Há seis anos na Gerência de Cultura do Guará, Julimar dos Santos afirma que a área avançou em reformas, ampliou a oferta de atividades e buscou preservar equipamentos públicos considerados estratégicos para a cidade. Na entrevista, ele destaca a retirada do Teatro de Arena de um processo de parceria público-privada, aponta a ampliação da Biblioteca Pública e detalha prioridades para 2026, com foco em estrutura e programação.
Você está há 6 anos na Gerência de Cultura do Guará. Qual balanço faz desse período e que legado quer deixar?
Nós tivemos dificuldades, mas também conquistas. Eu considero decisivo retirar o Teatro de Arena do processo de privatização e conseguir reformá-lo. Outra entrega importante foi a nova sede da Biblioteca Pública do Guará, que funcionava provisoriamente na Casa da Cultura. A biblioteca é a única do DF que abre de segunda a segunda e tem Wi-Fi, computadores, copa, acessibilidade e espaço infantil. Também revitalizamos e instalamos novos monumentos na cidade e estamos concluindo a reforma da Casa da Cultura com investimento de 380 mil reais.
A programação também se ampliou. Mesmo na pandemia, fizemos projetos como o “FICA em Casa”, festival online, a “EXPONLINE”, além de ações com cineastas do Guará. Trabalhamos na revitalização da Rua do Lazer e na feira de artesanato, que virou tradição. A Casa da Cultura, que tinha poucas atividades, hoje tem mais de 26 oficinas, como teatro, dança, ioga, música, palestras e artes plásticas. Estamos preparando a nova denominação de espaços para homenagear referências locais, como a Professora Sônia Dourado, prevista para nomear a Casa da Cultura, e Ricardo Retz, associado ao Teatro de Arena, além de homenagens para ambientes internos.
Em que pé estão as reformas da Casa da Cultura e do Teatro de Arena, o que deve mudar nos espaços e qual é o cronograma mais realista?
No Teatro de Arena, aguardamos o fim das chuvas para concluir os últimos retoques de pintura na arena central. Os banheiros já foram reformados, houve reforço de segurança, instalação de comportas e pintura das arquibancadas. Também trabalhamos para retomar a presença de vigilância no posto do camarim, como medida de segurança e conservação.
A Casa da Cultura está nos últimos retoques e a previsão é reinaugurar em maio, durante as comemorações do aniversário do Guará. A obra incluiu troca de piso, recuperação elétrica e hidráulica e pintura interna e externa. O próximo passo é melhorar a acessibilidade e executar um novo painel na fachada, assim como a aquisição de mobiliário e equipamentos. A ideia é maximizar o uso da Casa da Cultura e do Teatro de Arena e integrar a programação dos dois espaços.
Sobre a Biblioteca Pública do Guará, como está o projeto hoje e quais serviços e atividades a população pode esperar?
A biblioteca foi reinaugurada em maio do ano passado e estamos comemorando um ano, com média de mais de mil usuários por mês. O espaço tem sala de estudo coletivo, Wi-Fi, computadores, copa, acessibilidade e área infantil. Para 2026, estamos preparando uma programação com exposições, sarau, visitação de escolas e aulões no auditório que fica ao lado da biblioteca, na sede da Administração do Guará.
Quais são os planos e prioridades da cultura para este ano, pensando em programação e estrutura?
A prioridade é avançar na reforma do Teatro do Guará, que fica na sede da Administração, porque há camarim interditado e precisamos melhorar equipamentos de áudio, som e vídeo. Também conseguimos emenda parlamentar com o deputado Gabriel Magno para mobiliário e equipamentos da Casa da Cultura. Estamos elaborando projetos como estúdio social e ateliê coletivo e queremos ampliar o uso dos equipamentos culturais, levando programação também para espaços como o Arco da Cultura, a biblioteca e praças, com foco na economia criativa local.
O que está sendo feito para valorizar os artistas do Guará na prática, e onde ainda falta apoio para quem produz cultura na cidade?
Buscamos valorizar artistas locais com chamamentos públicos e diálogo com produtores, para que eventos na cidade contratem artistas de diferentes segmentos. Isso ocorre com emendas parlamentares, mecanismos de fomento e também em iniciativas particulares.
Como tem sido o apoio do administrador às pautas da cultura e o que depende diretamente dessa parceria para sair do papel?
Hoje há uma parceria mais sólida com a Administração Regional. O administrador Artur Nogueira tem apoiado as pautas da cultura e dado autonomia para construir políticas públicas com participação do Conselho e de agentes locais. Ele teve papel importante na mobilização contra a privatização do Teatro de Arena e em reformas de espaços culturais e monumentos.
No dia 25 de março, acontece a audiência pública para discutir a nova denominação dos espaços culturais e, no mesmo dia, a eleição para recomposição do Conselho Regional de Cultura. Qual a importância dessas duas agendas e o que você espera como resultado?
As duas agendas são centrais. A recomposição do Conselho é fundamental porque o órgão contribui na construção e deliberação de políticas públicas. A discussão sobre a nova denominação busca reconhecer artistas e produtores que ajudaram a construir a identidade cultural do Guará e fortalecer o vínculo da população com seus espaços públicos.










