Após revitalizar os três principais espaços culturais da cidade — a Casa da Cultura, o Teatro de Arena e a Biblioteca Pública — a Administração Regional do Guará dá mais um passo importante na valorização da cultura local. Agora, a iniciativa é homenagear postumamente cidadãos guaraenses que deixaram um legado marcante na história cultural da cidade. A consulta pública que definirá os novos nomes será lançada no fim de outubro no site oficial da Administração.


A iniciativa, que partiu do Conselho Regional de Cultura com participação da comunidade, também está contemplada em projeto de lei de autoria do deputado distrital Gabriel Magno, em tramitação na Câmara Legislativa do DF.
Entre os espaços contemplados está a Biblioteca Pública do Guará, que passou por uma transformação importante nos últimos anos. Além da revitalização da Casa da Cultura e do Teatro de Arena, a reforma da Biblioteca foi um marco da atual gestão cultural da cidade.
Atendendo a uma antiga demanda do setor cultural e da comunidade de estudantes e concurseiros da cidade, a Administração Regional, sob a gestão do administrador Artur Nogueira, construiu uma nova sede para a biblioteca. O equipamento foi transferido da Casa da Cultura para um espaço mais amplo, confortável e totalmente equipado, dentro da própria sede da Administração, proporcionando melhores condições de acesso, estudo e convivência para a população.

A proposta é prestar homenagem a três personalidades que marcaram a história cultural da cidade: a Casa da Cultura passará a se chamar Casa da Cultura do Guará Sônia Dourado; o Teatro de Arena receberá o nome de Teatro de Arena do Guará Ricardo Retz; e a Biblioteca Pública será denominada Biblioteca Pública do Guará Maruska Techmeier Morato.
Para o gerente de cultura do Guará, Julimar dos Santos, a proposta é um gesto de gratidão e memória, que reconhece o legado cultural de Ricardo Retz e Sônia Dourado. Segundo ele, dar seus nomes aos espaços é uma forma de manter viva a história de quem construiu, com dedicação e amor pela arte, a identidade cultural do Guará.
Para o jornalista Rafael Souza, ex-presidente do Conselho Regional de Cultura do Guará e responsável por encaminhar a demanda à Administração Regional, a proposta simboliza um momento de valorização da identidade local. “É essencial reconhecer os agentes culturais que, com seu trabalho cotidiano e muitas vezes silencioso, ajudaram a construir a efervescência artística que faz do Guará uma referência cultural no Distrito Federal. Mais do que nomes em placas, estamos falando de histórias que nos atravessam e inspiram. Essa memória precisa ser celebrada, preservada e repassada para as novas gerações”, destaca.
Sônia Dourado: pioneirismo e inspiração

A professora Sônia Dirce Barreto Dourado foi responsável por um dos maiores legados culturais do Distrito Federal: a criação da primeira Casa da Cultura da região, justamente no Guará. Foi dela a iniciativa de transformar um antigo prédio desativado no Cave em um centro pulsante de atividades artísticas e educativas, com apoio de nomes como a então primeira-dama Wesliam Roriz e do governador Joaquim Roriz. Diretora da Casa por cinco administrações seguidas, também atuou como Gerente de Cultura, organizando e incentivando movimentos culturais que colocaram o Guará em destaque no cenário cultural do DF.
Sônia faleceu em abril de 2025, deixando uma história de dedicação, educação e amor à cultura.
Para o produtor cultural e músico Denizar Dourado Júnior, filho da homenageada, a criação da Casa da Cultura representou uma verdadeira revolução cultural. “A fundação da Casa da Cultura do Guará, pela professora Sônia Dourado, em 1989, foi um marco que catapultou o Guará para a vanguarda cultural do Distrito Federal, criando espaços de formação profissional qualificada, desbravando novas possibilidades e consolidando, assim, a cena artística local como um polo de referência cultural”, afirma.
Ricardo Retz: memória viva

Figura emblemática da cena musical do Guará, Ricardo Retz foi produtor, pesquisador e colecionador apaixonado pela história do rock de Brasília. Cadeirante, Retz dedicou sua vida à cultura alternativa e reuniu um dos maiores acervos de vinis e itens musicais do país, com milhares de discos, fitas e materiais de shows. Era conhecido por organizar eventos e exposições que valorizavam a memória musical da cidade, como a “Temos Nosso Próprio Som”, além de ser frequentador assíduo de praças, bares e palcos locais. Seu trabalho influenciou gerações de artistas e fortaleceu o sentimento de identidade cultural do Guará.
Maruska Techmeier Morato: paixão pelos livros

Bibliotecária por formação e vocação, Maruska Techmeier Morato teve uma longa trajetória no serviço público do DF, passando por órgãos como a Secretaria de Administração, o Senado e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Mas foi no voluntariado que deixou sua marca mais afetiva: a partir de 2016, dedicou-se à dinamização da Biblioteca Pública do Guará, promovendo projetos de leitura, contacão de histórias e a implantação da Estante Livre na Feira do Guará. Seu trabalho aproximou livros de crianças, jovens e adultos, fortalecendo a educação e o acesso à informação. Maruska faleceu em novembro de 2020, pouco antes de completar 60 anos, vítima de câncer.
Para Denilson Dutra de Freitas, técnico em Políticas Públicas e Gestão Governamental e responsável pela Biblioteca do Guará por muitos anos, a homenagem reconhece a dedicação pioneira de Maruska. “Ela é merecedora dessa justa e importante homenagem, pois foi a primeira voluntária no papel de bibliotecária da Biblioteca Pública do Guará. Sempre esteve presente nas ações, nas organizações dos eventos, além de ser moradora do Guará”.










