Justiça por Thalita

João Paulo Teixeira foi condenado pelo Tribunal do Júri a 29 anos e 11 meses de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores

O Tribunal do Júri do Guará condenou João Paulo Teixeira a 29 anos, 11 meses e 23 dias de prisão pelo assassinato de Thalita Berquó Ramos, ocorrido em janeiro do ano passado. A sentença foi proferida nesta quinta-feira, 14 de maio, após julgamento realizado no Fórum do Guará.

João Paulo Teixeira foi condenado por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores

O réu foi condenado por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. A pena foi dividida em 24 anos e 6 meses pelo homicídio, 1 ano e 7 meses pela ocultação de cadáver e 3 anos e 10 meses pela participação de adolescentes no crime. O cumprimento da pena deverá ocorrer inicialmente em regime fechado.
O crime, que causou grande comoção na cidade, ocorreu em 13 de janeiro. Segundo as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal, Thalita foi morta após uma discussão relacionada à compra de drogas. Dois adolescentes também participaram do caso e respondem na Vara da Infância e da Juventude por atos infracionais análogos aos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Durante o julgamento, João Paulo admitiu ter participado da ocultação do corpo, mas negou envolvimento direto na morte de Thalita. Em depoimento, afirmou que teria sido chamado por dois adolescentes para ajudar na remoção do corpo e que receberia dinheiro e drogas pela participação. A versão, no entanto, não foi acolhida pelos jurados.
A acusação sustentou que João Paulo teve participação direta no crime e tentou transferir a responsabilidade aos adolescentes. O Ministério Público também defendeu que o caso foi cometido com extrema violência e demonstrou desprezo pela vida da vítima. Os jurados acolheram as qualificadoras apresentadas pela acusação: motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A defesa argumentou que não havia provas suficientes para condenar João Paulo pelo homicídio e pediu cautela na análise dos depoimentos apresentados durante o processo. O Tribunal do Júri, porém, considerou o réu culpado pelos três crimes apontados na denúncia.

Familiares e amigos protestaram em frente ao Fórum do Guará e acompanharam o júri
Família acompanhou julgamento
Mais de 20 familiares e amigos de Thalita acompanharam a sessão. Antes do início do julgamento, parentes se reuniram em frente ao fórum, fizeram uma oração e levaram cartazes pedindo justiça. A presença da família marcou a sessão e reforçou o impacto do crime, que ainda é lembrado com dor por pessoas próximas à vítima.
A mãe de Thalita, Valéria Marinho, afirmou que a família ainda convive com as consequências emocionais do crime. Segundo ela, a perda abalou profundamente parentes e amigos, em uma dor que se estende a toda a família.
Valéria descreveu a filha como uma jovem carinhosa, humilde e muito ligada aos familiares. Para ela, Thalita tinha uma forma afetuosa de se relacionar com as pessoas e deixava marcas de acolhimento por onde passava.
A tia da vítima, Glaucia Marinho Berquó, também acompanhou o julgamento e afirmou que a família buscava justiça, não vingança. Segundo ela, o momento representava uma tentativa de dar voz a Thalita e de encerrar uma etapa marcada por sofrimento desde o crime.
O julgamento havia sido inicialmente marcado para março, mas foi adiado após mudança na defesa do acusado poucos dias antes da sessão. Com a alteração processual, a Justiça remarcou o júri para maio.
João Paulo já estava preso preventivamente desde março de 2025. Ele também havia sido condenado, em outro processo, por tentativa de homicídio contra um desafeto.
Em relação aos adolescentes envolvidos, um segue internado em unidade socioeducativa. O outro cumpre medida socioeducativa em regime de semiliberdade desde outubro do ano passado.
A condenação foi recebida pelos familiares como um passo importante na busca por justiça. O caso permanece como um dos episódios mais marcantes de violência registrados no Guará nos últimos anos.