A exposição Descarte que se torna Arte, do escultor Zakeu Vitor, está em cartaz até 28 de março no Espaço Cultural da Biblioteca Central da Universidade Católica de Brasília. A mostra apresenta obras produzidas com sucata metálica, chapas tratadas e materiais reaproveitados, em um trabalho que une linguagem urbana, reaproveitamento e identidade local.
Radicado no Guará há 15 anos, Zakeu construiu uma trajetória artística diretamente ligada à paisagem e ao imaginário da cidade. É dele a autoria dos lobos-guará que se tornaram símbolos locais, como a escultura em tamanho natural em frente à Administração Regional, a loba com filhotes na entrada do Guará II e a obra instalada no Setor Lúcio Costa. As peças ajudaram a consolidar a presença do animal, um dos principais ícones do Cerrado, como marca visual e afetiva da região.
Na mostra, o público encontra esculturas que transformam materiais destinados ao descarte, como sucata automotiva, sobras da construção civil e peças metálicas diversas, em obras de arte. Ao trabalhar com esses elementos, o artista desenvolve uma produção em que o metal deixa de ser resíduo para assumir forma estética, memória e narrativa. O resultado é uma obra que dialoga com o espaço urbano e propõe reflexão sobre consumo, permanência e transformação.
Natural do Gama e com passagem pela Cidade Ocidental, onde foi vereador entre 2001 e 2004, Zakeu encontrou na experiência como serralheiro a base para construir sua linguagem artística. O contato com móveis de metal abriu caminho para as primeiras experimentações com sucata, que mais tarde se consolidaram como eixo central de sua produção.
Com o tempo, o escultor ampliou seu repertório técnico sem abandonar a essência do trabalho. Além das peças criadas com materiais reaproveitados, passou a desenvolver obras em chapas de metal tratadas, com acabamento em pintura automotiva de alta resistência. A mudança ampliou as possibilidades formais e aproximou sua produção de projetos de arquitetura e design, tanto para espaços públicos quanto para ambientes internos e coleções particulares.
Esse encontro entre matéria bruta e sensibilidade estética está no centro da exposição. Em vez de ocultar a origem dos materiais utilizados, Zakeu valoriza os vestígios do metal e transforma esses elementos em linguagem visual direta, marcada pela força urbana e pela relação com a memória dos lugares. Suas esculturas apresentam animais, figuras humanas e formas abstratas, em uma produção que ultrapassa o espaço expositivo e se integra ao cotidiano da cidade.
O trabalho do artista também já alcançou outros espaços do Distrito Federal e de fora dele. Obras de sua autoria estão presentes em áreas institucionais e acervos particulares. Em Minas Gerais, uma escultura metálica de grandes proporções foi instalada às margens do Rio São Francisco. Em Brasília, a Associação Médica de Brasília reúne peças produzidas com sucata cirúrgica, criadas a partir de referências ligadas ao período da pandemia.
A exposição oferece ao público a oportunidade de conhecer de perto uma produção marcada pela transformação do descarte em expressão artística e pela forte ligação com o Guará, cidade onde Zakeu Vitor consolidou parte importante de sua trajetória e criou obras que passaram a fazer parte da identidade visual local.
A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h45, e aos sábados, das 8h15 às 13h45, no Espaço Cultural da Biblioteca Central da Universidade Católica de Brasília.










