Vô Judson, o poeta do mutirão

Judson Seraine, conhecido como Vô Judson, faz parte da história do Guará desde os primeiros anos da cidade. Nascido no Piauí, ele chegou à região ainda durante a construção de Brasília e ajudou a erguer as casas que deram origem a uma nova comunidade.
Para Vô Judson, o amor pelo Guará passa pela localização e pela qualidade de vida. Morar a poucos quilômetros do centro da capital, em uma cidade que oferece o necessário para uma vida tranquila, é um privilégio que ele reconhece até hoje.

“Eu, brasileiro, nascido no Piauí, morando na capital e a poucos quilômetros do centro da nação, não tenho expressão maior do que dizer: eu te amo”, afirma.
Na época da construção das primeiras moradias, Vô Judson trabalhava como motorista do diretor financeiro da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, a Novacap. Quando surgiu a oportunidade de conquistar uma casa no Guará, ele deixou temporariamente a direção e passou a participar dos mutirões.
Os grupos construíam cerca de dez casas durante quatro ou cinco meses. Depois que as moradias ficavam prontas, era realizado um sorteio entre os participantes. Em seguida, os trabalhadores seguiam para outro setor e começavam uma nova etapa.
Segundo Vô Judson, havia diferenças entre os salários, mas todos compartilhavam a mesma força de vontade. O esforço também envolvia as esposas, que, mesmo com as tarefas de casa, encontravam maneiras de colaborar.
“As esposas ajudavam a gente também na folga. Às vezes, faziam a comida em um foguinho nas pedras ou traziam a marmita. Muitas ajudavam os maridos, pegando os tijolos e levando para a casa”, recorda.
O trabalho era pesado, mas a expectativa de conquistar a própria moradia mantinha as famílias unidas. Para Vô Judson, a maior recompensa era acompanhar a expressão de cada participante no momento do sorteio.
“Era uma luta. Você precisava ver a expressão no rosto de cada um. Quando ganhava, quando era sorteado, era alegria total”, conta.
Receber uma casa no Guará significava mais do que conquistar um imóvel. Era a oportunidade de estabelecer a vida no Distrito Federal, perto do centro político do país, em uma cidade construída pelas próprias mãos.
“Nós saímos como vitoriosos, porque ter um local desses para fazer a casa e morar no Distrito Federal, a poucos quilômetros do centro da nação, é um privilégio”, diz.
A história de Vô Judson também está ligada à construção de Brasília. Antes dos mutirões no Guará, ele trabalhou conduzindo caminhões carregados de pedra, areia e cascalho para os alicerces de importantes obras da capital, entre elas os ministérios, a Catedral Metropolitana e prédios ligados ao Congresso Nacional.
Por isso, quando observa os monumentos de Brasília, não enxerga apenas os edifícios prontos. Lembra-se dos caminhões, do trabalho diário e do esforço de tantas pessoas que ajudaram a transformar o projeto da nova capital em realidade.
“Quando vejo aquela Catedral, lembro da luta para colocar pedra, areia e cascalho no alicerce. Estar aqui é um privilégio”, afirma.
Vô Judson ajudou a construir Brasília, participou dos mutirões das primeiras casas do Guará e acompanhou o crescimento da cidade que escolheu para viver. Sua trajetória representa a história de muitas famílias que ergueram suas moradias com trabalho coletivo, esperança e vontade de construir um novo futuro.