Nossa conversa esta semana foi com Ranivando Ribeiro Torres, o Xinxa, um dos chaveiros mais conhecidos da região, que há mais de três décadas mantém seu estabelecimento na QI 6 do Guará I e carrega uma relação de pertencimento que começou praticamente junto com a história da cidade.
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Aos 56 anos, Xinxa conta que nasceu no Hospital Regional do Gama apenas porque sua mãe trabalhava na unidade de saúde, mas que sua família já morava no Guará. Seu pai chegou à cidade em agosto de 1969, pouco antes de seu nascimento. Desde então, toda sua vida foi construída na região. Foi no Guará que estudou, praticou esportes, conquistou títulos e aprendeu a profissão que se transformaria em seu sustento.
As lembranças da infância ainda estão vivas. Ele recorda um Guará muito diferente do atual, com ruas de terra e grandes espaços onde as crianças passavam horas brincando. As partidas de futebol, as brincadeiras na rua e a convivência entre vizinhos fazem parte de uma época que guarda com carinho. Segundo ele, o espírito comunitário que existia naquele período continua sendo uma das principais características da cidade.
A profissão surgiu por influência do tradicional Chaveiro Tião, que funcionava ao lado de sua casa. Enquanto trabalhava durante a madrugada no aeroporto, nos tempos da Transbrasil, aproveitava o restante do dia para aprender o ofício. Com dedicação, abriu seu primeiro negócio na Feira do Guará, passou por outros pontos comerciais da cidade e, há 32 anos, está instalado no endereço atual, onde consolidou seu nome e sua clientela.
Foi no Guará que construiu sua família. Pai de dois filhos e avô de uma bebê de seis meses, Xinxa se orgulha de dizer que toda a sua história está ligada à cidade. Mesmo quando se mudou para Águas Claras, onde permaneceu por 11 anos, continuou trabalhando diariamente no Guará. O retorno definitivo aconteceu há três anos, motivado pela certeza de que era ali que se sentia em casa.
Além da atividade como chaveiro, também participou da cena cultural da cidade. Ao lado do produtor cultural Ricardo Redz, ajudou a organizar diversos eventos e shows em praças e espaços do Guará, contribuindo para fortalecer a cultura local. O trabalho lhe rendeu reconhecimento e uma moção de louvor pelo envolvimento com a comunidade.
Ao falar sobre as mudanças ocorridas ao longo das décadas, Xinxa destaca a evolução da infraestrutura e das quadras residenciais. Para ele, a cidade cresceu e melhorou em muitos aspectos, embora a área cultural ainda tenha espaço para avançar. Mesmo assim, acredita que o maior patrimônio do Guará continua sendo seu povo.
A ligação com a cidade também passa pela história familiar. Após o falecimento de sua mãe, há dois anos, seu pai retornou de Manaus para viver novamente no Guará. Pioneiro da cidade, ele recebeu uma das primeiras casas da região e hoje reencontra antigos vizinhos que continuam morando no mesmo local após décadas.
Para Xinxa, o principal diferencial do Guará está no sentimento de comunidade. A convivência próxima entre moradores, o acolhimento e a união entre as pessoas criam uma identidade difícil de encontrar em outros lugares. É esse vínculo que explica por que ele nunca quis transferir seu negócio para outra região e por que sempre retorna à cidade. “Eu amo o Guará por causa das pessoas, da união e da comunidade. O Guará é o bicho. É bom demais”, resume.










