
O assassinato do motorista de aplicativo Lucas Henrique do Prado Ribeiro, de 35 anos, terá um novo desdobramento no próximo dia 14 de julho, quando o acusado André Luiz Rodrigues de Magalhães será julgado por júri popular no Fórum do Guará. O crime ocorreu em março do ano passado, dentro de uma oficina mecânica na QE 40 do Guará II, e causou forte repercussão entre moradores da cidade.
André Luiz, filho do proprietário da oficina, responde pelo crime de homicídio simples. Após o disparo, ele chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado depois da audiência de custódia e passou a responder ao processo em liberdade. Desde o início, a defesa sustenta que ele agiu em legítima defesa.
A decisão que levou o caso ao Tribunal do Júri foi assinada em março deste ano pelo juiz Marcos Francisco Batista, da Vara do Tribunal do Júri do Guará. Na sentença, o magistrado destacou que tanto o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) quanto a defesa pediram a absolvição sumária do acusado sob a alegação de legítima defesa. Apesar disso, o juiz entendeu que a tese não ficou plenamente comprovada nesta fase processual e determinou que os jurados decidam se André Luiz agiu ou não para se defender.
Segundo os autos, testemunhas relataram que houve uma discussão intensa dentro da oficina antes do disparo. Algumas pessoas afirmaram ter ouvido gritos relacionados à devolução da chave do veículo. Policiais militares que atenderam a ocorrência disseram que nenhuma arma ou faca foi encontrada com Lucas no local.


Discussão antes do disparo
Lucas trabalhava como motorista de aplicativo e entregador. No dia do crime, ele havia saído para trabalhar utilizando um veículo alugado, mas decidiu procurar assistência mecânica após perceber falhas no motor do carro. Inicialmente, ele teria buscado ajuda em outra oficina da região, sem sucesso, e depois seguiu para o estabelecimento onde ocorreu o crime. André já conhecia o irmão do acusado, por isso foi até lá.
De acordo com relatos da família, Lucas pediu que André Luiz verificasse o defeito no veículo. Durante um teste, o carro acabou colidindo em um elevador automotivo e atingido o retrovisor de outro veículo estacionado na oficina. A partir desse momento, os dois iniciaram uma discussão. Segundo Jorge Luiz do Prado Ribeiro, pai da vítima, André Luiz teria entrado em uma sala nos fundos da oficina, pegado uma pistola e retornado ao local da discussão antes de efetuar o disparo. Lucas foi atingido no queixo, com saída do projétil pelo pescoço.
O motorista foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado inicialmente ao Hospital Regional do Guará. Depois, foi transferido para o Hospital de Base, onde permaneceu internado em estado grave por cerca de 14 dias, mas não resistiu aos ferimentos. A família decidiu doar os órgãos da vítima.

Família contesta legítima defesa
A versão apresentada pela defesa do acusado sustenta que André Luiz reagiu após se sentir ameaçado durante a discussão. Em nota, a advogada Tilva de Almeida Ramthor afirma que o cliente colaborou desde o início das investigações e que a decisão de pronúncia não representa condenação.
Segundo a defesa, Lucas teria adotado comportamento agressivo e feito um movimento brusco em direção à cintura, o que levou André Luiz a acreditar que seria atacado. A advogada também afirmou que a ausência de confirmação visual de determinados elementos pelas testemunhas não significa, necessariamente, inexistência de ameaça.
A família de Lucas contesta a versão apresentada pelo acusado e afirma que ele nunca teve envolvimento com crimes. Jorge Luiz, 67 anos, cabeleireiro bastante conhecido no Guará, diz que o filho trabalhava diariamente como motorista de aplicativo e entregador e mantinha uma rotina intensa de trabalho para sustentar a família. “Meu filho foi honesto por 35 anos. Trabalhava, ajudava as pessoas e cuidava do filho. O mais doloroso é ter que provar que ele era um homem correto”, afirma o pai. Segundo ele, André Luiz, após ter atirado em Lucas, teria retirado as câmeras que existiam dentro da oficina, apagado as imagens e arrastado o corpo da vítima, o que teria retardado o atendimento por parte do Corpo de Bombeiros. “Nesse período, ele perdeu bastante sangue, o que piorou a situação”, acusa.
O Ministério Público informa que existem dúvidas sobre as circunstâncias da ocorrência e considerou adequado que a decisão final seja tomada pelo Tribunal do Júri. O órgão também destacou que o disparo ocorreu durante uma agressão física iniciada dentro da oficina, circunstância que deverá ser analisada pelos jurados durante o julgamento.
André Luiz possui registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), informação confirmada pela própria defesa para comprovar a regularidade da arma utilizada no crime.









