição de doces de São Cosme e Damião para alunos e visitantes. O público poderá acompanhar apresentações em Libras com a professora Ana Cristina, em homenagem ao Setembro Azul, além da festa de 1 ano da capoeira com a participação dos alunos e da distribuição das sacolinhas de Cosme e Damião, que reforçam o caráter acolhedor da Casa GOG.
“É uma alegria ver como a comunidade abraçou essa ideia. A Casa GOG é um espaço de cultura, arte e educação, e cada atividade fortalece ainda mais nossos laços com o Guará”, destacaram os organizadores.
O que é a Casa GOG
Localizada na QE 38 do Guará II, a Casa GOG nasceu com o objetivo de agregar culturas, histórias de vida e experiências comunitárias, especialmente para crianças e jovens, sempre incentivando a participação das famílias no processo de formação. Para GOG, o espaço é “um presente para a comunidade, uma casa de cultura e de manifestação, assumindo os problemas e os méritos da quebrada”. Ele ressalta que o espaço também se consolida como um polo de “afrobetização”, com cursos, rodas de diálogo, estúdio de gravação e sala para podcast, para que os próprios moradores contem suas histórias.
Inaugurada em 19 de agosto de 2024, a Casa GOG é fruto de mais de três décadas de caminhada de Genival Oliveira Gonçalves (GOG) — o Poeta do Rap Nacional — pelas quebradas do Distrito Federal. O espaço nasceu de um mutirão de afetos: em poucos dias, a comunidade arrecadou quase R$ 200 mil para erguer o projeto, que hoje se mantém com trabalho voluntário, doações e parcerias.

A Casa promove atividades de formação artística e corporal, como capoeira para crianças e idosos, jiu-jitsu, boxe, dança, coral infantil e oficinas de hip hop. Na área da educação inclusiva, oferece aulas de Libras, alfabetização de jovens e adultos e espaços de leitura crítica. Também investe na economia criativa e na gastronomia periférica, com uma cozinha-escola, costura e artesanato. Além disso, dispõe de um estúdio de gravação e um espaço de podcast, sempre com o objetivo de devolver à comunidade o orgulho da própria história. Todas as atividades são gratuitas e conduzidas por educadores, artistas e atletas voluntários.
O compromisso da Casa GOG é ser um polo de arte, cultura e educação que inspira autoestima, cidadania e empreendedorismo nas periferias do DF, começando pelo Guará e irradiando para além das paredes grafitadas do espaço. Como resume o próprio GOG: “O hip hop me ajudou a conquistar tudo o que eu tenho, mas principalmente minha persona. Essa coisa que falo da afrobetização, de me colocar primeiramente como homem negro, depois periférico, depois brasileiro. Minha nacionalidade é o terceiro ponto. Isso facilitou muito as minhas andanças pelo planeta nestes anos”.









