Travessia perigosa no Guará I

Falta de faixa e alta velocidade entre a QI 11 e QE 20 coloca pedestres em risco e mobiliza a comunidade por soluções urgentes

Por Aline Diniz

Um dos trechos mais movimentados do Guará I, entre a QI e QE 7 e a QI 11 e QE 20, tornou-se motivo de preocupação constante para moradores, trabalhadores e frequentadores da região. Sem faixa de pedestres e com o trânsito fluindo a uma média de 60 km/h, a travessia no local expõe dezenas de pessoas ao risco diariamente
Apesar do intenso movimento de estudantes, famílias, fiéis da Igreja Cristã no Brasil e clientes do comércio, o trecho não conta com sinalização adequada nem com redutores de velocidade. A ausência de estrutura de segurança obriga os pedestres a atravessarem duas vias rápidas apenas com base em sua agilidade, enfrentando o fluxo de carros e a pressa dos motoristas.
Embora exista um canteiro central com pequenas passagens para pedestres, não há semáforos ou faixas nos pontos de maior fluxo, especialmente nas imediações da Escola Classe 5. O trecho é ainda mais crítico por contar com um retorno de veículos exatamente em frente à passagem, dificultando a travessia e ampliando o risco de acidentes.
Segundo relatos da comunidade, o tempo médio de segurança para atravessar quando há uma brecha no trânsito é de apenas cinco a sete segundos. O tempo é insuficiente para crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida, especialmente em horários de pico, quando motoristas aceleram para aproveitar o sinal fechado nos extremos das pistas.

Moradores reclamam
Nathaly Coelho, moradora da QI 11 e pedagoga em uma escola bilíngue de Águas Claras, passa diariamente pelo local com a irmã caçula, aluna da Escola Classe 5. “A distância entre as faixas, o desalinhamento entre os lados da pista e a ausência de um ponto de travessia adequado tornam o trecho vulnerável, especialmente para quem está com crianças. Trata-se de um corredor movimentado, utilizado por estudantes, trabalhadores e idosos. A priorização de intervenções não significa prejudicar o fluxo de veículos, mas promover um equilíbrio necessário entre mobilidade para os carros sem suprimir a segurança dos pedestres”, afirma.
Entre as medidas consideradas urgentes pela moradora estão a implantação de faixas de pedestres bem posicionadas, semáforos com tempo adequado e a presença de agentes de trânsito nos horários de maior movimento. “A sensação é de insegurança constante. Preciso calcular o momento de atravessar com rapidez, com pouca previsibilidade sobre o comportamento dos veículos e sem apoio de sinalização clara”, completa.
Simone Andrade, também moradora do Guará I e mãe de uma estudante da região, afirma que evita o trecho. “Não uso o trajeto com frequência, na verdade até evito passar pelo local devido à dificuldade de realizar a travessia e ao fluxo intenso de veículos.” Segundo ela, muitos moradores acabam escolhendo caminhos mais longos para se sentirem mais seguros. “Assim como eu, acredito que outras pessoas evitam passar pelo local e fazem um percurso maior para preservar a própria segurança física. A sensação de insegurança é muito ruim, pois o pedestre está bem mais vulnerável e exposto aos riscos do trânsito”, destaca.

Busca de solução
A Administração Regional do Guará informou, que a questão envolve trânsito e mobilidade urbana, exigindo a atuação de órgãos especializados. O órgão afirmou que já acionou o Departamento de Trânsito do DF (Detran), a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) para analisar alternativas que garantam maior segurança aos pedestres.
O administrador regional, Artur Nogueira, também comentou sobre o caso. “Temos trabalhado diariamente para atender as necessidades da comunidade e melhorar a mobilidade urbana. A determinação do governo do DF é de fortalecer o cuidado cotidiano com a população e ampliar as parcerias em todos os setores. A Administração do Guará está nas ruas, ouvindo as pessoas e acompanhando de perto cada demanda. Já a partir do início de 2026, queremos entregar soluções efetivas para esse caso e melhorar cada vez mais a mobilidade e a segurança da nossa comunidade.”