O som da viola caipira acompanha a vida de Claudivan Santiago há duas décadas. Jornalista de formação e morador do Guará, ele encontrou no instrumento uma missão de vida que transformou seus rumos profissionais e pessoais. “A viola mudou a minha vida por completo – e pra melhor. Não me arrependo um milímetro sequer das decisões que tomei pra chegar até aqui”, afirma.
Claudivan recorda com clareza os primeiros passos. “Parece que foi ontem! Eram os primeiros meses de 2005. Eu tinha 33 anos de idade e, tal qual o Grande Mestre dos Mestres, iniciava nessa fase da vida o meu ministério. Apaixonado pela música desde criança e encantado com o som da viola caipira, fui até uma loja no centro de Brasília e comprei a minha primeira violinha. Custou uns 800 pilas.”
O momento não poderia ser mais desafiador. Recém-casado e com a filha Letícia prestes a nascer, ele voltou para casa com o novo instrumento e foi recebido com uma bronca carinhosa da esposa, Walquíria. Mas nada segurava o entusiasmo. “Naquele momento, eu sentia uma atração quase louca por aquele instrumento, de modo que, se pudesse e tivesse tempo, não largava mais da viola nem por um minuto.”
A rotina era dura. Durante o dia, Claudivan trabalhava na Câmara dos Deputados como assessor parlamentar, lidando com relatórios, discursos e a frieza da política. À noite, quando finalmente chegava em casa, pegava a viola. “Colocava uma flanela pra abafar o som das cordas, pra não acordar Letícia no berço, e ia estudar até de madrugada… só eu e Deus. Foi assim que comecei essa estranha história de ser violeiro.”
A paixão logo virou disciplina. Entre madrugadas solitárias e finais de semana na casa da sogra em Pires do Rio (GO), ele encontrava na viola não apenas um hobby, mas um chamado.
Entre críticas e fé na missão
O caminho, porém, não foi livre de obstáculos. Amigos e conhecidos diziam que a música caipira não teria futuro. “Esse tipo de música não leva ninguém a lugar nenhum”, ouviu inúmeras vezes. Outro comentário recorrente era: “Com essa música você não vai passar nem da esquina”.
Claudivan não se deixou abalar. Pelo contrário, transformou as críticas em combustível. “É verdade! A música não nos leva a lugar algum. Pelo contrário! Nós, músicos, é que temos que levá-la conosco aos lugares mais incomuns e inimagináveis deste mundo, porque quem nasce pra música já vem com ela desde o ventre de sua mãe. Não é uma escolha, é uma missão. Música é um ministério mesmo!”, afirma.
A virada de chave: da comunicação à viola
Formado em jornalismo, Claudivan tinha uma carreira consolidada na comunicação. Mas decidiu abrir mão de oportunidades para se dedicar à viola. Foi um processo de renúncia e fé. “Abri mão de muitas oportunidades profissionais na Comunicação, tive que engolir a seco as críticas, mas hoje sou um violeiro de profissão, com muito orgulho.”
E os frutos vieram. Em 2013, Claudivan lançou o álbum Viola Pura Viola, que recebeu o Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira, reconhecimento nacional para um trabalho autoral feito de forma independente. A premiação o colocou no mapa da música de raiz brasileira.
Mais que um instrumento, a viola se tornou companheira de vida. “Ela me abraça, ela me acalenta, me tira o peso dos dias, ameniza o meu sofrimento e as minhas dores, torna melhor a minha existência e faz o meu viver mais leve e feliz. Ser violeiro é um presente de Deus. Viver a música — e não necessariamente da música — não tem nada melhor.”
Hoje, aos 20 anos de trajetória, Claudivan resume em uma frase carregada de emoção: “Passados 20 anos posso dizer: Eu consegui. Hoje sou um Violeiro do Brasil.”










