POR FRED LIMA
Considerada a maior e mais influente igreja evangélica do Guará, a Filadélfia da Entrequadra 24/26 do Guará II tenta apagar o período de escândalos e recomeçar com nova gestão, escolhida democraticamente. Desde 25 de janeiro, na esteira da prorrogação da prisão do líder de jovens Gabriel Campos, filho do pastor-presidente Marcos Campos, em dezembro, na Operação Pensilvânia, por suspeita de abuso sexual de menores, a igreja está sem comando. Junta-se ao escândalo sexual, a denúncia do Ministério Público sobre fraude nas atas da eleição da diretoria atribuída a Marcos entre os anos de 2011 a 2015. A saída foi apresentada como “jubilamento” (aposentadoria do cargo com direito a salário e outros benefícios). No entanto, os membros querem destituí-lo por meio de assembleia a ser realizada no dia 1º de março.
Pelo estatuto, o vice-presidente, pastor Sygmar Viana, assumiria o cargo. Contudo, o Conselho Disciplinar o afastou da função por 180 dias (seis meses). Para fiéis ouvidos pelo portal Lupa Política, ele não retorna mais ao posto, uma vez que a assembleia a ser realizada deve removê-lo também de forma permanente.
Com a vacância, membros passaram a discutir o perfil do próximo presidente. Entre os critérios citados estão integridade, espiritualidade, ética, transparência financeira, compromisso com a segurança dos fiéis, acolhimento de possíveis vítimas e de suas famílias e apuração interna dos fatos.
O cenário atual se assemelha ao vivido com o pastor Sirlene Araújo, porém com proporções negativas maiores. À época, um escândalo de ordem sexual levou à escolha de um delegado de polícia para a presidência da denominação. “Defendo um pastor-presidente de ética notória e disciplina, apto a recompor, a curto prazo, a imagem da igreja. Há 29 anos, um delegado foi a solução. Infelizmente, a Filadélfia virou palco de escândalos nas últimas três décadas. Isso tem de acabar definitivamente. A escolha de outro nome errado pode prolongar ainda mais essa situação. Com mais um escândalo pastoral, a igreja pode acabar”, afirma um fiel, que prefere não se identificar.
A sucessão na Filadélfia divide o grupo. Parte defende solução caseira, com um dos líderes atuais na presidência. Nesse campo, ganha força o nome do pastor Luiz Soares. Amigo de infância do pastor Marcos, ele tem perfil discreto e pouco dado a embates. Membros atribuem a essa discrição a permanência de Luiz durante os 26 anos de Campos no comando, período marcado por alta rotatividade de pastores que deixaram a igreja por discordâncias com a gestão. “Ele é muito na dele. Não gosta de discussão e tenta estar sempre em paz com todos. Em termos de espiritualidade, é um homem de Deus que ama a sua família e que busca promover a união da igreja, embora nem sempre dê para unir o certo com o errado”, afirma outro membro.
Solução de fora
Outra via doméstica é buscar um pastor da Filadélfia, porém, de outro estado. Uma ala defende o nome do pastor Juninho Sena, que foi co-pastor de Marcos de 2014 a 2024 e, por indicação dele, saiu da denominação do Guará para assumir a vice-presidência da Filadélfia de Gurupi (Tocantins). “Juninho é uma ótima pessoa e tem bom trânsito na igreja. Se a escolha fosse feita há seis ou oito anos, e por outros motivos, ele seria quase uma unanimidade para pastor-presidente”, analisa uma influente membro da igreja do Guará
Já um bloco bastante numeroso quer um nome de fora para romper com a linha das últimas três décadas e adotar outro modelo de liderança. Um dos nomes mencionados nos bastidores é o do tenente-coronel e capelão-chefe da Polícia Militar do DF, pastor Gisleno de Faria, visto como alguém com trânsito em todo o meio gospel e além dele. Ex-pastor da Filadélfia, Gisleno integrou o grupo de sete pastores que denunciaram atas fraudadas nas eleições da diretoria. Hoje, o tenente-coronel atua no atendimento espiritual a policiais militares e suas famílias, em que ele e a esposa se destacam na ministração para casais, tendo sido autor, inclusive, do livro Manual do Capelão, que se tornou referência nacional. “Precisamos de um pastor-presidente que proteja crianças e adolescentes, cuide das vítimas e recupere a confiança. Há medo até na Escola Dominical e suspeita de cúmplices. A fraude por falsidade ideológica e o escândalo de abusos expuseram problemas graves antes silenciados. A volta de um tenente-coronel renomado, conhecido por combater desvios de conduta, moralizaria a Filadélfia, reforçaria a segurança e devolveria credibilidade após a repercussão no DF”, defende outro fiel.
Obs: os membros da igreja ouvidos preferem não se identificar, sob o argumento de não influenciar o processo da escolha.

“Até o presente momento, não fui procurado pela igreja e por nenhuma comissão eleitoral a respeito de participação em processo eleitoral. Por estar pastoreando em outro lugar, e pelo delicado momento em que passa a igreja em Brasília, não seria ético apresentar qualquer projeto nesse momento. Me sinto honrado pela lembrança do meu nome, mesmo que de forma extraoficial, talvez pelas queridas ovelhas que servi por muito tempo.”

“Eu fico muito grato àqueles que têm lembrado meu nome para essa enorme responsabilidade de presidir uma das maiores e mais influentes igrejas de nossa sociedade. No momento, não sou candidato. Entretanto, já me coloquei à disposição da igreja para ajudar no que for preciso. Tenho muita experiência ministerial e servir à IBF sempre foi minha maior alegria. Que nossa igreja, através de uma grande reforma ministerial e administrativa, consiga recuperar o seu propósito como igreja local e universal, que é servir à sociedade, amando o próximo e anunciando as boas-novas do evangelho de Cristo Jesus.”











