Ele foi a maior surpresa que as urnas produziram nas eleições de 2022 no Distrito Federal. De quase desconhecido do eleitorado em geral, com exceção das forças de segurança, Elizovan Matias Moreno, ou Coronel Moreno, com pouco tempo de rádio e TV, poucos recursos financeiros e uma equipe enxuta, conseguiu 94 mil votos, abaixo apenas do eleito Ibaneis Rocha (MDB), do segundo colocado Leandro Grass (PT), a apenas 30 mil votos do ex-vice-governador Paulo Octávio (PSD) e, o mais surpreendente, acima dos 79 mil votos da senadora Leila Barros (PSB) e dos 70 mil votos do senador Izalci Lucas (PSDB), com estrutura de campanha muito maior do que a dele.
Outra surpresa teve a maior parte da população guaraense, que descobriu, depois das eleições, que ele era morador da cidade, onde nasceu, foi criado e onde continua morando.
A expressiva votação de 2022 transformouCoronel Moreno numa das novas lideranças políticas do DF, e, pela análise fria dos números, na maior do Guará. A expectativa é saber como ele vai aproveitar esse legado da votação da eleição passada. Nesta entrevista ao Jornal do Guará ele informa que é pré-candidato a deputado federal na coligação da chapa encabeçada pela pré-candidata ao governo Celina Leão, com a bandeira de melhoria da segurança pública.

Quem é
Coronel Moreno, 54 anos, ficou mais conhecido por ter sido comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar e comandante de outros seis batalhões comunitários, e por ter introduzido no Distrito Federal o programa Rede de Vizinhos Protegidos, uma interação entre os moradores e a Polícia Militar para garantir a segurança em ruas e quadras, ideia que tem se expandido em todo o DF, inclusive no Guará.
Coronel Moreno nasceu e foi criado na QE 28, onde ainda vivem seus pais. Dos tempos de criança e adolescência na quadra, ele lembra das gincanas da rua que envolviam os jovens e os pais em disputas animadas, e os passeios de mobilete com os amigos pelas amplas áreas verdes que ainda existiam no Guará II e os jogos de futebol de rua, conhecidos como “golzinho”.
Aposentado (reserva remunerada), Coronel Moreno entrou para a Polícia Militar aos 19 anos e nesse período formou-se em Educação Física pela Faculdade Dom Bosco, que pertencia à rede Universidade Católica. Teve carreira meteórica na força – trabalhou durante dez anos no Batalhão da Asa Sul, onde chegou a comandante, foi comandante também do 6º Batalhão (Plano Piloto e Ministérios), do Gama, foi chefe da Seção de Doutrina Operacional da PM, responsável pela liberação de todas as operações policiais, do 3º Batalhão da Asa Norte, do 1º Comando Regional (Plano Piloto, Lagos Sul e Norte, Sudoeste e Varjão) e do 6º Comando Regional (Santa Maria, Gama e Riacho Fundo I e II).
O senhor foi o quarto colocado nas eleições de 2022. E agora, qual é o próximo passo?
Eu fui candidato a governador no Distrito Federal em 2022. Quase 100 mil brasileiros confiaram em mim. Agora virei como pré-candidato a deputado federal.
Já definiu partido e alianças?
Sim. Eu venho com o apoio da Celina Leão, pelo Partido Progressista, o PP.
Qual é o seu principal eleitorado, ou a sua principal bandeira?
A minha pauta principal é a segurança pública, que deverá ser o principal tema das próximas eleições. Nesses últimos anos, todo mundo percebeu o aumento da criminalidade no país e o crescimento do crime organizado. A gente não observou iniciativa realmente eficaz do governo federal para combater o crimeo crime organizado.
O senhor tem um projeto para ? O que pretende defender?
Eu defendo as forças de segurança pública em geral: Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiro e polícia penal. A defesa passa por complementação de efetivos e planejamento de efetivos. Também por investimentos em equipamentos e pela saúde das corporações, inclusive saúde mental.
Pela pauta que o senhor está descrevendo, ela parece mais corporativa. E o lado da segurança pública para a população, o que seria?
Para a população, nós temos que investir em tecnologia e aprimorar o videomonitoramento, de um jeito eficiente. A ideia é reforçar o reconhecimento facial em áreas públicas e leitura de placas de veículos furtados e roubados, para que a Polícia Militar, pelos batalhões de área, identifique isso em tempo real e online.
Mas isso já não existe hoje?
Existe, mas não do jeito que eu defendo, com eficiência online e com o link funcionando. O que falta é descentralizar e colocar a tecnologia de forma efetiva em cada batalhão, com capacidade de acompanhar para onde o veículo foi e como ele se desloca. Hoje passa um carro furtado e, muitas vezes, não se consegue acompanhar o trajeto dele.
Como funcionaria a proposta?
A proposta é criar uma rede integrada. Cada batalhão teria sua central de monitoramento com reconhecimento facial e leitura de placas, e essas centrais se comunicariam entre si. Se um veículo ou uma pessoa procurada for identificada no Guará e seguir para Taguatinga, por exemplo, a central de Taguatinga entra no acompanhamento e avisa a próxima área, como Ceilândia, e assim por diante. A ideia é ter um link e um chat online entre as centrais, para que a informação circule em tempo real.
Se a tecnologia existe, por que isso ainda não foi implementado dessa forma?
Porque faltou fazer a coisa funcionar direito. A tecnologia existe, mas não com essa ideia de integração que eu estou apresentando. Eu venho trabalhando nesse projeto há alguns anos e ele está pronto para ser implementado.
Por que, apesar de ser um programa conhecido, ele nem sempre se mantém ou avança com a mesma força?
Tem que ter iniciativa do comandante, não tem jeito. Dá trabalho. Eu fazia reuniões à noite, explicava, mostrava como funcionava. Mas muda o comando e cada unidade tem prioridades diferentes, e o projeto depende muito de quem está à frente.
E existe algo semelhante para o comércio?
Sim, a Rede de Comércio Protegido. A ideia é ter acesso controlado às câmeras e um botão de pânico silencioso que aciona o batalhão. A equipe já acessa as imagens, identifica características e direção de fuga, e a viatura vai direto, com informação. Isso reduz o tempo perdido e aumenta a chance de abordagem.
Em resumo, qual é a mensagem central da sua pré-candidatura?
Levar para o debate e para a ação um conjunto de propostas na segurança pública, combinando recomposição de efetivos, melhorias operacionais e uso de tecnologia para prevenção e resposta ao crime no Distrito Federal.










