
Amar o Guará, para Ronaldo do Arerê, é mais do que morar na cidade. É sentir-se parte dela, reconhecer suas histórias nas ruas, nas praças e nas pessoas, e transformar a própria trajetória em uma forma de retribuição. No 10º episódio da série Porque Eu Amo o Guará, conduzida por Rose Soares, ele recebeu a coluna diretamente da QE 40 para contar por que mantém uma relação tão profunda com a cidade.
Aos 44 anos, Ronaldo resume sua ligação com o Guará como um sentimento de pertencimento. Filho de uma família tradicional da região, ele nasceu em Brasília e cresceu no Guará, onde construiu suas primeiras memórias. Mesmo tendo passado cerca de 15 anos fora do Distrito Federal para estudar e trabalhar, nunca deixou de se reconhecer como parte da cidade. Para ele, falar do Guará é também falar de família, de vizinhança e de uma comunidade em que as pessoas ainda se conhecem pelo nome.
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Sua trajetória passou por diferentes caminhos. Ronaldo estudou Química na Universidade de Brasília, viveu uma experiência na vida marista, estudou fora do país durante o doutorado e atuou como servidor público, gestor na área social e educador. Trabalhou como diretor e vice-diretor de escola no Rio Grande do Sul e em Goiás, acumulando experiências que, ao retornar, passaram a orientar uma pergunta central: o que poderia fazer para devolver ao Guará um pouco de tudo o que recebeu ao longo da vida.
Essa resposta veio também pelo envolvimento comunitário. Morador do Polo de Modas, Ronaldo herdou o prédio construído pelos pais, onde antes funcionava uma confecção e também a residência da família. O local carrega parte importante da história de seu pai, seu Dimas, conhecido na região como seu Arerê. Mesmo cinco anos após sua morte, Ronaldo ainda escuta relatos de pessoas que foram ajudadas por ele, seja com um lanche, um cuidado com as crianças ou um gesto simples de acolhimento.
Essas lembranças fazem com que a saudade se misture ao compromisso. Ronaldo afirma que não vê vergonha em servir mesas, limpar caixotes ou cuidar do espaço onde vive, mesmo tendo uma formação acadêmica extensa. Ao contrário, considera isso motivo de orgulho. Para ele, voltar ao Guará é também assumir a responsabilidade de preservar a memória da família e contribuir para que a cidade seja mais limpa, viva e acolhedora.
Na QE 40, parte desse cuidado aparece nas árvores plantadas pela família ao longo dos anos. Palmeiras, pinheiros, ipês e outras mudas ajudam a contar uma história que começou quando a região ainda tinha poucos espaços estruturados. Ronaldo estima ter plantado mais de 15 árvores desde que voltou a atuar mais diretamente na comunidade. Para ele, pequenos gestos, quando repetidos por muitas pessoas, podem transformar a cidade.
Agora pai de uma menina recém-nascida, Ronaldo vê no Guará também o lugar onde novas histórias começam. Sua filha, ainda nos primeiros dias de vida, já faz parte dessa continuidade afetiva que une gerações. É nesse encontro entre memória, trabalho, pertencimento e esperança que ele explica seu amor pela cidade.
Histórias como a de Ronaldo dão sentido à série Porque Eu Amo o Guará. São relatos de pessoas que saíram, voltaram, permaneceram ou encontraram na cidade um propósito. No caso dele, amar o Guará é cuidar do que recebeu, honrar quem veio antes e plantar, todos os dias, novas razões para acreditar na força da comunidade.









