A bola rola pra vencer !

Roberto Policarpo, potiguar, morador do Guará e conhecedor de todo o DF, diz ter a fé de Ariano Suassuna. Aposta na vitória. Na terra natal foi atleta da seleção de futebol, escalado em vários times

Até quem não é ligado, se liga. Climão em todo o país, de olho na tela, para saber tudo o que acontecerá no gramado. Pela primeira vez, a Copa do Mundo terá sede em três países – Estados Unidos, México e Canadá – com 48 seleções em campo. Serão 104 partidas em 16 cidades. E o México será o primeiro a ser sede por três vezes. Interessante, pois foi lá que o Brasil viveu uma das suas vitórias mais estrondosas, em 1970: rei Pelé, Jairzinho, que marcou gol em todos os jogos, Gerson da canhotinha de ouro, vai que é tua Rivelino, Tostão, o inesquecível artilheiro, e Carlos Alberto Torres, aquele que coroou o Tri.
Ruim é quando brota clima de desânimo. Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira diz que 56% da população não acredita que o título venha para o Brasil neste ano. Mas vai chegando a hora, a temperatura vai mudando. Esse percentual já é 10 pontos maior na soma do otimismo do que era em abril.

“Quem me conhece sabe que sou um realista esperançoso”
Roberto Policarpo

Porém, tem pessoas que acreditam sempre. Gente de luta. “Quem me conhece sabe que sou um realista esperançoso”, destaca o potiguar Roberto Policarpo, que garante ir até a vitória, inspirado no escritor Ariano Suassuna, que disse: “Não sou otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos e os pessimistas, amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça em todo o mundo”, dizia o nascido paraibano que se considerava pernambucano de cultura.
E essa esperança tem raiz. Policarpo traz do berço, Santo Antônio do Salto da Onça (RN), a prática esportiva. Lá, ele foi da seleção de futebol. Depois, seria escalado para defender a seleção da Esam, a faculdade de agronomia de Mossoró. Passou ainda por times de Jundiaí e de Santo Antônio, em equipes de futebol de salão e de campo.
A experiência é consequência e causa do entusiasmo pelo esporte. Diz ter desafiado muita gente neste ano: “o Brasil será campeão da Copa do Mundo”, repete sem piscar. “Temos um país inteiro que aproveita esse momento para vestir suas cores, se reunir com amigos e família, enfeitar as ruas e sonhar junto. Poucas coisas são tão brasileiras quanto isso. Então, por que o clima ruim? Pra que a marra, o medo ou o pessimismo? Não somos um povo conhecido pelo ressentimento. Somos um povo movido pela fé, pela capacidade de acreditar que dias melhores sempre virão. Não me venham com conversa de pé frio. No dia 13 começa a Copa do Mundo e eu vou repetir, sem medo de errar: O Brasil é campeão!”

O futebol além da Copa
O Jornal do Guará conversou com o professor Henrique de Oliveira Costa, 44 anos, que dá aulas de futebol pra crianças a partir dos 5 anos de idade a adolescentes de 18 e 19 anos em escola particular, e também prepara adultos no esporte – para saber como está o clima pra essa galera.
“Este momento de Copa de fato aguça o interesse de todos. No ambiente escolar vejo que mesmo as crianças que não praticam o esporte estão se envolvendo por causa dos álbuns de figurinhas. A Copa traz esse foco maior e tenho visto que a galera tá empolgada, eu procuro fazer dinâmicas que envolvem os países, eles conhecem os nomes dos jogadores, sabem de quais são as seleções, os times famosos da Europa. E o álbum criou um clima aguçado.
Henrique dá aulas de futebol há 18 anos, tem um filho que se dedica ao esporte e relata diversos aspectos sobre a influência da atividade na vida das pessoas. “O futebol trabalha com a socialização, disciplina, foco. É muito importante pro desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento motor, trabalha a tomada de decisões, a autoconfiança, envolve pessoas de diferentes personalidades e interesses. Algumas de modo lúdico, outras que competem. E a competitividade também é positiva, como na vida, nem sempre se ganha e também nem sempre se perde.”
O professor Henrique enfatiza que a torcida “também anima demais”. Também em campeonatos escolares. “É um outro modo de participação. Tanto os atletas interagem com a torcida, como a torcida participa do jogo na interação com os atletas. Todo mundo se envolve em um ambiente agradável”.