Gisele Rejane Souza, educando a nova geração de guaraenses

Conversei com a professora Gisele Rejane Souza na Escola Técnica do Guará, onde ela atua como diretora há mais de cinco anos. Nascida na cidade, ela fala do Guará a partir de uma trajetória construída entre a família, a escola pública, as amizades de infância e o trabalho na educação.
Filha mais nova de quatro irmãs, Gisele cresceu em uma família simples, com o pai trabalhando fora e a mãe dedicada à casa e à formação das filhas. A infância foi vivida em uma cidade onde a rua era extensão da casa e os vizinhos tinham presença de família.
Ela estudava perto de casa, na escola que hoje é o Centro de Ensino Fundamental 5, antigo Centro 5. O caminho até a sala de aula era feito a pé, passando pela casa dos colegas e chamando um por um para seguirem juntos. Muitas dessas amizades atravessaram o tempo e ainda hoje fazem parte da vida dela.

Nas lembranças de Gisele, o Guará aparece como uma cidade acolhedora, onde as pessoas se conheciam, se ajudavam e compartilhavam o cotidiano. A mãe dela, mesmo sem ter tido oportunidade de estudar, era uma liderança natural na rua. Quando algo acontecia, os vizinhos batiam à porta da casa da família em busca de orientação, apoio ou acolhimento.
A adolescência também deixou marcas importantes. Em uma época em que andar de patins virou febre, Gisele circulava pelo Guará de bicicleta, de patins e nas brincadeiras com os amigos. Quando a mãe decidiu limitar as saídas da filha, os colegas encontraram uma solução simples: passaram a se reunir em frente à casa dela. A rua virou ponto de encontro para jogar truco, bola, andar de patins e conversar.
Mesmo tendo estudado parte do ensino médio fora da cidade e, mais tarde, trabalhado em outras regiões, Gisele nunca rompeu esse vínculo. Hoje, mãe de dois filhos, ela tenta transmitir a eles e aos sobrinhos um pouco da liberdade, da convivência e da vida comunitária que marcaram sua própria história.
A cidade mudou muito, e ela reconhece isso com carinho. O Guará cresceu em prédios, serviços, opções de lazer, cultura e gastronomia. Aquilo que antes exigia deslocamento para outras regiões hoje pode ser encontrado dentro da própria cidade. Ainda assim, o sentimento de pertencimento permanece. Depois de morar no Guará Parque e, atualmente, na 302, Gisele afirma que não consegue fazer planos de vida longe daqui.
A trajetória profissional encontrou na educação uma forma de serviço. Formada em Nutrição, ela ingressou na Secretaria de Educação em 2009 e começou a atuar em Planaltina, onde se apaixonou pela educação profissional. Foi nesse caminho que percebeu, de forma concreta, como a formação técnica pode transformar vidas em pouco tempo.
Na Escola Técnica do Guará, essa transformação aparece todos os semestres. São estudantes que chegam em busca de uma nova oportunidade, mães que retomam os estudos, trabalhadores que querem mudar de área e famílias inteiras que acompanham com orgulho a primeira colação de grau de alguém próximo. Para Gisele, a educação profissional muda não apenas a vida do aluno, mas também o futuro de sua família.
A chegada de uma escola técnica ao Guará teve, para ela, um significado especial. Em um momento em que buscava trabalhar mais perto de casa e dos filhos pequenos, soube pelo pai que uma nova unidade seria construída na cidade. A partir dali, participou do processo de construção pedagógica da escola e viu nascer uma instituição que hoje atende cerca de 1.300 alunos.
O trabalho na direção da Escola Técnica também reforçou sua relação com a comunidade. A escola se tornou ponto de referência para projetos, eventos, igrejas, grupos locais e iniciativas da cidade. Para Gisele, isso faz sentido porque a escola pertence ao território onde está inserida.
Ao falar sobre o Guará, Gisele resume sua história como uma devolução. Ela nasceu, cresceu, estudou, formou-se e construiu seus vínculos na cidade. Hoje, ao dirigir uma escola pública de formação profissional, sente orgulho de servir à mesma comunidade que ajudou a formar sua identidade.