Um, projeto desenvolvido no Guará vem conquistando reconhecimento além das fronteiras brasileiras ao propor uma nova forma de compreender e proteger as árvores que compõem a paisagem urbana. O engenheiro ambiental e pesquisador Marcelus Oliveira de Jesus, conhecido por unir tecnologia de ponta e compromisso social, é um dos homenageados no Prêmio Internacional da Consciência Ambiental e Invisibilidade, iniciativa que busca valorizar agentes e comunidades fundamentais para a preservação ecológica, mas que historicamente permanecem fora do campo de visibilidade pública.
Idealizado pelo Instituto Ecos do Cerrado, o prêmio destaca trabalhadores, coletivos e lideranças que sustentam a base ambiental das cidades, muitas vezes enfrentando anonimato, precarização e condições adversas. A premiação nasce com o objetivo de ampliar a agenda de justiça ambiental, reconhecendo que preservação não é apenas um tema técnico, mas também humano, social e político.

Marcelus tem se destacado por desenvolver um método inovador capaz de identificar, monitorar e valorizar cada árvore presente no território urbano. A tecnologia combina imagens de satélites de alta resolução, drones, câmeras 360° e algoritmos de inteligência artificial para produzir diagnósticos completos da arborização. Cada indivíduo arbóreo é mapeado com informações sobre espécie, porte, sombreamento, capacidade de retenção de carbono, riscos estruturais e papel ecológico.
O resultado é um sistema que transforma árvores antes anônimas em unidades de valor socioambiental. Em vez de serem tratadas como elementos isolados, passam a compor um Patrimônio Socioambiental Urbano, conceito que alia ciência, planejamento e cidadania ecológica. As informações geradas são usadas em escolas, universidades, comunidades e órgãos públicos, ampliando a compreensão coletiva sobre o papel das árvores na saúde, no microclima e na qualidade da vida urbana.
Segundo Marcelus, reconhecer a presença das árvores é também um ato de proteção. “Uma árvore identificada é uma árvore defendida. Dar visibilidade aos ecossistemas urbanos é uma forma de garantir que eles existam também no âmbito das decisões públicas e da memória coletiva”, afirma.
O prêmio e a luta contra a invisibilidade socioambiental
A abordagem adotada pelo Prêmio Internacional da Consciência Ambiental e Invisibilidade vai ao encontro dessa visão. O reconhecimento foi criado para romper o apagamento histórico de trabalhadores que sustentam silenciosamente os ecossistemas das cidades — garis, catadores, artesãos, agentes ambientais, hortelões, educadores comunitários, povos tradicionais, recicladores e pessoas em situação de rua que participam de ações de preservação.
Para Edmi Moreira, presidente do Instituto Ecos do Cerrado e idealizador da premiação, sustentabilidade só existe quando incorpora justiça social. Ele defende que o cuidado ambiental precisa alcançar também quem vive à margem das políticas públicas. “O meio ambiente não é uma abstração. Ele tem rosto, território e história. E todas essas histórias precisam ser vistas para que a preservação seja real”, afirma.
A premiação se apresenta como uma forma de reparação simbólica e de fortalecimento da autoestima coletiva desses grupos, destacando trajetórias frequentemente ocultadas pela desigualdade estrutural e pelo racismo ambiental.
Diversidade de histórias que sustentam a cidade
Os homenageados representam uma ampla gama de experiências e resistências. Entre eles estão artistas com deficiência que produzem ações ecoeducativas, mulheres que tiveram suas memórias transformadas em bandeira de luta contra a violência, catadores que reduzem impactos ambientais mesmo diante da precarização, hortelões que democratizam o acesso à alimentação saudável e pessoas em situação de rua que colaboram com a preservação de espaços públicos.
A pluralidade reflete a compreensão de que a sustentabilidade urbana depende não apenas de políticas governamentais, mas da ação cotidiana de quem faz o território respirar.
Ao destacar o trabalho de Marcelus Oliveira de Jesus, o Prêmio Internacional da Consciência Ambiental e Invisibilidade aponta que a inovação tecnológica pode — e deve — caminhar ao lado da inclusão, da reparação e do reconhecimento. A preservação do meio ambiente, como reforça o movimento, só se torna plena quando alcança as pessoas que mantêm o mundo vivo.










